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Empate nas pesquisas derruba Ibovespa 1,15% e põe dólar a R$ 5,04; câmbio da semana tira R$ 2,30 da saca de soja

Bolsa perde 4,2 mil pontos em dois dias, juro longo sobe e IPCA-15 de outubro fica em 0,32%, abaixo do esperado, mas com alimento em alta de 0,88% e diesel 3,70% mais caro. Pelas contas do Campo em Pauta, o câmbio da semana cortou R$ 1,38 da saca de soja em Paranaguá e R$ 20,95 da tonelada de ureia.

Por Redação Campo em Pauta ·

Fachada de pedra com três portões em arco de ferro trabalhado e o nome Bovespa em letras douradas sobre as grades, em rua de calçada de pedras portuguesas
Fachada do prédio da Bovespa, hoje B3, no centro de São Paulo, em 2017. Foto: Wilfredor (CC BY-SA 4.0)

O mercado chegou ao último pregão antes do 2º turno com o pé atrás. Na quinta-feira (22), o Ibovespa caiu 1,15%, para 204.120,12 pontos, segunda queda seguida, pressionado pela aversão ao risco no exterior e pelas pesquisas que mostram Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em empate técnico. Pelas contas do Campo em Pauta com os fechamentos citados pela CNN Brasil e pela Suno, o índice perdeu 4.166 pontos (2%) desde a terça-feira (20) e está 2,37% abaixo dos 209.066,90 pontos de 9 de outubro, quando acumulava alta de 29,75% no ano, segundo o Canal Rural. O dólar à vista subiu 0,23%, para R$ 5,0394, segundo o Canal Rural; a Ptax do Banco Central, referência dos contratos do agro, fechou em R$ 5,0383, alta de 0,21% sobre a quarta-feira (21).

O gatilho foi a Quaest, divulgada na quarta com 45% para Flávio e 44% para Lula, como mostrou o Campo em Pauta. Na quarta, o Ibovespa já havia caído 0,86%, para 206.495,23 pontos. Na noite de quinta, o Datafolha mostrou os dois com 50% dos votos válidos, ante 51% a 49% na semana anterior, em pesquisa com 2.520 entrevistas de 20 a 22 de outubro (registro BR-09709/2026, margem de 2 pontos). Nesta sexta-feira (23), a Real Time Big Data deu 52% a 48% para o senador (BR-09670/2026), e a Vox Radar, 50,6% a 49,4% para o presidente (BR-03259/2026), todas dentro da margem de erro. O último debate é nesta sexta, na TV Globo, e a votação, no domingo (25), das 8h às 17h.

“Temos uma tensão eleitoral pré segundo turno com os candidatos muito próximos nas pesquisas e uma aversão ao risco vindo do mercado internacional que contamina a bolsa brasileira”, disse à CNN Brasil o sócio da GT Capital Josias Bento. Lá fora, o Nasdaq caiu 2,58%, maior queda diária desde junho, com dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial, e o petróleo Brent subiu 4%, para US$ 113,17, maior nível desde maio, com ataques a petroleiros perto do Estreito de Ormuz. Para o economista-chefe do grupo CPVAR, Marcelo Fonseca, o movimento do câmbio foi “predominantemente externo”, e o mercado “ainda opera com percepção de favoritismo de Flávio, apesar do empate técnico”, disse ao Canal Rural.

O dólar na semana e no mês

Apesar da alta de dois dias, o dólar segue abaixo de onde estava antes do 1º turno. Pela série da Ptax consultada pelo Campo em Pauta, a moeda caiu 4,55% no pregão seguinte à votação de 4 de outubro, de R$ 5,2238 para R$ 4,9859, e desde então subiu 1,05%. Na semana, a Ptax de quinta está 0,87% abaixo da sexta-feira (16), de R$ 5,0826; no mês, 2,75% abaixo dos R$ 5,1809 de 30 de setembro. Os juros futuros subiram em toda a curva: o contrato de DI para janeiro de 2028 avançou 11 pontos-base, para 12,88%, segundo a CNN. Na manhã desta sexta, mesmo com a inflação abaixo do esperado, o DI para janeiro de 2029 subia de 12,664% para 12,690%, e o de 2031, para 12,695%, segundo o Canal Rural. A Selic está em 13,75% ao ano.

Para quem vende soja, o câmbio mais baixo é preço menor na porteira. Pelas contas do Campo em Pauta, com o contrato de novembro em Chicago (US$ 12,53 por bushel na quinta, pelos dados da CME Group compilados pelo Notícias Agrícolas) e o prêmio de US$ 1,55 por bushel pago em Paranaguá (PR) para o mês, a saca de 60 quilos no porto valia R$ 156,39 na quinta, contra R$ 158,69 na sexta-feira (16), com o fechamento de US$ 12,6125 e o mesmo prêmio. São R$ 2,30 a menos por saca (1,45%): R$ 1,38 vieram do dólar e R$ 0,92, de Chicago. Só o recuo do câmbio em outubro, de R$ 5,1809 para R$ 5,0383, vale R$ 4,43 por saca. O indicador Cepea/Esalq em Paranaguá caiu 1,6% na semana até quarta, para R$ 152,13.

Na compra do adubo, o sinal é o contrário. A ureia granulada referência no Brasil, a US$ 473 por tonelada com frete, segundo a Nobel Trading, como mostrou o Campo em Pauta, custava R$ 2.383,12 na quinta, R$ 20,95 a menos que ao câmbio da sexta anterior e R$ 67,45 a menos que no fim de setembro. Para o produtor de Mato Grosso que compra agora o adubo do milho safrinha de 2027 e vai vender a soja a partir de janeiro, o dólar de hoje barateia o insumo, mas o que importa para a receita é o câmbio da entrega, que o mercado passa a precificar a partir da apuração de domingo.

IPCA-15: alimento sobe, luz cai

O IPCA-15 de outubro, prévia da inflação divulgada nesta sexta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu 0,32%, abaixo dos 0,70% de setembro e da projeção de 0,43% apurada pela Safras & Mercado. No ano, o índice acumula 4,15%, e em 12 meses, 4,62%, acima dos 4,47% dos 12 meses anteriores. A desaceleração veio da energia elétrica, que caiu 0,89% com a volta da bandeira verde, e derrubou o grupo habitação a -0,10%.

A comida foi na direção oposta. Alimentação e bebidas subiu 0,88%, o maior impacto do mês (0,19 ponto), e a alimentação no domicílio acelerou de 0,38% para 1,01%, puxada por tomate (24,54%), cebola (13,63%), batata-inglesa (10,96%) e arroz (5,80%), pelos dados do IBGE no Sidra. O óleo de soja subiu 2,78%, as carnes, 0,48%, e o frango inteiro ficou estável (0,03%); o leite longa vida caiu 0,60%, e o café moído, 1,16%. Em transportes, que subiram só 0,05% por causa da queda de 9,24% das passagens aéreas, os combustíveis aceleraram de 0,22% para 1,20%: o diesel subiu 3,70%, o etanol, 2,73%, e a gasolina, 0,92%. O diesel mais caro chega à colheita e ao frete da soja que o Centro-Oeste começa a plantar.

Na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, o eleitor rural terá transporte para votar. O Tribunal Regional Eleitoral de MS, pela 17ª Zona Eleitoral, montou 32 rotas gratuitas para o domingo: 19 em Bela Vista, passando por fazendas, retiros, colônias rurais e a aldeia Pirakuá, e 13 em Caracol, cobrindo os assentamentos Santa Marina, Caracol e Neri Ramos Volpato, segundo o Campo Grande News. Os veículos, cedidos pelas prefeituras, passam por inspeção no sábado (24); é proibida cobrança de passagem ou propaganda a bordo.

Para o produtor, a semana termina com um dado a favor e outro contra. A inflação menor reforça a aposta do mercado em cortes da Selic em 2027, mas o juro longo que subiu nesta sexta é o que baliza o custo do crédito a taxas livres, que já chega a 15% a 19% ao ano, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). O câmbio decide o resto na segunda-feira (26), no primeiro pregão depois das urnas.

Com informações de Banco Central - SGS série 1 (Ptax venda), IBGE - Sidra, tabela 7062 (IPCA-15), CNN Brasil, Suno Notícias, Canal Rural, Safras & Mercado, Notícias Agrícolas - Soja Chicago (CME Group), Notícias Agrícolas - Prêmio soja Paranaguá, Notícias Agrícolas - Indicador Cepea/Esalq Paranaguá, CNN Brasil (Datafolha), CNN Brasil (Real Time), CNN Brasil (Vox), Campo Grande News e Canal Rural (fechamento de 9/10).

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