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Agricultura vira moeda de troca com o Centrão no 4º mandato; apoio a Flávio pesa contra vice da FPA

PSD tenta manter André de Paula, que não vem do setor, e Fávaro, 4º colocado na eleição para o Senado em MT, articula a volta. Sinal de Lula sobre a pasta deve ficar para o fim de novembro, depois da COP, segundo analista.

Por Redação Campo em Pauta ·

André de Paula, de terno escuro, aperta as mãos de Lula, que usa a faixa presidencial, diante de um painel colorido com a palavra Brasil
Lula e André de Paula na posse do então ministro da Pesca e Aquicultura, em Brasília, em janeiro de 2023. Foto: Ricardo Stuckert/PR (CC BY 2.0)

A escolha do ministro da Agricultura do 4º mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai passar pela negociação do governo com os partidos do Centrão no Congresso, e o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno já pesa contra nomes ligados à bancada do agro, segundo reportagem da Globo Rural publicada nesta terça-feira (3). As definições, diz a revista, dependem da costura política que o Planalto fará para garantir governabilidade a partir de 2027.

O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e ex-secretário de Agricultura de Geraldo Alckmin em São Paulo entre 2015 e 2018, tenta se cacifar para a pasta, mas pesa contra ele ter aderido ao apoio que a bancada deu a Flávio, com participação em caravanas pelo interior paulista no 2º turno, segundo a Globo Rural. O presidente da FPA, Pedro Lupion (Republicanos-PR), chegou a ser lembrado, mas as divergências e os embates entre ele e o governo nos últimos anos tornam a indicação improvável, com resistência dos dois lados, segundo interlocutores ouvidos pelo AgFeed.

A disputa se dá numa região que votou em peso contra o presidente. Pelos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio teve 66,06% dos votos válidos em Mato Grosso no 2º turno, 59,66% em Goiás e 59,6% em Mato Grosso do Sul. Lula foi reeleito com 51,79% no país.

PSD quer ficar com a pasta

O PSD, que indicou os ministros da Agricultura no 3º mandato, pode manter o comando do ministério, avaliam pessoas a par do assunto ouvidas pela Globo Rural. Apesar da divisão do partido na eleição, com a candidatura própria de Ronaldo Caiado e o alinhamento de integrantes a Flávio, não houve apoio oficial ao candidato derrotado, o que, na visão de uma fonte, dá “ainda mais crédito” à sigla.

Nesse cenário, ganha força a permanência do atual ministro, André de Paula. Ele não é ligado ao setor, mas tem a simpatia de líderes do agro, que elogiam a desenvoltura política e a abertura ao diálogo, segundo a revista, e contaria com o apoio da bancada do PSD na Câmara e do líder do partido, Antonio Brito (PSD-BA). Se ficar, quer autonomia para trocar secretários: quando trocou o Ministério da Pesca pela Agricultura, em abril, herdou uma pasta de “porteira fechada”, com indicados do antecessor, Carlos Fávaro, em postos-chave.

Fávaro também se articula para voltar. Ele não se reelegeu senador por Mato Grosso: ficou em 4º lugar, com 411.020 votos, ou 11,5% dos válidos, atrás de Mauro Mendes (União), com 33,21%, Zé Medeiros (PL), com 27,35%, e Janaina Riva (MDB), com 14,53%, pelos dados do TSE. Fontes ouvidas pela Globo Rural veem pouca chance de ele retornar ao cargo; poderia ganhar um posto de segundo escalão. Ao AgFeed, o cientista político Cristiano Noronha, da Arko Advice, contou que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, não descartou uma nova indicação, mas interlocutores do governo avaliam mal a articulação política de Fávaro no período em que comandou o ministério.

Carlos Augustin, que foi assessor especial de Fávaro, pede apoio de entidades do setor para chegar ao cargo. Empresário de sementes, foi filiado ao PT, migrou para o PSB e foi suplente na chapa de Pedro Taques ao Senado em Mato Grosso, que teve 6,28% dos votos. Tenta a pasta por meio de Alckmin, seu correligionário, mas falta a ele “estofo político”, avaliam fontes da Globo Rural. O AgFeed cita ainda o deputado Tião Medeiros (PP-PR), ex-presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, e o secretário-executivo do ministério, Cleber Oliveira Soares.

MDA e petistas derrotados

No Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), historicamente comandado pelo PT, a ministra Fernanda Machiaveli ganhou força para ficar e chegou a ser defendida para a Agricultura pela presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, segundo a Globo Rural, embora essa hipótese tenha menos chance. Machiaveli fez campanha por Lula nas ruas e nas redes, se aproximou da primeira-dama, Janja, e vai se reunir nesta semana com representantes do PT e dos movimentos sociais do campo. Lula também pode acomodar petistas derrotados nas urnas, como Edegar Pretto, Paulo Pimenta e Patrus Ananias.

A definição deve demorar. O presidente do PT, Edinho Silva, vai ouvir os partidos sobre a disposição de integrar o governo e os nomes disponíveis, e Lula costuma decidir pessoalmente o primeiro escalão. “O presidente tem viagem prevista para a COP na segunda semana de novembro, o que deve empurrar qualquer sinalização mais concreta sobre a Agricultura para a última semana do mês”, disse Noronha ao AgFeed.

Para o analista, endividamento dos produtores, financiamento agrícola e barreiras comerciais vão exigir um ministro com trânsito no setor e no Legislativo. “O agro é um setor muito forte política e economicamente, muito organizado. Na configuração para o próximo mandato, ganha ainda mais importância política para o governo no Congresso”, afirmou.

Na primeira reunião depois do 2º turno, a FPA já tinha definido a régua para o novo governo. “Tudo que for convergente com a gente, vamos estar juntos, vamos apoiar, vamos trabalhar junto, e tudo aquilo que for frontalmente contrário ao nosso setor, nós vamos enfrentar com toda a força que nós temos”, disse Lupion na ocasião.

Com informações de Globo Rural, AgFeed, TSE – resultado do 2º turno em MT, TSE – resultado do 2º turno em MS, TSE – resultado do 2º turno em GO, TSE – resultado nacional do 2º turno, TSE – Senado em MT e Câmara dos Deputados (dados abertos).

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