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B16 elevaria demanda de biodiesel a 11 milhões de m³ em 2027, 7% a mais; MT e GO têm 34,6% da produção

StoneX vê consumo de 8,75 milhões de t de óleo de soja com a mistura maior, 480 mil t acima do B15. O Centro-Oeste passou o Sul e produz 13,2% mais até agosto; BNDES aprova R$ 150 milhões para usina de três cooperativas gaúchas que vai esmagar 1 milhão de t de soja.

Por Redação Campo em Pauta ·

Grupo de homens de terno e capacete azul caminha por via interna de uma usina, entre tubulações verdes suspensas e tanques metálicos
O vice-presidente Geraldo Alckmin na inauguração da usina de biodiesel da Potencial em Lapa (PR), em junho de 2023. Foto: Cadu Gomes/VPR (CC BY 2.0)

Se a mistura obrigatória de biodiesel no diesel subir de 15% para 16% (B16), a demanda pelo biocombustível pode chegar a 11 milhões de metros cúbicos em 2027, 7% mais que em 2026, segundo a primeira projeção da consultoria StoneX para o ano que vem, divulgada na quinta-feira (22) e publicada pela Globo Rural. O consumo de óleo de soja pelas usinas chegaria a 8,75 milhões de toneladas, 85,3% da matéria-prima. Se o B15 for mantido, as vendas cresceriam só 1,2%, para 10,43 milhões de metros cúbicos, com 8,27 milhões de toneladas de óleo. A diferença de 480 mil toneladas de óleo equivale a cerca de 2,5 milhões de toneladas de soja em grão, pelas contas do Campo em Pauta com o rendimento de 19% de óleo por tonelada esmagada usado nos balanços da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

A consultoria espera que os testes de viabilidade das misturas até o B20 terminem em fevereiro e que, a partir deles, o B16 possa entrar em vigor em março. “Entretanto, não há sinais claros do governo de que estaríamos caminhando nessa direção, apesar da capacidade do setor em atender ampliações de mandatos”, escreveram os analistas Bruno Cordeiro e Isabela Garcia. A Lei do Combustível do Futuro previa o B16 para março de 2026, mas o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) manteve os 15% em vigor desde 1º de agosto de 2025, pela Resolução 9/2025, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Como mostrou o Campo em Pauta, a área técnica do Ministério de Minas e Energia disse em junho que o B16 só poderia ser anunciado, na melhor das hipóteses, em fevereiro de 2027, e nenhum dos planos de governo do segundo turno fixa data para a mistura maior.

Para 2026, a StoneX reduziu a projeção de crescimento da demanda de 5,7% para 5,6%, a 10,30 milhões de metros cúbicos. De janeiro a agosto, a comercialização subiu 7,2%, para 6,77 milhões de metros cúbicos, puxada pelo diesel e pela diferença de mistura em relação a 2025, quando o B14 ainda valia até julho. Pela planilha de produção por região da ANP, atualizada em 22 de setembro, as usinas produziram 6,83 milhões de metros cúbicos de janeiro a agosto, 7,9% mais que no mesmo período de 2025.

Centro-Oeste passa o Sul

Pelas contas do Campo em Pauta sobre esses dados, a região Centro-Oeste produziu 2,82 milhões de metros cúbicos de janeiro a agosto, 13,2% mais que um ano antes, e respondeu por 41,3% do biodiesel do país. O Sul, que liderava com 2,57 milhões no mesmo período de 2025, cresceu 2,9%, para 2,64 milhões, e caiu para a segunda posição, com 38,7%. A ANP deixou de divulgar a produção mensal por estado em 2022, mas o anuário estatístico de 2026 traz o recorte de 2025: Mato Grosso produziu 2,14 milhões de metros cúbicos no ano passado, 11,3% mais que em 2024 e 21,7% do total nacional, atrás apenas do Rio Grande do Sul (2,24 milhões). Goiás fez 1,27 milhão, 2% menos, e Mato Grosso do Sul, 385 mil metros cúbicos, alta de 3%. Juntos, Mato Grosso e Goiás responderam por 3,41 milhões de metros cúbicos, 34,6% do biodiesel brasileiro.

A capacidade instalada explica o peso. Pelo mesmo anuário, Mato Grosso tinha 17 usinas autorizadas em 2025, com 10.678 metros cúbicos por dia, 24,7% da capacidade do país, de 43.264 metros cúbicos por dia em 59 unidades; as maiores são as da ADM (1.352 metros cúbicos por dia) e da Cofco (1.200), em Rondonópolis, e a da Amaggi, em Lucas do Rio Verde (1.023). Goiás soma 6.445 metros cúbicos por dia em oito usinas, 14,9% do total, lideradas pela Olfar, em Porangatu (1.800), e pela Cargill, em Anápolis (1.550). Mato Grosso do Sul tem três unidades, com 1.965 metros cúbicos por dia.

Na classificação da ANP, compilada pela Abiove, o óleo de soja respondeu por 73,8% do biodiesel produzido no país até agosto; a StoneX, com critério próprio, calcula cerca de 85%. Pelas contas do Campo em Pauta, se a participação do óleo nas usinas de Mato Grosso e Goiás for a média da StoneX, a produção dos dois estados em 2025 consumiu cerca de 2,7 milhões de toneladas de óleo, o equivalente a aproximadamente 14 milhões de toneladas de soja em grão, mais de um quarto da safra de 50,88 milhões de toneladas que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê para Mato Grosso em 2026/27. O farelo dessa moagem concorre com o DDG das usinas de etanol de milho, cuja exportação por Mato Grosso cresceu 35% neste ano, como mostrou o Campo em Pauta.

BNDES financia usina de cooperativas

Enquanto a mistura não sobe, a capacidade continua crescendo. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, em nota de 13 de outubro, um limite de crédito de R$ 150 milhões, do Fundo Clima, pelo programa Máquinas Verdes, para a Soli3 União Central Cooperativa, de Cruz Alta (RS), comprar máquinas e equipamentos para a fábrica de biodiesel que ergue junto à sua planta de esmagamento de soja. “Essa operação vai permitir à cooperativa reduzir a pegada de carbono de suas atividades e aumentar sua eficiência energética”, disse o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do banco, José Luis Gordon.

Fundada em 2024, a Soli3 é o braço industrial de Cotrijal, Cotripal e Cotrisal, que somam cerca de 35 mil associados em 112 municípios gaúchos e 7,4 mil empregados. A planta terá capacidade para esmagar 1 milhão de toneladas de soja por ano e produzir farelo, óleo, biodiesel e glicerina, com terminal ferroviário próprio, e deve começar a operar em 2028, segundo o Canal Rural. “Ele tem inclusive um juro um pouquinho mais reduzido, porque prevê a operação de um sistema mais limpo, mais correto”, disse ao Giro do Boi, do Canal Rural, o presidente da Soli3 e da Cotripal, Germano Döwich, sobre o recurso do BNDES. Para o presidente da Cotripal, o projeto busca agregar valor à produção dos associados: “Os investimentos em máquinas verdes reforçam a construção de um empreendimento moderno, eficiente e sustentável”.

Com informações de Globo Rural (StoneX), ANP (produção de biodiesel por região), ANP (anuário 2026, produção por UF), ANP (anuário 2026, capacidade por usina), ANP (mistura de biodiesel), Abiove (biodiesel por matéria-prima), Abiove (produção e entrega de biodiesel), BNDES, Canal Rural (Giro do Boi) e Campo em Pauta (planos de governo e B16).

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