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Governo renova por 30 dias subsídio de R$ 2,12 ao diesel; frete de Rio Verde a Paranaguá sobe 36% em um ano

Mesmo com o desconto, o S10 custa R$ 7,60 em Mato Grosso, 20,8% mais que há um ano; sem ele, o litro iria a R$ 9,72 pelas contas do Campo em Pauta. Lupion diz que a subvenção é “conta necessária”, mas cobra o tamanho da dívida do governo.

Por Redação Campo em Pauta ·

Caminhão bitrem graneleiro branco, com lona azul, trafega por trecho remendado de rodovia com acostamento de terra vermelha e mata ao lado
Caminhão graneleiro na BR-163, em Mato Grosso, em 2012. Foto: Agência CNT de Notícias (CC BY 2.0)

O Ministério da Fazenda prorrogou por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de óleo diesel paga a produtores e importadores do combustível. A Portaria MF nº 3.181, assinada pelo ministro Dario Durigan, saiu em edição extra do Diário Oficial da União na terça-feira (27) e mantém o valor fixado em setembro, com base na Medida Provisória nº 1.391. Segundo a Fazenda, a renovação se justifica pela “persistência de restrições no mercado internacional de combustíveis”, com margens de refino altas e restrições às exportações russas, num país onde mais de 25% do diesel consumido é importado.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), defendeu a prorrogação, mas com ressalva. “Sem a subvenção, nós estamos falando de diesel próximo dos R$ 10. Isso inviabiliza qualquer produção e qualquer cadeia produtiva”, afirmou à imprensa na terça, segundo a Globo Rural. “Estamos muito preocupados com o tamanho do endividamento do governo”, completou. Lupion citou as promessas feitas pelo governo às vésperas do segundo turno e disse que a população vai “pagar a conta”. “O custo de frete, custo de combustível está diretamente ligado a isso, o governo vai ter que cuidar disso frontalmente.”

O desconto e a conta

A subvenção começou em R$ 1,12 por litro, pela MP 1.363, de 30 de maio. Em setembro, a MP 1.391 autorizou a Fazenda a fixar o valor por portaria, e a Portaria 2.813 somou R$ 1 por litro, chegando aos R$ 2,12; quando a MP 1.363 perdeu a validade, em 26 de setembro, o valor inteiro passou a se apoiar na nova MP. O Ministério do Planejamento e Orçamento estima custo de cerca de R$ 10,5 bilhões por mês, coberto por receitas extraordinárias da exploração de petróleo, segundo o Canal Rural. Em setembro, ao anunciar as medidas, o Executivo havia estimado R$ 7 bilhões mensais, segundo a Globo Rural.

Mesmo com o subsídio, o diesel segue bem mais caro que há um ano no Centro-Oeste. Na semana de 18 a 24 de outubro, o S10 custou em média R$ 7,60 por litro em Mato Grosso, R$ 7,34 em Mato Grosso do Sul, R$ 7,30 em Goiás e R$ 7,44 no Distrito Federal, segundo o Levantamento de Preços de Combustíveis da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Na mesma semana de 2025, as médias eram de R$ 6,29 em MT, R$ 5,97 em MS e R$ 6,02 em GO: altas de 20,8%, 22,9% e 21,3%. Em Sorriso (MT), o litro saiu a R$ 7,70; em Rio Verde (GO), a R$ 7,53; em Dourados (MS), a R$ 7,41.

Pelas contas do Campo em Pauta, se os R$ 2,12 deixassem de ser pagos e o corte chegasse inteiro à bomba, o S10 de Mato Grosso iria a R$ 9,72 por litro, o patamar de que fala Lupion, e o de Goiás, a R$ 9,42. A conta supõe repasse integral do desconto, que é pago a quem produz e importa o combustível, não ao posto.

Frete sustentado pelo diesel

O diesel mais caro já está nos fretes de grãos e de insumos. No Boletim Logístico de outubro, a Conab registrou que, em setembro, o S10 subiu em média 10,12% em Goiás, de R$ 6,62 para R$ 7,29, com alta de 15,75% em Rio Verde, e que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou o piso mínimo do frete rodoviário em 28 de setembro por causa da alta do combustível, o que “ocasionará aumento nos preços dos fretes dos insumos agrícolas e dos grãos” na safra 2026/27.

Nas rotas goianas, a tonelada de Rio Verde a Paranaguá (PR) custou R$ 346 em setembro, 36,2% mais que os R$ 254 de um ano antes, e para Imbituba (SC), R$ 400, alta de 45,5%. Pelas contas do Campo em Pauta, o frete até Paranaguá passou de R$ 15,24 para R$ 20,76 por saca de 60 quilos, R$ 5,52 a mais, ou R$ 92 milhões a mais a cada milhão de toneladas embarcadas. De Cristalina a Paranaguá, a alta foi de 22,1%, e para Santos, de 11,6%.

Em Mato Grosso, a Conab afirma que os fretes, que deveriam cair na entressafra, ficaram em “um patamar de preços relativamente elevado”, sustentados pelo escoamento da safra recorde de milho, perto de 58 milhões de toneladas. De Sorriso a Santos, a tonelada foi a R$ 500, 4,2% acima de setembro de 2025, ou R$ 30 por saca; de Sorriso a Paranaguá, a R$ 490 (mais 6,5%); de Primavera do Leste a Paranaguá, a R$ 405 (mais 9,5%). As rotas do Arco Norte caíram: Sorriso–Santarém (PA) recuou 5,3%, e Sorriso–Miritituba (PA), 6,7%. Para a companhia, a tendência é de “manutenção no suporte das cotações” nos próximos meses.

Em Mato Grosso do Sul, os fretes cederam em setembro, mas seguem bem acima de um ano antes: de Ponta Porã a Paranaguá, a tonelada custou R$ 280, alta anual de 27,3%; de Dourados, R$ 248 (mais 25,3%); de Chapadão do Sul, R$ 290 (mais 26,1%). Na mesma edição, a Conab informa que a importação de fertilizantes somou 28,4 milhões de toneladas até setembro, cerca de 15,7% menos que em 2025.

A prorrogação vale por 30 dias, e a MP 1.391 permite à Fazenda rever o valor a cada renovação. Para Lupion, além do subsídio, o governo terá de enfrentar o custo do transporte. “As questões de viabilização da nossa manutenção, da nossa competitividade e a produção agropecuária, a produção industrial, produção comercial, isso precisa [ser feito]”, disse Lupion.

Com informações de Diário Oficial da União (Portaria MF nº 3.181), Ministério da Fazenda, Ministério da Fazenda (nota de 25/9), Globo Rural, Canal Rural, Conab (Boletim Logístico de outubro), ANP (Levantamento de Preços, 18 a 24/10) e ANP (série histórica semanal por estado).

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