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PSD quer a Agricultura do 4º mandato pelas emendas a 887 prefeituras; FPA não vai avalizar ministro

Fávaro, cuja relação com a bancada do agro foi marcada por conflitos, segue cotado ao lado de André de Paula, e a escolha deve ficar para dezembro, depois da COP-31. No 3º mandato, a FPA chegou a negociar o Plano Safra direto com a Fazenda por falta de diálogo com o ministro.

Por Redação Campo em Pauta ·

André de Paula, de terno escuro e gravata azul, fala ao microfone na mesa de uma comissão do Senado, ao lado de dois senadores, diante de um painel com o mapa-múndi
André de Paula, então ministro da Pesca e Aquicultura, em audiência da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, em Brasília, em março de 2025. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado (CC BY 2.0)

O Ministério da Agricultura deve continuar nas mãos do PSD no 4º mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o que atrai o partido à pasta são as emendas parlamentares, segundo integrantes do governo e do Centrão ouvidos pelo Estadão/Broadcast em reportagem publicada na quarta-feira (4). A dotação do ministério para estradas vicinais e compra de máquinas agrícolas permite ao PSD chegar às 887 prefeituras que comanda, e as 27 superintendências estaduais da Agricultura e Pecuária completam o interesse, de acordo com os interlocutores. Do lado do setor, segundo o jornal, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já sinalizou que não vai avalizar nenhum nome para o ministério, por ter apoiado a candidatura da oposição.

A bancada já havia dito o que espera da pasta. “O Ministério da Agricultura tem de ser aliado do produtor rural e não aliado do governo”, afirmou em abril o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), quando recebeu André de Paula, recém-empossado. “Infelizmente, com o ministro anterior isso não foi possível”, disse, segundo o Money Times.

Os principais cotados, se o PSD mantiver a pasta, são o atual ministro e o antecessor, o senador Carlos Fávaro (PSD-MT), segundo o Estadão. Circulam ainda o líder do partido na Câmara, deputado Antonio Brito (PSD-BA), alinhado ao presidente da sigla, Gilberto Kassab, e o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da FPA até o fim do mandato, que estaria disposto a se filiar ao PSD. Jardim apoiou Ronaldo Caiado no 1º turno e Flávio Bolsonaro (PL) no 2º.

André de Paula disse na terça-feira (3) que não recebeu nenhum sinal do presidente. “Quem decide isso é o presidente. Não há nenhum indicativo novo, nenhuma conversa em relação a uma permanência. Evidente que ele vai promover mudanças, essas mudanças podem atingir o Ministério da Agricultura, e eu vou encarar como absolutamente natural que isso ocorra”, afirmou ao Blog do Magno, segundo a CNN Brasil. Pesa contra ele, segundo o Estadão, o fato de a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, sua correligionária, não ter aderido a Lula no 2º turno, e o setor o cobra por mais participação em temas como a renegociação das dívidas rurais.

Fávaro e a bancada do agro

A volta de Fávaro era dada como certa até o fim do 1º turno, segundo o Estadão. Ele deixou o ministério para disputar o Senado por Mato Grosso, com sinal de Lula de que voltaria se o presidente fosse reeleito, mas não se elegeu e perde o mandato em 2027. É bem-visto pela agroindústria e por exportadores, segundo o jornal, mas a relação com a FPA foi marcada por “conflitos e desgastes sucessivos”.

O episódio mais duro foi em fevereiro de 2025, quando o Tesouro suspendeu as novas contratações do Plano Safra com juro subsidiado sem aviso ao setor. Fávaro chamou as críticas da bancada de “narrativas intolerantes” e acusou a frente de não ter cobrado a aprovação do Orçamento. “O interlocutor do agro virou o Ministério da Fazenda. O Ministério da Agricultura ficou, infelizmente, em segundo plano”, disse Lupion na época, segundo a CNN Brasil. As linhas só voltaram depois de uma medida provisória com R$ 4,1 bilhões extras, anunciada pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

No campo, a conta do 3º mandato aparece no crédito: mesmo depois da renegociação, a inadimplência rural estava em 8,7% em setembro, dez vezes a de 2022, como mostrou o Campo em Pauta.

Escolha só em dezembro

As articulações devem ganhar tração depois que Lula voltar da COP-31, na Turquia, onde participa da cúpula de líderes em 11 e 12 de novembro. A divisão dos ministérios e o anúncio dos nomes devem começar em dezembro e podem se estender até os últimos dias do ano, segundo o Estadão. Em 2022, Lula anunciou Fávaro para a Agricultura em 29 de dezembro.

O PSD quer preservar pelo menos três pastas: Agricultura, Minas e Energia e Pesca. À CNN Brasil, Kassab disse que o partido não vai colocar cargos como premissa da relação com o próximo governo e que temas como a economia e a reforma do Judiciário vão definir a proximidade da legenda. Integrantes do governo afirmam que Lula quer apresentar uma Esplanada com “cara nova” em janeiro, o que não combina nem com a permanência de André de Paula nem com a volta de Fávaro, segundo o jornal.

Para a FPA, o nome importa menos do que a política que chega à porteira. “Não adianta nada fazer um anúncio gigantesco do Plano Safra com bilhões de recursos, se os juros ou as normas lá na ponta inviabilizam o acesso a crédito”, disse Lupion em abril.

Com informações de Estadão, CNN Brasil e Money Times.

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