Agro fecha 4,4 mil vagas em setembro, único setor no vermelho; Goiás perde 1.445, o 2º pior do país
Só Cristalina responde por 45% do corte goiano, e Mato Grosso abre 1.043 vagas com soja e frango. A 41 dias da jornada de 42 horas, a FPA quer PEC para frigorífico e leite, e a CNC pede ao STF que adie a transição para 2027.

A agropecuária foi o único dos cinco grandes setores da economia a fechar vagas com carteira assinada em setembro, segundo o Novo Caged, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na quarta-feira (4). O campo demitiu 4.381 trabalhadores a mais do que contratou, enquanto o país abriu 121,3 mil postos formais no mês. Goiás respondeu por um terço do saldo negativo do setor e foi o segundo estado que mais cortou empregos no agro, com 1.445 vagas a menos, atrás só de Minas Gerais, que perdeu 8.221.
Pelos microdados do Caged, levantados pelo Campo em Pauta, o resultado goiano é 76,2% pior que o de setembro de 2025, quando o estado fechou 820 vagas no agro. Foram 5.433 admissões e 6.878 desligamentos no mês. Cristalina, no Entorno do Distrito Federal, teve sozinha saldo negativo de 651 postos, 45% do corte do estado, com 197 vagas a menos no alho e 137 na soja. Itumbiara perdeu 151, com corte de 152 na criação de bovinos de corte, Campo Alegre de Goiás, 145, e Bom Jesus de Goiás, 119.
Na lavoura goiana, o cultivo de soja fechou 256 vagas, ante 86 em setembro do ano passado, e o de alho, 194. As atividades de apoio à agricultura perderam 164 postos, e os serviços de preparo de solo, cultivo e colheita, 124. Na pecuária, a criação de bovinos de corte cortou 161 vagas, depois de abrir 9 um ano antes, e a de frango, 60, ante 103 contratações líquidas em setembro de 2025. A horticultura fechou 110 postos.
Mato Grosso foi na direção contrária e abriu 1.043 vagas no agro, 14,5% mais que as 911 de setembro de 2025, o quarto melhor saldo do país. O cultivo de soja contratou 526 trabalhadores a mais do que demitiu, a criação de frango, 289, e o milho, 162. A exceção foi Sapezal, no oeste do estado, onde o saldo ficou negativo em 386 vagas, 370 delas na soja. No estado, as atividades de pós-colheita fecharam 62 postos, e o cultivo de algodão, 22.
Em Mato Grosso do Sul, o agro fechou 69 vagas, menos que as 125 de setembro de 2025. O apoio à produção florestal cortou 135 postos e a soja, 46, enquanto o cultivo de eucalipto abriu 174. No Distrito Federal, o saldo foi negativo em 14 vagas.
No país, a queda foi puxada pelo café e pelo alho, que fecharam 5,5 mil e 1,3 mil vagas, segundo o MTE. A cana-de-açúcar abriu 3,1 mil postos, a criação de bovinos de corte, 550, e a soja, 494. No acumulado de janeiro a setembro, o setor tem saldo positivo de 51,8 mil empregos formais, 2,87% acima do mesmo período de 2025, de acordo com o ministério.
Mesmo com setembro, o agro de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul acumula 16,6 mil vagas no ano, 31,9% do saldo do setor no país, pelas contas do Campo em Pauta com as declarações no prazo, as entregues fora do prazo e as exclusões do Caged. Mato Grosso soma 7.432 postos, Goiás, 6.962, e Mato Grosso do Sul, 2.173.
Jornada cai em 16 de dezembro
O corte de vagas chega a 41 dias da primeira etapa do fim da escala 6×1. Pela Emenda Constitucional 141, promulgada em 16 de outubro, a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais em 16 de dezembro, com dois dias de descanso remunerado, e para 40 horas um ano depois, sem redução de salário.
Na terça-feira (3), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) disse estudar uma nova proposta de emenda à Constituição (PEC) para criar exceções ao agro. “Existem algumas atividades essenciais aqui que vão ter um impacto muito grande na produção de alimentos, principalmente o setor frigorífico, de abate e o setor leiteiro, enfim, toda a cadeia produtiva como um todo. Não é um horário controlado, estamos lidando com seres vivos”, afirmou o presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), segundo a CNN Brasil.
A bancada mandou ofício aos ministérios e espera saber se o governo prepara uma lista de atividades essenciais para a mudança de jornada. “O Ministério do Trabalho nega, o Ministério da Fazenda não nega”, disse Lupion. Segundo a área técnica da FPA, a adequação não pode ser feita por decreto. O deputado admitiu que aprovar uma PEC agora, “nos 45 do segundo tempo, é muito difícil”, de acordo com o Estadão, e a CNN informou que a nova movimentação da bancada deve ficar para o ano que vem.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), disse ao Estadão que um projeto de lei complementar basta para regulamentar as categorias com jornada diferenciada, entre elas a agropecuária, e que o MTE finaliza um decreto para orientar a transição. O senador Eduardo Braga (MDB-AM) coleta assinaturas para uma PEC paralela, que precisa de 27 apoios para ser protocolada. “Não tenho nem as assinaturas. O texto não está nem concluído”, afirmou.
Pedido no Supremo
No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino foi sorteado relator da ação da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) contra o calendário da emenda, segundo o Canal Rural. A entidade pede que a primeira etapa passe para 16 de outubro de 2027 e que a jornada de 40 horas só valha a partir de outubro de 2028. Para a CNC, 60 dias são pouco tempo para contratar, reorganizar turnos e renegociar convenções coletivas.
Lupion lembrou que a bancada tentou mudar o texto antes da votação. “Já apresentamos emendas na época da discussão da PEC de que deveria haver um tratamento diferenciado, o que foi negado por questões político-eleitorais, e agora precisamos entender como será a aplicação e o que o governo fará com esses temas”, disse.
Com informações de Ministério do Trabalho e Emprego (microdados do Novo Caged), CNN Brasil, Estadão e Canal Rural.





