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EUA somam US$ 33,8 bi de socorro ao agricultor em 2026 com ajuda ao diesel; em MT, milho já não cobre o custo

Novo programa de Trump cobre parte da alta do diesel na colheita, sem exigir seguro. Em Mato Grosso, o custo do milho sobe 14,6%, e a receita já não cobre o custo total da lavoura.

Por Redação Campo em Pauta ·

Colheitadeira vermelha descarrega milho em uma carreta graneleira no meio de uma lavoura colhida, observada por dois homens
Colheita de milho em fazenda da família Mills, na Virgínia (EUA), em 2013. Foto: USDA (domínio público)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite de segunda-feira (19), em comício no Kansas, que o Departamento de Agricultura (USDA) vai liberar US$ 8 bilhões em pagamentos únicos aos agricultores para compensar a alta do diesel nesta colheita. Pelo comunicado do USDA, o Programa de Alívio do Combustível da Colheita vai cobrir parte das perdas estimadas da safra 2026 com uma fórmula que considera a área plantada declarada à Agência de Serviços Agrícolas (FSA), as estimativas de custo de produção do Serviço de Pesquisa Econômica e as projeções oficiais de produtividade e preços. Os valores por cultura saem em novembro, e o produtor não precisa ter seguro agrícola para receber.

“Este investimento de US$ 8 bilhões vai ajudar a trazer segurança aos nossos agricultores durante esta colheita, para que possam continuar a alimentar a nossa nação”, disse a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, no comunicado. O dinheiro sai da Commodity Credit Corporation (CCC), braço financeiro do USDA.

O diesel disparou com o conflito entre EUA e Irã, que restringe a saída de combustível pelo estreito de Ormuz, e o preço nos postos americanos bateu recorde de US$ 6,50 por galão em setembro, segundo a Bloomberg, citada pelo Farm Policy News, da Universidade de Illinois. Pelas contas do Farm Bureau, maior entidade de produtores do país, o combustível mais caro elevou em US$ 6 o custo de um acre de trigo e em US$ 52 o de arroz, segundo o The New York Times, em texto publicado pelo Estadão. O anúncio veio a duas semanas das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro, e Trump atribuiu o programa ao senador Roger Marshall, republicano do Kansas que disputa a reeleição empatado ou atrás nas pesquisas, segundo o jornal.

R$ 170,9 bilhões em um ano

Pelas contas do Campo em Pauta com os números do próprio USDA, o socorro ao produtor americano soma US$ 33,8 bilhões em 2026: US$ 12 bilhões do programa extraordinário Farmer Bridge Assistance, pagos neste ano a mais de 560 mil agricultores; cerca de US$ 13,8 bilhões dos programas regulares de renda ARC e PLC, recorde liberado neste mês, como mostrou o Campo em Pauta; e os US$ 8 bilhões do diesel. Ao câmbio de referência do Banco Central de segunda-feira (R$ 5,0564), o total equivale a R$ 170,9 bilhões. Só em outubro, os anúncios passam de US$ 22,5 bilhões, segundo a CNN Brasil, com a dívida agrícola americana no recorde de US$ 605 bilhões.

No Brasil, a principal conta do Tesouro com o crédito rural, a equalização de juros do Plano Safra 2026/27, está estimada em R$ 18,2 bilhões, como mostrou o Campo em Pauta com base em portaria do Ministério da Fazenda. O socorro americano de 2026 é mais de nove vezes maior, numa comparação aproximada, já que o Plano Safra vai de julho a junho. Contra a alta do diesel, o governo brasileiro não paga o agricultor: subsidia a produção e a importação do combustível, benefício que alcança todos os consumidores. Somadas as medidas para todos os combustíveis, a Fazenda estima o custo em cerca de R$ 40 bilhões em 2026, segundo nota da pasta à CNN reproduzida pelo NovaCana; neste mês, o governo criou uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro ao diesel importado. Ainda assim, o diesel S10 subiu cerca de 21% nos postos do Centro-Oeste entre fevereiro e o início de outubro, pelos dados da ANP, como mostrou o Campo em Pauta.

Para o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), a urgência do produtor brasileiro está no crédito. “Nós estamos enfrentando um endividamento recorde no setor, estamos enfrentando um problema seríssimo de inadimplência, o produtor não está conseguindo plantar, não está conseguindo colher”, disse à CNN Brasil em 5 de outubro.

Crédito encolhe no Centro-Oeste

Os números do Banco Central mostram o aperto. No primeiro trimestre do Plano Safra 2026/27, de julho a setembro, o crédito rural contratado caiu 46,2% em Mato Grosso, 40% em Goiás e 25,9% em Mato Grosso do Sul, como mostrou o Campo em Pauta nesta terça-feira (20) com dados da Matriz de Dados do Crédito Rural (Sicor). Os dados ainda podem ser revisados com registros tardios e não incluem as Cédulas de Produto Rural (CPRs).

No país, o crédito rural contratado no trimestre recuou 30,5%, para R$ 78,89 bilhões, segundo a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), com dados do Banco Central. A inadimplência do crédito rural de pessoas físicas chegou a 9,69% em agosto, segundo o Banco Central, e as CPRs, fora dessa conta, movimentaram R$ 32,4 bilhões em julho e agosto.

Milho no limite em Mato Grosso

Em Mato Grosso, o custo da próxima safra de milho já come a margem. O Imea estima o custo operacional efetivo (COE), que reúne os desembolsos diretos, em R$ 5.508,23 por hectare na safra 2026/27, 14,61% acima do ciclo anterior, segundo o boletim do instituto reproduzido pelo portal Mais Soja. Com o preço médio de setembro, de R$ 48,69 por saca, e a produtividade esperada de 119,64 sacas por hectare, a receita fica em R$ 5.824,88, 5,75% acima do COE, mas 4,04% abaixo do custo operacional total, de R$ 6.070,09, que inclui depreciação e pró-labore. Ao preço de segunda-feira, de R$ 45,85 pela média do Imea, a receita cairia para R$ 5.485,49 por hectare e não cobriria nem o COE, cujo ponto de equilíbrio é de R$ 46,04 por saca, pelas contas do Campo em Pauta.

O banco holandês Rabobank prevê alta de 11% nos custos operacionais do milho brasileiro em 2026/27, com o gasto em fertilizantes subindo de US$ 226 para US$ 248 por hectare e o de defensivos, de US$ 96 para US$ 131, segundo relatório publicado pela CNN Brasil. Para o banco, as margens operacionais no Brasil seguem melhores que as dos EUA, mas o maior obstáculo do produtor brasileiro é o custo do financiamento.

Lupion defende um Plano Safra plurianual, com orçamento definido a cada cinco anos, nos moldes da Farm Bill americana, e um seguro agrícola obrigatório e equalizado. Segundo ele, só cerca de 20% do financiamento da última safra de verão veio de recursos públicos, e o restante, de títulos privados como LCA, CPR e Fiagro. “A gente tem que entender que o plano safra tem que ser cada vez menos dependente de um governo”, afirmou.

Com informações de USDA (comunicado reproduzido pela WBIW), Oklahoma Farm Report (comunicado do USDA), Farm Policy News (Universidade de Illinois), CNN Brasil, Estadão (The New York Times), Banco Central (Ptax), NovaCana (CNN), Banco Central (Sicor, Matriz de Dados do Crédito Rural), TV Sim Brasil (Ocepar), Mais Soja (Imea), Imea e CNN Brasil (Rabobank).

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