Campo em Pauta
Campo em Pauta

Notícias do agronegócio

Política

Fazenda quer rever exceções para baixar CBS de 11,3%; FPA promete barrar perda do corte de 60% do agro

Sem a redução, cada R$ 1 milhão em adubo, semente e defensivo pagaria R$ 113 mil de CBS, e não R$ 45,2 mil, pelas contas do Campo em Pauta. No Senado, o relator diz ter sido pego de surpresa pela alíquota, e a CAE deve ouvir o TCU na terça-feira (10).

Por Redação Campo em Pauta ·

Pedro Lupion, de terno cinza e gravata azul, discursa na tribuna do plenário do Senado, ao lado de uma bandeira do Brasil
Pedro Lupion discursa no plenário do Senado no lançamento da Agenda Legislativa do Agro, em Brasília, em março de 2025. Foto: Roque de Sá/Agência Senado (CC BY 2.0)

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) avisou nesta terça-feira (3) que não aceitará a retirada dos benefícios que o agro garantiu na reforma tributária, a começar pela redução de 60% da CBS e do IBS sobre insumos e produtos agropecuários. A reação do presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), em entrevista coletiva na sede da FPA, veio horas depois de o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defender que o Congresso reveja as exceções e os regimes favorecidos da reforma para que a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), calculada em 11,3% pelo Tribunal de Contas da União (TCU), possa cair.

“É preciso fazer revisões nas exceções e nos regimes beneficiados, para que a gente consiga mexer na alíquota”, disse Durigan a jornalistas na sede do ministério, em Brasília, segundo o Poder360. O ministro afirmou que essa discussão pode começar em 2027 e descartou uma redução imediata da alíquota. O argumento da Fazenda é que cada tratamento diferenciado aprovado pelo Congresso tira arrecadação, que precisa ser compensada com uma cobrança maior sobre todos os demais produtos e serviços.

“Nós fomos a única bancada que conseguiu mudar 28 pontos da reforma tributária. E nós vamos continuar lutando por eles”, respondeu Lupion, segundo o SBT News. O deputado contestou a forma como a Fazenda classifica os benefícios e disse que medidas de caráter social acabam contadas como subsídio ao agronegócio. Além da redução de 60%, a bancada quer preservar as regras para o pequeno produtor: quem fatura menos de R$ 3,6 milhões por ano, cumpridos os demais requisitos da lei, não é obrigado a se tornar contribuinte da CBS e do IBS. Lupion também criticou a exigência, em discussão, de inscrição no CNPJ para o produtor pessoa física.

O peso do corte de 60% no campo

A alíquota de referência aprovada pelo TCU em 28 de outubro é de 11,3468%, arredondada para 11,3%. Com a redução prevista na Lei Complementar 214/2025 para a venda de produtos agropecuários in natura e a compra de insumos que se enquadram na lei, a CBS dessas operações cai para 4,52%, conta da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) divulgada pela CNA. Pelas contas do Campo em Pauta, sem o desconto, uma compra de R$ 1 milhão em adubo, semente e defensivo carregaria R$ 113 mil de CBS, e não R$ 45,2 mil: R$ 67,8 mil a mais por milhão.

No modelo não cumulativo da reforma, o imposto pago numa etapa gera crédito na seguinte para quem é contribuinte, segundo a Agência Senado. O governo federal estima arrecadar R$ 636 bilhões com a CBS em 2027, quando o tributo começa a substituir o PIS/Pasep e a Cofins, numa transição que vai até 2033.

Os 11,3% ficaram acima da estimativa de 9,21% considerada antes do cálculo do tribunal. Durigan negou que a demora na regulamentação do Imposto Seletivo tenha empurrado a CBS para cima, disse que o TCU apresentou uma alíquota máxima de 11,3% e uma média de 8,5% e comparou o número com a CBS de 12% proposta pelo ex-ministro Paulo Guedes.

Senado tem até 15 de dezembro

No Senado, quem vai relatar o projeto de resolução que fixa a alíquota é o líder do MDB, Eduardo Braga (MDB-AM), aliado do governo e relator da reforma tributária na Casa. Na reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) desta terça, ele questionou o percentual. “Todos nós fomos pegos de surpresa com uma alíquota de 11,3% na CBS. Agora vamos com responsabilidade aprofundar esse debate aqui no Senado”, afirmou, segundo a Agência Senado.

Braga informou que o TCU deve mandar à Presidência do Senado na terça-feira (10) o estudo que levou aos 11,3%. No mesmo dia, a CAE fará audiência pública pedida pelo senador Izalci Lucas (PL-DF), em requerimento aprovado por unanimidade, com representantes do TCU, da Receita Federal, do Ministério da Fazenda, das secretarias estaduais de Fazenda e de entidades dos setores produtivos. Izalci também pediu à Fazenda os dados usados no cálculo e disse ter preparado um projeto de lei complementar para rever a alíquota todo ano.

O senador Esperidião Amin (PP-SC) pediu que o debate inclua o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de estados e municípios, porque, segundo ele, a soma das duas alíquotas pode passar de 30%. Braga concordou com a preocupação, mas defendeu começar pela CBS, já que a alíquota de referência do IBS ainda não foi definida. Se o Senado não aprovar a resolução até 15 de dezembro, vale o percentual calculado pelo TCU.

Na mesma coletiva, a FPA prometeu resistir a uma eventual volta da tributação da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e do Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Segundo Lupion, a bancada recebeu informações de que o governo pode retomar o tema, embora não haja proposta formal. Como mostrou o Campo em Pauta, com base em reportagem do jornal O Globo, a equipe econômica estudava cobrar IOF dessas aplicações, mudança que sai por decreto e não depende do Congresso.

Se a cobrança vier pelo IOF, a bancada pode reagir com um projeto de decreto legislativo para derrubá-la, disse Lupion. Para o deputado, o dinheiro privado já responde pela maior parte do financiamento da produção, e tributar os títulos que o captam encareceria o crédito do produtor.

Com informações de Poder360, Metrópoles, SBT News, Agência Senado, CNA / Sistema Famato, Correio Braziliense, Money Times e Canal Rural.

PublicidadeAnúncio: Summit Paraguay–Brasil, do LIDE, em 13 de novembro em AssunçãoAnúncio: Summit Paraguay–Brasil, do LIDE, em 13 de novembro em Assunção

Mais em Política