Tereza Cristina diz que direita vai fiscalizar o 4º mandato de Lula e pede união na disputa pelo Senado
Em nota, a senadora de MS reconhece o resultado e cobra “serenidade” da oposição. Ela é a única em campanha aberta pelo comando do Senado, e Azambuja e Contar, eleitos pelo PL no estado, acenam com apoio, mas sem garantia.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), reconheceu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e avisou que a oposição vai fiscalizar o 4º mandato. Em nota divulgada no fim do dia na quarta-feira (28), a líder do PP no Senado pediu que a direita junte forças. “Seguiremos trabalhando e fiscalizando as ações do governo. É hora de a direita unir esforços, defender os interesses de milhões de brasileiros e manter o compromisso com o futuro do nosso país”, escreveu, segundo o Campo Grande News.
Na mesma nota, Tereza disse que o momento exige “serenidade” e respeito ao resultado das urnas. “A eleição acabou, e agora é hora de olhar para a frente e cuidar do Brasil que queremos construir”, afirmou. Lula venceu o 2º turno, no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL), que tinha terminado o 1º turno na frente.
A manifestação saiu horas depois da carta divulgada por Flávio em Miami, na qual o senador diz ter visto “uma fraude eleitoral” e contesta a prorrogação da votação até as 19h determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheceu o resultado. O PL, partido de Flávio, e o deputado Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice na chapa, também admitiram publicamente a vitória de Lula, segundo o Campo Grande News.
Não foi a primeira fala da senadora depois da apuração. Na segunda-feira (26), ela disse ao Jornal Midiamax que a campanha de Flávio foi “belíssima” e que os eleitores dele não podem desanimar. “Vocês venceram ao escolher a maioria dos governadores de direita e também uma forte bancada de direita na Câmara e no Senado”, afirmou. “Nós estaremos lá para fiscalizar esse governo e lutar pelo país que queremos, com prosperidade e segurança.”
A corrida pelo comando do Senado
O pedido de união tem endereço: a eleição para a presidência do Senado, em fevereiro de 2027. Dos três nomes colocados, Tereza é a única em campanha aberta, segundo análise publicada pelo Campo Grande News nesta sexta-feira (30). O atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), aparece como favorito e tem apoio do Palácio do Planalto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), indicado por Flávio na carta de Miami como “meu candidato à presidência do Senado”, corre por fora.
A barreira principal é o próprio PL, dono da maior bancada da próxima legislatura. “O PL é o maior partido do Senado. Por que abriria mão de disputar a presidência para apoiar a Tereza Cristina?”, questiona o cientista político Daniel Miranda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ao jornal. Para ele, pesa também o fato de a senadora estar numa federação, a União Progressista, que já anunciou apoio a Alcolumbre e que, em sua avaliação, pode fechar com qualquer lado “dependendo de quanto acham que vão ganhar em termos de cargo, poder e influência”.
Miranda vê, por outro lado, espaço para a senadora entre os bolsonaristas recém-eleitos, que ainda não mostraram capacidade de votar em bloco. “Não duvido que eles até se dividam no apoio à Tereza Cristina”, disse. Segundo o Campo Grande News, Tereza e Marinho fizeram um acordo de bastidor ainda na campanha para que um apoie o outro contra Alcolumbre; quem desiste depende da contagem de votos. Depois da eleição, Marinho reconheceu a vitória de Lula e negou ter motivos para acreditar em fraude.
A pauta que mais aproxima a senadora da base bolsonarista é o conflito com o Judiciário, que voltou a crescer depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou apreender os passaportes de Flávio. O impeachment de Moraes e a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro entraram nas conversas sobre a sucessão no Senado, e Alcolumbre é acusado por parte da oposição de ter travado os pedidos de impeachment de ministros do STF, segundo a análise do jornal.
O peso de Mato Grosso do Sul
Em casa, Tereza pode contar com os dois senadores eleitos pelo PL em Mato Grosso do Sul, o ex-governador Reinaldo Azambuja e Renan Contar, que acenam com apoio em nome da unidade do grupo que governa o estado, mas sem garantias, de acordo com o Campo Grande News. O jornal registra ainda que a senadora perdeu força com a derrota de Flávio e com o fim da articulação que levaria Azambuja ao Ministério da Agricultura num eventual governo do PL.
O deputado federal Geraldo Resende (União-MS), que deixa a Câmara depois de seis mandatos, avalia que as chances da senadora diminuíram com a reeleição de Lula. “Se eu tivesse que apostar, nesse momento colocaria minhas fichas no Davi Alcolumbre”, disse. Para ele, o apoio do grupo de Azambuja e do governador Eduardo Riedel “é pequeno diante das outras forças que hoje estão gravitando em torno” do atual presidente.
Tereza aposta no tempo e no voto secreto. Ela tem sondado os senadores que ainda não se posicionaram e conta com a bancada feminina: entre os 54 eleitos e reeleitos em 4 de outubro há 12 mulheres, segundo o Campo Grande News, e a senadora quer ser a primeira a presidir a Casa. Ao Midiamax, ela resumiu o tom que pretende dar à oposição: “Vamos seguir em frente, de cabeça erguida”.
Com informações de Campo Grande News, Jornal Midiamax e Times Brasil.





