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Agro cobra juro menor e freio a invasões no 4º mandato de Lula; inadimplência rural é 12 vezes a de 2022

Com Selic a 13,75% e juro médio de 12,2% ao ano no crédito rural, FPA e entidades de MT e SP pedem segurança jurídica e ajuste fiscal; CNA e Aprosoja Brasil não comentaram o resultado.

Por Redação Campo em Pauta ·

Cerca de 30 parlamentares e dirigentes, em trajes sociais, posam em fileiras no plenário segurando exemplares de capa verde de um documento; ao fundo, painel prateado de lâminas verticais e a mesa diretora.
Parlamentares da bancada do agro e dirigentes da CNA no lançamento da Agenda Legislativa do Agro 2025, em sessão solene no Congresso, em Brasília, em março de 2025. Foto: Roque de Sá/Agência Senado (CC BY 2.0)

O Centro-Oeste do agro votou em peso contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e foi vencido. No 2º turno de domingo (25), Flávio Bolsonaro (PL) teve 61,4% dos votos válidos somados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, segundo a totalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas Lula venceu no país com 51,79%. A vantagem de Flávio nos três estados, de 1,72 milhão de votos, equivale a 38,7% da margem nacional de Lula, pelas contas do Campo em Pauta. Agora, as entidades que falam pelo produtor cobram do presidente reeleito juro menor, segurança jurídica e freio às invasões.

O produtor chega ao 4º mandato, que começa em janeiro, com o caixa apertado. A inadimplência do crédito rural de pessoas físicas chegou a 9,69% do saldo em agosto, 12 vezes os 0,77% de dezembro de 2022 e recorde da série do Banco Central, segundo estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O juro médio desse crédito subiu de 6,3% ao ano em 2021 para 12,2% em 2025, e a Selic está em 13,75%.

Ouvidas sob anonimato pela Globo Rural, lideranças do agronegócio, setor que apoiou Flávio em peso, demonstraram frustração com o resultado e criticaram a política fiscal do governo, que chamaram de “gastança”, por manter os juros altos. Pequenos, médios e grandes produtores apontaram como urgências o custo dos insumos, como o diesel, se os subsídios não forem prorrogados, e o endividamento rural.

Entidades cobram juros e segurança jurídica

Em Mato Grosso, a Aprosoja-MT pediu respeito ao resultado e cobrou o próximo governo. “Independentemente de quem tenha vencido, esperamos que o próximo governo tenha sabedoria, responsabilidade e capacidade de pacificar o país, recuperar a confiança e criar um ambiente favorável ao investimento, ao empreendedorismo e ao crescimento econômico”, afirmou o presidente da entidade, Lucas Costa Beber, em nota. A associação defende responsabilidade fiscal, juros menores, segurança jurídica, incentivo aos biocombustíveis e relações comerciais pragmáticas com China e Estados Unidos.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) lembrou, na voz do presidente, Tirso Meirelles, que “cerca de 49% da população manifestou nas urnas o desejo por mudança, exigindo responsabilidade fiscal, eficiência e segurança”. A nota lista como medidas fundamentais o combate aos excessos tributários, a redução dos custos financeiros, o equilíbrio fiscal e a segurança no campo.

A CropLife Brasil, que reúne 53 empresas de sementes, biotecnologia, defensivos e bioinsumos, cumprimentou Lula em nota divulgada na noite de domingo e pôs a segurança jurídica no topo da lista, ao lado de um ambiente de negócios que atraia capital, da modernização da infraestrutura e do fortalecimento da capacidade de investimento do produtor. A entidade cobrou marcos regulatórios “com base em critérios científicos, transparência e estabilidade normativa”.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Aprosoja Brasil não comentaram o resultado à Globo Rural. Até o fim da manhã desta segunda-feira (26), a Famasul, a Faeg e a Abiove não tinham publicado nota sobre a eleição em seus sites, e o Campo em Pauta não localizou manifestação da Famato.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) declarou apoio formal a Flávio em 1º de outubro, por ver no plano dele convergência com “as prioridades, necessidades e demandas urgentes do setor”. Na reunião com o candidato, em 6 de outubro, o presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), explicou a escolha: “Não só o produtor rural, mas o setor produtivo está completamente impedido de investir no país com os problemas macroeconômicos que nós temos”. Pelos cálculos dele, a FPA chega a 330 deputados e 47 senadores na próxima legislatura, “a demonstração clara de que o campo não aguenta mais o atual governo”. Em entrevista ao Canal Rural publicada em 7 de outubro, Lupion citou como prova a derrota do ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD), quarto colocado na disputa pelo Senado em Mato Grosso, com 11,50% dos votos. Até o fim da manhã, a FPA não havia divulgado nota sobre o 2º turno.

Governo fala em continuidade

O ministro da Agricultura, André de Paula (PSD), disse à Globo Rural na noite de domingo que a reeleição permitirá manter políticas que “representaram avanços para o agro” “Nunca avançamos tanto na relação comercial com a China, que compra cinco vezes mais que os Estados Unidos compram”, afirmou. Sobre ficar no cargo, disse que o tema será decidido por Lula à luz da nova correlação de forças saída das urnas. Na agricultura familiar, a Contag comemorou a continuidade de programas como o Plano Safra do setor e o PAA, mas o presidente da Fetag-RS, Eugênio Zanetti, disse que o governo deve “refletir onde errou e corrigir o rumo”.

No domingo, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pediram pacificação, e Motta cobrou de Lula “uma avaliação dos seus acertos, mas também dos erros cometidos”. No primeiro discurso, em São Paulo, Lula falou de economia digital, educação, SUS e segurança pública e disse que vai trabalhar com o Congresso que o povo escolheu; o agro não aparece entre os temas no relato da Agência Brasil. Flávio não reconheceu o resultado e anunciou que pedirá a anulação da eleição, sob o argumento de que a prorrogação da votação até as 19h, decidida pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido das duas campanhas, quebrou a isonomia entre eleitores. O presidente do TSE, Nunes Marques, confirmou o resultado e disse ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.

A pauta que fica

As cobranças do setor têm prazo curto. A MP 1.376, das dívidas rurais, caduca em 11 de novembro, e Lupion já disse que ela “não atendeu sequer 12% dos produtores”. A alíquota da CBS de 2027 ainda não foi fixada, e a Aprosoja/MS calcula que o novo tributo pode tirar até R$ 228,56 por hectare do produtor de soja, como mostrou o Campo em Pauta. O Funrural segue em disputa, já que o STF derrubou a cobrança do empregador pessoa física só até 2018. E as invasões continuam: dados citados pela CNA apontam 41 até junho de 2026, 38 delas de movimentos sociais, principalmente o MST.

Para Costa Beber, da Aprosoja-MT, o próximo governo “precisa compreender que não existe agricultura forte sem produtores economicamente saudáveis”. “O Brasil precisa cuidar de quem produz”, disse.

Com informações de TSE (totalização do 2º turno, Brasil), TSE (totalização do 2º turno, MT), TSE (totalização do 2º turno, MS), TSE (totalização do 2º turno, GO), TSE (Senado em MT, 1º turno), Globo Rural (lideranças do agro), Globo Rural (André de Paula), CropLife Brasil (nota de posicionamento), Canal Rural (CropLife), Canal Rural (Motta e Alcolumbre), Agência Brasil (Motta e Alcolumbre), Agência Brasil (discurso de Lula), Agência Brasil (Flávio), Canal Rural (Flávio), Brasil de Fato (TSE e Nunes Marques), Agência FPA (nota de apoio a Flávio), Agência FPA (reunião com Flávio), Canal Rural (Lupion e Fávaro), Cepea/Esalq-USP (endividamento rural 2013-2026), Banco Central (Selic, SGS 432), Canal Rural (CNA: 41 invasões até junho), Abiove (publicações), Sistema Famasul e Sistema Faeg.

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