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PoderData dá 52% a 48% a Flávio, e Atlas, 51,1% a 48,9%; no Centro-Oeste, senador vai a 60%

Nexus/BTG mostra empate, e a Vox Brasil põe Lula à frente. Debate da Band teve carne, inflação dos alimentos e tarifas de Trump; Globo faz o último na sexta-feira (23).

Por Redação Campo em Pauta ·

Flávio Bolsonaro, de terno azul, camisa branca e gravata cinza, fala de frente para a câmera cercado de microfones de emissoras de TV.
Flávio Bolsonaro dá entrevista no Senado, em Brasília, em abril de 2026. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado (CC BY-SA 4.0)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente do presidente Lula (PT) nas três pesquisas nacionais divulgadas nesta segunda-feira (19), a seis dias do 2º turno, e em duas delas a vantagem passa da margem de erro. No PoderData/Aya, Flávio tem 52% dos votos válidos, e Lula, 48%; nos votos totais, 49% a 46%, com 4% de brancos e nulos e 2% de indecisos. Na rodada anterior do instituto, de 13 a 15 de outubro, os dois tinham 47% cada. Com margem de 1,8 ponto, a diferença ficou além do empate técnico, segundo o Poder360.

O PoderData ouviu 3.000 eleitores por telefone em 695 municípios, de 16 a 18 de outubro, com recursos próprios; o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-02586/2026. Na AtlasIntel/Bloomberg, o senador tem 49,8% das intenções de voto, e Lula, 47,6%; nos válidos, 51,1% a 48,9%. A margem é de 1 ponto. A vantagem encolheu: na rodada divulgada em 8 de outubro, Flávio tinha 51,1%, e Lula, 45,7%. Foram 4.998 entrevistas online de 13 a 18 de outubro, registro BR-02418/2026.

A Nexus, contratada pelo BTG Pactual, aponta empate técnico, com 50,3% a 49,7% nos válidos; na rodada de 10 a 12 de outubro, eram 52% a 48%. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores por telefone de 16 a 18 de outubro, com margem de 2 pontos, registro BR-04499/2026. No domingo (18), a Vox Brasil divulgou a única pesquisa recente com Lula numericamente à frente, por 51% a 49% nos válidos, dentro da margem de 2,15 pontos. Foram 2.100 entrevistas de 15 a 17 de outubro, pagas pelo próprio instituto, registro BR-04332/2026.

Centro-Oeste dá a Flávio a segunda maior vantagem

No PoderData, Flávio tem 60% das intenções de voto no Centro-Oeste, contra 36% de Lula; na rodada anterior, eram 54% a 38%. A região só fica atrás do Sul, onde o senador tem 62%. Na AtlasIntel, o placar no Centro-Oeste é de 56,5% a 41%, também o segundo melhor de Flávio, depois do Sul (59,5%). Lula lidera no Nordeste nas duas pesquisas, com 61% e 62,8%. Os recortes regionais ouvem menos eleitores, e a margem de erro neles é maior que a nacional.

A avaliação do presidente também é pior na região. No PoderData, 60% dos eleitores do Centro-Oeste desaprovam Lula, e 35% aprovam; no país, são 50% e 44%. A parcela que não votaria no petista “de jeito nenhum” subiu de 46% para 48% em três dias, e a de Flávio caiu de 45% para 44%. Na AtlasIntel, 52,3% desaprovam o presidente, e 50,6% avaliam o governo como ruim ou péssimo.

O agro no debate da Band

As três pesquisas tiveram entrevistas até o domingo (18), dia do primeiro debate entre os dois, promovido pela Band a partir das 20h15, em São Paulo, com mediação de Adriana Araújo e Eduardo Oinegue. Corrupção, segurança pública e saúde dominaram o encontro. Nas coberturas lidas pelo Campo em Pauta, crédito rural, Plano Safra e dívida do produtor não aparecem entre os temas discutidos; o agro surgiu sobretudo pelo preço da comida e pelo comércio com os Estados Unidos.

Flávio perguntou ao eleitor “há quanto tempo você não coloca uma carne, um pedaço de carne no seu freezer”. Lula respondeu que a inflação dos alimentos foi de 56,17% no governo Jair Bolsonaro, contra 13% no atual mandato. Pelas contas do Campo em Pauta com o IPCA do IBGE, a alimentação no domicílio subiu 56,1% de janeiro de 2019 a dezembro de 2022 e 14% de janeiro de 2023 a setembro de 2026. As carnes subiram 72,6% e 18,5% nos mesmos períodos, mas acumulam alta de 9,8% nos 12 meses até setembro.

O senador atribuiu o endividamento das famílias aos gastos federais, disse que sua ida ao 2º turno derrubou os juros futuros e abriria espaço de mais de R$ 200 bilhões no Orçamento e prometeu que o governo compraria dívidas dos bancos para renegociá-las, com seis meses de congelamento para pessoas físicas e um ano para empresas. Lula perguntou se Flávio seguiria o modelo do argentino Javier Milei, e o senador respondeu que fará um “tesouraço na corrupção”. Os dois também divergiram sobre o fim da escala 6×1, que Flávio votou a favor no Senado depois de criticá-la.

No 3º bloco, Lula acusou a família Bolsonaro de pressionar Donald Trump a taxar produtos brasileiros e perguntou se Flávio entregaria aos Estados Unidos a exploração de terras raras. “É notável e é notado pelo povo brasileiro que a família Bolsonaro está subordinada aos interesses americanos”, disse. Flávio chamou a pergunta de fake news, afirmou ter ido aos Estados Unidos defender empresas brasileiras das tarifas e definiu o Escudo das Américas, coalizão liderada por Trump, como cooperação entre países contra o narcotráfico.

Analistas ouvidos pela BBC News Brasil divergiram sobre o vencedor. Lucas Aragão, da Arko Advice, e Yuri Sanches, da AtlasIntel, avaliaram que Flávio se saiu melhor por pautar o encontro; Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, avaliou que Lula se portou melhor e viu no senador uma postura “debochada”. Para eles, o debate deve ter pouco efeito sobre o voto.

A agenda até domingo

O último debate está marcado para sexta-feira (23), nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, depois do Jornal Nacional, com mediação de César Tralli. No mesmo dia termina a propaganda gratuita no rádio e na TV, que a Lei 9.504 limita à antevéspera da eleição. A partir de terça-feira (20), nenhum eleitor pode ser preso ou detido, salvo em flagrante, por sentença condenatória por crime inafiançável ou por desrespeito a salvo-conduto, regra do Código Eleitoral que vale até 48 horas depois da votação. Caminhadas, carreatas e distribuição de material gráfico ficam liberadas até as 22h do sábado (24).

No domingo (25), a votação vai das 8h às 17h pelo horário de Brasília; em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, das 7h às 16h no horário local. Em Mato Grosso do Sul, cerca de 70 seções mudaram de endereço em relação ao 1º turno, e no Centro-Oeste as mudanças atingem cerca de 26 mil eleitores, segundo o Midiamax. O local de votação pode ser conferido no aplicativo e-Título.

Com informações de Poder360 (PoderData/Aya), PoderData (relatório 16 a 18/10), PoderData (relatório 13 a 15/10), Poder360, CNN Brasil, SBT News, Tribuna do Norte, Bahia Notícias, Congresso em Foco, Estadão, reproduzido por A Voz do Idoso, BBC News Brasil, reproduzida por Em Dia ES, Exame, IBGE/SIDRA (IPCA, tabela 1419), IBGE/SIDRA (IPCA, tabela 7060), Times Brasil, Correio, Planalto (Lei 9.504/1997), Planalto (Código Eleitoral) e Midiamax.

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