Tereza Cristina mantém disputa pelo Senado mesmo com PP e União fechados com Alcolumbre; vitória exige 41 votos
Senadora de MS e vice-presidente da FPA negocia com Rogério Marinho uma candidatura única da oposição. O PL, que terá a maior bancada da Casa, com 28 cadeiras, decide na quarta-feira (4) se oficializa o nome dele.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e ex-ministra da Agricultura, mantém a intenção de disputar a presidência do Senado em fevereiro de 2027, mesmo depois que a federação União Progressista, formada pelo seu partido e pelo União Brasil, anunciou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP). Ela e o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), negociam uma candidatura única contra o atual presidente e avaliam qual dos dois reuniria mais votos, segundo o jornal Valor Econômico e o InfoMoney nesta quinta-feira (29).
Em nota divulgada na terça-feira (27), horas depois do anúncio da federação, Tereza lembrou que a eleição só será decidida em fevereiro, pelo “voto livre, soberano e secreto de cada um dos 81 senadores”. “Observamos que os 54 novos senadores eleitos e reeleitos sequer foram diplomados e têm todo o direito de expressar, no momento apropriado, sua vontade e, naturalmente, a dos eleitores que representam”, escreveu a senadora, que é líder do PP na Casa.
A nota da federação, assinada pelos presidentes do União, Antonio Rueda, e do PP, senador Ciro Nogueira (PI), diz que a permanência de Alcolumbre “contribui para a estabilidade institucional e o equilíbrio político”. Os dois partidos apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também disse, em reunião com Alcolumbre e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na segunda-feira (26), que o PT apoiará a recondução dos dois, segundo o Estadão, citado pelo Midiamax.
A conta dos 41 votos
A eleição é secreta e exige maioria absoluta, de 41 votos se todos os 81 senadores votarem. O PL chega à próxima legislatura com a maior bancada do Senado, de 28 integrantes, segundo a projeção feita pela Agência Senado depois do 1º turno: são 9 senadores com mandato até 2031 e 19 eleitos em 4 de outubro, 16 a mais do que a bancada do partido em 2023, segundo o Poder360. PT terá 9 cadeiras, MDB 8 e PP 6. Mesmo com o PL inteiro, a oposição precisaria buscar ao menos 13 votos fora do partido.
O precedente pesa nas contas. Em 2023, Marinho perdeu para Rodrigo Pacheco (PSD-MG) por 49 votos a 32, e o PL ficou dois anos sem espaço na Mesa Diretora e sem comandar comissões. Por isso, parte dos senadores do partido defende que ele só se lance com perspectiva concreta de vitória; do contrário, a saída seria negociar apoio a Alcolumbre em troca de cargos no comando da Casa, segundo o Valor. Aliados do atual presidente dizem que ele já reúne votos suficientes, inclusive com apoio reservado dentro do PL, informa o InfoMoney.
Marinho é o nome preferencial do PL, e Tereza aparece como alternativa capaz de atrair senadores de centro. Uma das possibilidades em discussão é que, se Marinho for o candidato, a senadora sul-mato-grossense presida a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, convocou reunião para a quarta-feira (4) para discutir a oficialização. “A candidatura precisará ainda passar pelo crivo do partido em uma reunião na quarta-feira”, disse Marinho. Na carta divulgada de Miami na quarta-feira (28), Flávio Bolsonaro chamou Marinho de “meu candidato à presidência do Senado”.
O agro na disputa
Na primeira reunião da bancada do agro depois da eleição, na terça-feira (27), o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), disse que a frente ainda não discutiu apoio e só deve fazê-lo perto do fim do ano. “A senadora Tereza tem demonstrado interesse em ser presidente do Senado, o senador Rogério Marinho tem esse interesse também, o senador Davi Alcolumbre tem interesse em continuar. Todos, direta ou indiretamente, têm uma certa ligação conosco”, afirmou, segundo o Estadão. “Tereza é vice-presidente da frente e está sempre jogando conosco.” A bancada manterá a regra de apoiar só candidatos que se comprometam com as pautas do setor.
A decisão da cúpula da federação não garante os votos. O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) anunciou que não seguirá a orientação e citou a resistência de Alcolumbre em dar andamento aos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o InfoMoney. Em Mato Grosso do Sul, o deputado federal Luiz Ovando (PP-MS), vice-presidente do diretório estadual comandado por Tereza, também rompeu com o acordo. “Defendo Tereza Cristina para presidir o Senado: ficha limpa, sem rabo preso e independente para enfrentar os excessos das decisões monocráticas do STF e restaurar freios e contrapesos”, disse ao Midiamax.
Alcolumbre, por sua vez, tenta ampliar o apoio à direita. Em conversas com senadores eleitos, inclusive do PL, tem defendido alguma modalidade de indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar depois de condenado por tentativa de golpe, como parte de uma “pacificação” depois da eleição, segundo o Valor. Ele preside o Senado desde fevereiro de 2025, quando foi eleito com 73 votos, e já havia comandado a Casa entre 2019 e 2021.
O resultado vai definir o ritmo das pautas do 4º mandato de Lula no Congresso, das indicações para tribunais e da relação entre o Legislativo e o STF, incluindo os pedidos de impeachment de ministros que a oposição quer ver votados. A eleição está marcada para 1º de fevereiro. “Como líder veterana, estarei aqui para receber meus colegas, especialmente as 12 novas integrantes da bancada feminina. Quero ouvir todos, como sempre fiz, pois o diálogo no Parlamento é tudo”, escreveu Tereza.
Com informações de Canal Rural, Times Brasil/CNBC (Estadão Conteúdo), Midiamax, Midiamax (Luiz Ovando), InfoMoney, Brasil 247 (Valor Econômico), Revista Oeste, Agência Senado, Poder360, ND Mais e Congresso em Foco (íntegra da carta de Flávio).





