Anea eleva em 5,9% a safra de algodão 2026/27, a 4,267 milhões de t; embarque diário de outubro sobe 7,5%
Exportadores projetam estoque de 3,15 milhões de toneladas em dezembro de 2027, 13% acima da conta de agosto. A tonelada embarcada sai a US$ 1.740, o maior preço desde o fim de 2024.

A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) elevou em 5,9% a previsão para a safra brasileira de 2026/27, de 4,029 milhões para 4,267 milhões de toneladas de pluma, segundo comunicado divulgado na quarta-feira (21). A entidade também revisou para cima, em 2,2%, a safra colhida neste ano, a 2025/26, para 4,271 milhões de toneladas. Com isso, o país teria duas temporadas seguidas acima de 4,2 milhões de toneladas, com a próxima praticamente empatada com a atual. Os números foram debatidos na terça-feira (20) pelo Comitê de Oferta e Demanda da Anea.
“As produtividades vieram bem acima do esperado durante a colheita”, afirmou o presidente da entidade, Dawid Wajs, em nota citada pela Globo Rural. Para 2026/27, segundo ele, a revisão considera a janela favorável de plantio da soja e as indicações dos produtores para o próximo ciclo. Boa parte do algodão é semeada em segunda safra, logo depois da soja, sobretudo em Mato Grosso, onde 51,86% da área de soja estava plantada até 16 de outubro, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A Anea diz acompanhar os riscos climáticos, em especial a possibilidade de um El Niño intenso.
A conta dos exportadores supera a do governo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra 2026/27 em 4,157 milhões de toneladas, 2,6% abaixo da Anea, pelas contas do Campo em Pauta. Pela Conab, Mato Grosso deve colher 2,83 milhões de toneladas de pluma, 68,1% do total, e o Centro-Oeste, 2,96 milhões (71,1%). Mato Grosso do Sul cresce 2,9%, para 69,9 mil toneladas, e Goiás cai 8,8%, para 54,6 mil, com produtividade 11,2% menor. A Bahia, segundo maior produtor, tem 904 mil toneladas previstas.
Exportação precisa acelerar
Apesar da safra maior, a Anea reduziu a previsão de exportação para o segundo semestre de 2026, de 1,604 milhão para 1,578 milhão de toneladas, por causa do atraso da colheita e das dificuldades logísticas nos portos. Com 1,814 milhão de toneladas embarcadas no primeiro semestre, o ano fecharia com 3,392 milhões, 12,1% acima de 2025 (3,026 milhões), pelas contas do Campo em Pauta sobre o Comexstat, sistema de estatísticas de comércio exterior do governo federal. Para 2027, a entidade prevê 3,419 milhões de toneladas.
Para cumprir a previsão, o ritmo precisa subir. De julho a setembro, o Brasil exportou 452,9 mil toneladas de algodão, segundo o Comexstat; faltam 1,125 milhão de toneladas de outubro a dezembro, volume só 2,1% menor que o embarcado no mesmo trimestre de 2025, pelas contas do Campo em Pauta. Em setembro, saíram 191,5 mil toneladas, 7,1% mais que um ano antes, e Mato Grosso respondeu por 49,3% do volume.
Outubro começou acelerado. Até a terceira semana do mês, com 11 dias úteis, o país embarcou 158 mil toneladas, média de 14,4 mil por dia, 7,5% acima de outubro de 2025 e 57% acima da média diária de setembro, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A tonelada saiu em média a US$ 1.740,50, 7,2% mais que um ano antes. Em setembro, o preço médio foi de US$ 1.735,50, o maior desde dezembro de 2024 e 14,6% acima do piso do ano, em abril (US$ 1.514), pelas contas do Campo em Pauta.
Wajs disse à agência Reuters, em texto publicado pela CNN Brasil, que o setor viu “crescimento muito relevante” no terceiro trimestre nos embarques a países como Índia, Bangladesh, Turquia e Vietnã. “A gente acredita que ainda o Brasil deve bater recorde de exportação no combinado de segundo semestre do ano 2026 com o primeiro semestre do ano 2027, porque temos safra consideravelmente grande e esse algodão tem que sair”, afirmou.
Estoque maior pesa no preço
A safra maior engorda os estoques. A Anea elevou a previsão de estoque de passagem em dezembro de 2026 de 2,914 milhões para 3,038 milhões de toneladas, alta de 4,3%, e a de dezembro de 2027 de 2,780 milhões para 3,149 milhões, alta de 13,3%. O consumo da indústria brasileira foi mantido em 745 mil toneladas em 2026 e 753 mil em 2027. Pelas contas do Campo em Pauta, o estoque previsto para o fim de 2027 equivale a 92% de tudo o que o país deve exportar naquele ano.
O mercado externo oscila. Na bolsa de Nova York, o contrato de dezembro subiu 1,2% na quarta, para 81,83 centavos de dólar por libra-peso, e devolveu 1,27% na quinta-feira (22), fechando a 80,79 centavos, ainda 1% acima da sexta-feira (16), pelas cotações publicadas pelo Notícias Agrícolas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq da pluma fechou a quarta a R$ 4,0714 por libra-peso, queda de 2,45% em outubro. Segundo o Cepea, a liquidez é baixa porque os agentes priorizam o cumprimento de contratos a termo, compradores e vendedores divergem sobre preços, e as incertezas do cenário político levam parte do mercado a esperar.
Em Mato Grosso, a pluma disponível valia R$ 127,24 por arroba na quinta, segundo o Imea. A paridade de exportação para julho de 2027 subiu 2,4% na quarta, para R$ 147, quase R$ 20 acima da pluma disponível naquele dia (R$ 127,33). Ao contrário do que ocorre na soja, o mercado paga mais pelo algodão da safra futura do que pelo disponível. Até setembro, os cotonicultores do estado tinham vendido 43,38% da pluma 2026/27, como mostrou o Campo em Pauta.
No boletim semanal de segunda-feira (19), o Imea lembrou que o preço mínimo para cobrir o custo operacional da safra 2026/27 é o maior desde 2022/23 e avaliou que “o controle das despesas e a adoção de estratégias de comercialização serão fundamentais para preservar as margens da atividade”.
Com informações de Globo Rural (Anea), CNN Brasil (Reuters, Anea), Conab (1º levantamento da safra 2026/27, planilha por produto), Comexstat (MDIC, exportações 2026, NCM 5201), Comexstat (MDIC, exportações 2025, NCM 5201), Comexstat (MDIC, exportações 2024, NCM 5201), Secex (balança comercial semanal por produto, até a 3ª semana de outubro), Imea (Boletim Semanal do Algodão nº 844), Imea (indicadores do algodão), Notícias Agrícolas (indicador Cepea do algodão), Imea (Boletim Semanal da Soja nº 919), Notícias Agrícolas (algodão em Nova York), Safras & Mercado, Cepea/Esalq (indicador do algodão) e Mais Soja (Cepea).



