Lupion diz que senadores do agro preferem Tereza ou Marinho a Alcolumbre; os dois acertam não se enfrentar
Presidente da FPA promete apoio a “toda a articulação” da senadora de MS. A federação do PP fechou com Alcolumbre, o PT tende a acompanhá-lo, e ao PL, com 28 cadeiras em 2027, faltam 13 votos para chegar aos 41 que elegem o presidente da Casa.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou nesta terça-feira (3) que a maioria dos senadores ligados à bancada do agro está mais próxima das candidaturas de Tereza Cristina (PP-MS) e de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado do que da reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP). No mesmo dia, Marinho, líder da oposição, disse ter um acordo com a senadora sul-mato-grossense para que os dois não disputem entre si.
“Toda a articulação que ela fizer terá nosso apoio”, disse Lupion em entrevista coletiva, segundo o SBT News, referindo-se a Tereza, ex-ministra da Agricultura e vice-presidente da FPA. A bancada, que soma 302 deputados e 47 senadores na atual legislatura, segundo o SBT News, ainda não tomou decisão formal sobre o apoio, mas acompanha as negociações conduzidas pela senadora.
“Temos um acordo entre nós: não seremos candidatos um contra o outro”, afirmou Marinho, segundo o Correio Braziliense. Uma conversa entre os dois sobre unificar as candidaturas terminou sem acerto, segundo a coluna de Túlio Amâncio, do SBT News, mas Lupion aposta num entendimento antes da eleição. “Eu não vejo o enfrentamento da senadora Tereza Cristina com o senador Rogério Marinho. Eu vejo uma composição de ambos, a possibilidade de ser um ou outro”, disse.
A conta dos 41 votos
A eleição da Mesa Diretora está marcada para 1º de fevereiro de 2027, dia em que começa a nova legislatura, e o vencedor precisa de pelo menos 41 votos se todos os 81 senadores votarem. O PL terá a maior bancada da Casa em 2027, com 28 senadores, segundo o Poder360; pelas contas do Campo em Pauta, faltariam 13 votos de fora do partido para eleger um candidato da oposição.
O PL deve oficializar a candidatura de Marinho nesta quarta-feira (4), depois de reunião com os congressistas em exercício e os eleitos, segundo o Poder360. Marinho coordenou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que, na carta divulgada de Miami, o chamou de “meu candidato à presidência do Senado”.
Tereza enfrenta um obstáculo na própria federação: a federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, partido de Alcolumbre, anunciou apoio à reeleição do atual presidente. As duas siglas somarão 12 senadores em 2027, segundo o Poder360. O PT também caminha para apoiar Alcolumbre. “Se essa construção resultar na unidade em torno da candidatura de Hugo Motta à Presidência da Câmara e de Davi Alcolumbre à Presidência do Senado, o PT apoiará as duas candidaturas”, disse ao Poder360 o presidente do partido, Edinho Silva.
Supremo no centro da disputa
A relação com o Supremo Tribunal Federal (STF) separa os dois nomes da oposição. Marinho pretende fazer da discussão sobre o impeachment de ministros da Corte a principal bandeira da candidatura, segundo aliados ouvidos pelo SBT News. Tereza não se opõe à abertura desses processos, mas avalia que o tema não deve ser a prioridade da Casa e defende uma presidência que não concentre os trabalhos no enfrentamento com o Judiciário.
A oposição se queixa de que pautas do grupo, como o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, não andaram sob Alcolumbre, segundo o Correio Braziliense. Além de montar a pauta de votações, o presidente do Senado influi na tramitação das indicações para tribunais superiores e para cargos do Executivo.
Para a bancada do agro, o embate com o STF tem um capítulo próprio: em 2023, o Congresso aprovou a lei do marco temporal das terras indígenas (Lei 14.701) depois de o Supremo rejeitar a tese, e a validade da lei passou a ser questionada na própria Corte.
Lupion cobrou dos senadores eleitos que transformem a vitória nas urnas em força na Casa. “Nós falávamos isso na campanha eleitoral, de que só uma nova composição do Senado da República poderia ter uma condição de enfrentamento nessa usurpação de competências do Congresso. Fizemos a nossa parte, né? Hoje há uma maioria eleita para o Senado Federal que não concorda com isso. Eles têm que fazer valer essa maioria dentro do Senado, e começa pela eleição que eles têm”, afirmou.
Com informações de SBT News, Correio Braziliense, Poder360 e Senado Federal (dados abertos).





