TSE nega pedido do Novo contra shows pró-Lula; semana final tem debate na Globo e 4.352 seções com novo local
Corregedor viu provas insuficientes de showmício. No Norte e Centro-Oeste, a CNT/MDA dá 65% a Flávio e 29% a Lula; propaganda na TV acaba na sexta-feira (23).

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que formalizou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno, entra na última semana da campanha com a disputa empatada nas pesquisas nacionais e com a Justiça Eleitoral no centro do embate. No sábado (17), o Partido Novo acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra os atos musicais “pela democracia” marcados para este domingo (18) em cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Florianópolis e Curitiba, com artistas que apoiam o presidente Lula (PT). No mesmo dia, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, negou o pedido.
O Novo pediu a suspensão preventiva dos shows e que os organizadores entregassem documentos sobre a organização e o financiamento dos eventos. O partido sustenta que os atos funcionam, na prática, como showmícios a favor da reeleição de Lula. A Lei 9.504, de 1997, proíbe “a realização de showmício e de evento assemelhado para promoção de candidatos, bem como a apresentação, remunerada ou não, de artistas com a finalidade de animar comício e reunião eleitoral”. O coletivo 342 Artes, que organiza os atos com a Mídia Ninja, afirma que a legislação não proíbe artistas de expressarem suas opiniões políticas.
Segundo a Gazeta do Povo, que cita o jornal O Globo, Cueva considerou que não foram apresentados elementos suficientes para mostrar que os atos integravam a programação oficial da campanha petista. Para o ministro, a coincidência com o calendário eleitoral e a afinidade política dos organizadores com uma candidatura não bastam para provar vínculo jurídico, financeiro ou organizacional. Ele também negou a exigência de documentos financeiros e afirmou que suspender os eventos sem prova de irregularidade seria uma restrição desproporcional às liberdades de expressão e de reunião.
O corregedor ressalvou que a decisão não reconhece de antemão a regularidade dos atos: pedidos explícitos de voto nos shows, uso irregular de recursos e outras condutas de propaganda ilícita ainda podem ser julgados.
Foi a segunda tentativa de barrar os shows. Na sexta-feira (16), o ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, extinguiu sem julgar o mérito uma representação de Leonardo Aragão, político do Rio filiado ao Mobiliza, contra o ato de Copacabana, convocado por Caetano Veloso, por falta de legitimidade para ação ligada à disputa presidencial. O caso foi enviado à Procuradoria-Geral Eleitoral.
Paulista, debate e prazos
Neste domingo, Flávio reuniu cerca de 76.200 pessoas na avenida Paulista, em São Paulo, pela estimativa do Poder360 com fotos aéreas, o maior público em ato bolsonarista no local desde fevereiro de 2024; o Monitor do Debate Político da USP calculou 71.900. Apoiadores de Lula fizeram atos com o lema “Bora Virar” em várias capitais e em estados como Goiás, segundo a Folha de S.Paulo, citada pela Gazeta do Povo.
À noite, a Band promoveu o primeiro debate entre os dois candidatos no 2º turno. Segundo o portal Perfil, o confronto teve mais acusações do que propostas, com trocas sobre investigações que envolvem pessoas próximas aos dois candidatos, segurança pública e salário mínimo. O último debate está previsto para a sexta-feira (23), na TV Globo, dois dias antes da votação.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV vai até a antevéspera da eleição, também na sexta-feira, como determina a Lei 9.504. A partir de terça-feira (20), nenhum eleitor pode ser preso ou detido, salvo em flagrante delito, por sentença condenatória por crime inafiançável ou por desrespeito a salvo-conduto, regra do Código Eleitoral que vale até 48 horas depois do encerramento da votação. Caminhadas, carreatas, carros de som e distribuição de material gráfico ficam liberados até as 22h do sábado (24).
O TSE mudou o local de votação de 4.352 seções para o 2º turno, 0,87% do total, segundo balanço divulgado no sábado pela Agência Brasil, sobretudo em São Paulo (982), Minas Gerais (514), Rio de Janeiro (431) e Bahia (312), por reformas, acessibilidade e danos de chuvas e ventos. O balanço não detalha Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás; a seção pode ser conferida no aplicativo e-Título. A votação do domingo (25) é só para presidente, exceto no Distrito Federal e em cinco estados, que também escolhem governador.
Centro-Oeste dá vantagem larga a Flávio
As pesquisas nacionais divulgadas na sexta-feira (16) mantêm o empate técnico, mas os relatórios dos institutos mostram vantagem ampla de Flávio na região. A CNT/MDA, que agrupa Norte e Centro-Oeste, dá 65% ao senador e 29% a Lula nesse recorte, com margem de erro de 5,6 pontos. No país, o placar é de 46,8% a 45,9% e, nos votos válidos, de 50,5% a 49,5%. Na rodada anterior, de 30 de setembro a 2 de outubro, Lula liderava os válidos por 52,3% a 47,7%. A pesquisa ouviu 2.014 eleitores de 13 a 15 de outubro e está registrada no TSE como BR-00652/2026.
Na Futura, que separa o Centro-Oeste, Flávio tem 59,4%, contra 35,9% de Lula, e o petista é rejeitado por 54,8% dos eleitores da região, ante 34,8% do senador. No PoderData/Aya, o placar no Centro-Oeste é de 54% a 38%. Os recortes regionais têm amostras pequenas: pelas contas do Campo em Pauta, o Centro-Oeste respondeu por cerca de 150 das 2.000 entrevistas da Futura, o que torna a margem de erro bem maior que a nacional.
Para a bancada do agro, o que está em jogo vai além do placar. Ao formalizar o apoio, em 6 de outubro, o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), citou juros na casa de 20% ao ano, criticou a condução da Medida Provisória 1.376/2026, de repactuação de dívidas rurais, e disse que a frente vai retomar a discussão sobre renegociação, segundo o Canal Rural. Flávio se comprometeu com previsibilidade no crédito, seguro agrícola, armazenagem e menor dependência de fertilizantes importados, e afirmou que a FPA poderá indicar nomes para o Ministério da Agricultura.
Segundo o Broadcast Agro, reproduzido pela Brasilagro, Lupion é o favorito da bancada para a pasta caso Flávio vença. Também circulam os nomes do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), do empresário de sementes Odílio Balbinotti, primeiro suplente eleito ao Senado por Mato Grosso, e do secretário de Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho.
Com informações de Canal Rural, Gazeta do Povo, Imirante, Perfil Brasil, Planalto (Lei 9.504/1997), Planalto (Código Eleitoral), Poder360, Poder360/Agência Brasil, Jornal do Comércio, CNT, CNT/MDA (relatório da 172ª rodada), Futura Inteligência (relatório), PoderData (relatório) e Brasilagro/Broadcast Agro.



