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Sicredi fecha 71% dos contratos da MP das dívidas até setembro e amplia crédito rural em 4,3%

Cooperativa liberou R$ 22,4 bilhões no 1º trimestre da safra, enquanto o crédito rural do país caiu 26%, segundo o Mapa. Em MT, MS e GO, só 130 dívidas tinham sido renegociadas pela MP 1.376 até setembro, e a medida caduca em oito dias.

Por Redação Campo em Pauta ·

Prédio de dois andares com telhado de telhas vermelhas e fachada branca e verde, com o logotipo do Sicredi, escadaria na entrada e palmeiras à esquerda, sob céu nublado
Agência do Sicredi em Tangará da Serra (MT), em 2012. Foto: Gelso Júnior (CC BY 3.0)

O Sicredi liberou R$ 22,4 bilhões em crédito rural de julho a setembro, os três primeiros meses da safra 2026/27, 4,3% mais que os R$ 21,5 bilhões do mesmo período do ciclo anterior, segundo números da instituição publicados pela Coluna do Broadcast Agro, do Estadão, na segunda-feira (2), e pela CNN Brasil nesta terça-feira (3). O resultado vai na direção contrária à do mercado: pelos dados do Ministério da Agricultura citados pela cooperativa, as operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização somaram R$ 84 bilhões no país no trimestre, 26% menos que os R$ 113,4 bilhões de um ano antes.

O crescimento veio do investimento, que avançou 53,3%, de R$ 3,5 bilhões para R$ 5,4 bilhões, e, segundo o Sicredi, parte desse desempenho está ligada às operações da Medida Provisória 1.376, que abriu linhas para renegociar dívidas rurais. A comercialização subiu 60,5%, para R$ 987 milhões, e a industrialização, 130,8%, para R$ 168 milhões. O custeio, principal finalidade, caiu 3,4%, para R$ 10 bilhões.

Só em setembro, a cooperativa liberou R$ 8,9 bilhões, 23,6% mais que um ano antes. O investimento passou de R$ 1,6 bilhão para R$ 3,5 bilhões no mês, alta de 123,9%. O Pronamp, do médio produtor, somou R$ 2,7 bilhões (+45,1%), e o Pronaf, R$ 2,2 bilhões (+41,3%). Desde setembro, o Sicredi diz ter feito mais de 14 mil renegociações pela MP, que somam R$ 3,9 bilhões. “Mais importante do que o crescimento dos números é o desenvolvimento saudável da atividade produtiva e o relacionamento de confiança”, afirmou à CNN Brasil Vitor Moraes, superintendente de Agronegócio do Sicredi.

A renegociação passa pela cooperativa

Nos microdados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, a MP 1.376 tinha 16.663 contratos de composição de dívidas registrados até 30 de setembro, no valor de R$ 5,53 bilhões. Pelas contas do Campo em Pauta, 11.832 deles, 71%, foram registrados pelo Banco Cooperativo Sicredi em nome das cooperativas do sistema, somando R$ 2,99 bilhões, 54,1% do valor. O Banrisul vem em seguida, com 3.702 contratos e R$ 1,8 bilhão (32,5%). O Banco do Brasil tinha 247 contratos e R$ 364,2 milhões, 6,6% do total.

Só em setembro, o sistema Sicredi fechou R$ 2,42 bilhões em composições de dívida pela MP, valor maior que o aumento de R$ 1,9 bilhão no investimento da cooperativa no mês. A cooperativa não informou quanto das renegociações entra na conta das liberações. A operação ficou concentrada no Rio Grande do Sul, onde estão R$ 2,62 bilhões, 87,5% do que o sistema renegociou até setembro.

No Centro-Oeste, a MP mal tinha começado. Até setembro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás somavam 130 contratos e R$ 222,6 milhões. O BB respondia por 54 deles e R$ 125,4 milhões (56,3%), e o Sicredi, por 44 contratos e R$ 55,7 milhões (25%). Em outubro o ritmo acelerou: até a segunda-feira (26), a renegociação somava R$ 14,34 bilhões no país, com o BB à frente (R$ 5,7 bilhões), seguido de Sicredi (R$ 4,1 bilhões) e Banrisul (R$ 2,5 bilhões), segundo levantamento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) com dados do Banco Central, como mostrou o Campo em Pauta.

Agroindústria quer banco próprio

Com os bancos mais seletivos, a agroindústria também procura um lugar no financiamento do produtor. O Grupo Potencial, que produz biodiesel na Lapa (PR) e distribui combustíveis, com bases no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, prepara um banco próprio para começar a operar no segundo semestre de 2027, segundo a Coluna do Broadcast Agro. A ideia é financiar agricultores que forneçam soja à esmagadora do grupo, com capacidade para 1,15 milhão de toneladas por ano. “A moeda de troca é a soja que a gente vai usar para a indústria”, disse o vice-presidente Carlos Eduardo Hammerschmidt.

O pedido de autorização está no Banco Central, e o grupo espera a licença em seis a sete meses. Hoje, um fundo de investimento em direitos creditórios financia as nove empresas da Potencial, que estima faturar até R$ 14 bilhões em 2026 e planeja uma usina de etanol de milho de R$ 1 bilhão, com capacidade para 350 milhões de litros por ano e obra prevista para começar até março de 2027. Na mesma coluna, o Itaú BBA informou ter estruturado R$ 205 milhões em três operações de pecuária com recursos do leilão do Eco Invest Brasil, R$ 70 milhões delas para um projeto de recuperação de pastagens em Mato Grosso.

Oito dias para a MP

A MP 1.376 perde a validade na quarta-feira (11) se não for votada pela comissão mista e pelos plenários da Câmara e do Senado, e as linhas podem ser contratadas nos bancos até a quinta-feira (12). Pela agenda de comissões do Congresso, a comissão mista da MP só se reuniu uma vez, para ser instalada, em 12 de agosto, e até a tarde desta terça não tinha reunião marcada até o dia 11. O relatório do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) foi recebido em 28 de setembro, e a FPA, que considera o texto insuficiente, estuda apresentar voto em separado.

Para a bancada do agro, a exigência de garantias explica parte da baixa adesão: produtores relatam cobrança de entrada de 15% da dívida e pedidos de garantias novas. “As garantias oferecidas nas operações anteriores poderiam ser aproveitadas na renegociação, tanto para dívidas vencidas quanto para aquelas ainda a vencer. Caso o produtor não cumpra o novo acordo, o banco poderia executar essas garantias”, afirmou o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR).

Com informações de CNN Brasil (crédito rural do Sicredi), Estadão (Coluna do Broadcast Agro: Potencial, Sicredi e Itaú BBA), Banco Central (Sicor, microdados de operações de renegociação), Banco Central (Sicor, lista de renegociações por base legal), Banco Central (Sicor, tabela de bases legais), BrasilAPI (Receita Federal, CNPJ do Banco Cooperativo Sicredi), Senado Federal (prazos da MPV 1.376/2026), Câmara dos Deputados (tramitação da MPV 1.376/2026), Senado Federal (agenda de reuniões de comissões de 3 a 11 de novembro), Senado Federal (agenda de reuniões de comissões de 10 a 14 de agosto) e Rádio Natureza FM (FPA e a MP das dívidas).

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