Abiove projeta esmagamento recorde de 66 milhões de t em 2027; Centro-Oeste pode moer 42,4% da própria soja
Indústria eleva a 63,6 milhões de toneladas a conta de 2026 e espera o B16 em março. Nas contas do Campo em Pauta, as fábricas de MT, MS, GO e DF somam 37,1 milhões de toneladas por ano de capacidade, e a Conab projeta 5 milhões de toneladas a mais de exportação e 2,2 milhões a menos de moagem do que a entidade.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) divulgou nesta quinta-feira (22) a primeira projeção para o complexo soja em 2027: a indústria deve processar 66 milhões de toneladas do grão, 3,8% a mais do que os 63,6 milhões de toneladas previstos para 2026, que seriam o recorde atual. A estimativa para este ano subiu 0,2% em relação à conta de setembro, de 63,5 milhões, e a produção de soja considerada é a da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 180,4 milhões de toneladas na safra que acaba de ser colhida e 181,6 milhões na que está sendo plantada.
Com mais soja moída, a produção de farelo deve ir de 48,95 milhões de toneladas em 2026 para 50,8 milhões em 2027, e a de óleo, de 12,8 milhões para 13,27 milhões de toneladas, os dois volumes recordes. A exportação de farelo subiria de 25,3 milhões para 26,3 milhões de toneladas, e o consumo interno, para 23,1 milhões, alta de 7,4%. No óleo, a indústria espera embarcar 1,9 milhão de toneladas e vender 11,5 milhões no mercado doméstico, 4,5% a mais. Já a exportação do grão deve cair de 113,9 milhões de toneladas em 2026 (1% abaixo da conta anterior) para 113 milhões em 2027, com importação de 900 mil toneladas para completar o abastecimento das fábricas.
Pelas contas do Campo em Pauta sobre os números da Abiove, a indústria passa a absorver 36,3% da safra brasileira em 2027, contra 35,3% em 2026. O estoque final de soja em grão deve subir de 7,67 milhões para 8,19 milhões de toneladas, 6,8% a mais.
“O forte ritmo de esmagamento reflete a resposta ágil da nossa indústria à crescente demanda nacional por farelo, essencial para a produção de alimentos, e por óleo, fundamental para a fabricação de biocombustíveis e para as exportações”, afirmou em nota Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, citado pelo Canal Rural, pela CNN Brasil e pelo AgFeed. Segundo ele, a alta do processamento “nos prepara estrategicamente para continuar suprindo o país diante da expectativa do aumento da mistura obrigatória de biodiesel para B16, prevista para março”.
Os dados mensais confirmam o ritmo. Em agosto, as fábricas processaram 5,03 milhões de toneladas, 1,8% menos do que em julho, mas 9% mais do que em agosto de 2025, com ajuste pela amostra. De janeiro a agosto, o esmagamento somou 38,67 milhões de toneladas, alta de 8,4% sobre o mesmo período do ano passado.
Centro-Oeste tem 42,9% da capacidade
A demanda da indústria chega ao produtor do Centro-Oeste pelas fábricas instaladas na região. A Pesquisa de Capacidade Instalada da Abiove, divulgada em 6 de outubro e detalhada pela Agência iNFRA, mostra que o Centro-Oeste passou de 102.705 para 112.288 toneladas por dia de capacidade de processamento entre 2025 e 2026, alta de 9,3%, e responde por 42,9% do total nacional. Mato Grosso lidera entre os estados, com 56.559 toneladas por dia, 21,6% do país. A capacidade brasileira chegou a 261.868 toneladas por dia, ou 86,4 milhões de toneladas por ano, 13,1% mais do que em 2025, com 148 plantas ativas, 17 a mais do que no ano passado.
Como a Abiove converte a capacidade diária em anual a 330 dias de operação, as fábricas de Mato Grosso podem moer 18,7 milhões de toneladas por ano, e as de Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, cujos números por estado a Abiove só divulga em seu painel interativo, somam 55.729 toneladas por dia, ou 18,4 milhões de toneladas anuais. O conjunto da região chega a 37,1 milhões de toneladas por ano, pelas contas do Campo em Pauta.
Esse volume equivale a 42,4% dos 87,5 milhões de toneladas de soja que a Conab espera colher em MT, MS, GO e DF na safra 2026/27, no primeiro levantamento, divulgado em outubro. O Centro-Oeste produz 48,2% da soja brasileira, com 50,9 milhões de toneladas em Mato Grosso, 20,3 milhões em Goiás, 15,9 milhões em Mato Grosso do Sul e 367 mil no Distrito Federal. Em Mato Grosso, a capacidade instalada cobre 36,7% da colheita prevista. Para o produtor, cada tonelada moída na região é uma tonelada que não precisa pagar o frete até o porto, o que ajuda a sustentar o preço no interior quando a exportação enfraquece.
A Abiove também mapeou R$ 7,65 bilhões em projetos de ampliação e novas unidades, capazes de acrescentar 22.550 toneladas por dia, ou 7,4 milhões de toneladas por ano, no prazo de 12 meses. Com os 63,6 milhões de toneladas previstos para 2026, a indústria usa 73,6% da capacidade de 86,4 milhões; com 66 milhões em 2027, iria a 76,4%, ou a 70,4% se todos os projetos anunciados entrarem em operação.
Conab vê mais exportação e menos moagem
O quadro de oferta e demanda da Conab para a soja em 2026/27, no mesmo levantamento de outubro, diverge da indústria. A estatal projeta processamento de 63,76 milhões de toneladas, 2,2 milhões abaixo da Abiove, e exportação de 117,97 milhões de toneladas de grão, 5 milhões acima dos 113 milhões da entidade, pelas contas do Campo em Pauta. Para o farelo, a Conab prevê 22,08 milhões de toneladas vendidas no mercado interno e 27,1 milhões exportadas; para o óleo, 11,63 milhões de toneladas de consumo doméstico. A diferença entre as duas contas decide o tamanho do mercado interno para o grão do Centro-Oeste.
O prêmio da indústria interessa porque a cotação da safra nova no interior perdeu terreno nas últimas semanas, como mostrou o Campo em Pauta ao registrar a queda do preço para março em Mato Grosso e a alta na contramão em Mato Grosso do Sul, onde a demanda local sustentou os negócios. Na quarta-feira (21), o Campo em Pauta também mostrou o custo de produção em alta em Mato Grosso e o ponto de equilíbrio da saca acima do preço projetado para a colheita. Para a Abiove, o consumo interno de farelo e óleo, puxado pela ração e pelo biodiesel, é o que dá ao esmagamento um crescimento acima do da safra: 3,8% contra 0,7%.
Com informações de Canal Rural (Abiove), CNN Brasil (Abiove), AgFeed (Abiove), Agência iNFRA (Pesquisa de Capacidade Instalada 2026 da Abiove), Abiove (Estatísticas, capacidade instalada) e Conab (1º levantamento da safra 2026/27, planilha por produto, abas Soja e Suprimento - Soja).



