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Veto saudita a SC poupa 45,5 mil t de frango de MT e GO; Malásia barra o país e trava 1,56 mil t da região

Arábia Saudita leva 31,4% do frango exportado por Mato Grosso e segue aberta ao Centro-Oeste; em SC, o veto alcança 89,7 mil t. O mercado malaio só tinha voltado a comprar do Brasil em junho.

Por Redação Campo em Pauta ·

Dentro de um contêiner refrigerado forrado de caixas de papelão, dois funcionários de jaleco branco, luvas azuis e protetor auricular empilham caixas de frango congelado, enquanto um terceiro, de casaco azul e gorro, segura um leitor portátil junto a uma esteira com uma caixa.
Carregamento de frango congelado em contêiner de exportação num frigorífico de Boituva (SP), em 2020. Foto: Daniel Guimarães/AgriculturaSP (CC BY 2.0)

A Arábia Saudita e a Malásia entraram na lista de países que restringem a carne de aves brasileira por causa do foco de doença de Newcastle numa granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). Em atualização divulgada na tarde de quarta-feira (21), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que os sauditas suspenderam a compra de carne e produtos cárneos de aves de Santa Catarina e que os malaios vetaram carne, produtos cárneos e miúdos de aves de todo o país. Com isso, são dois mercados fechados ao Brasil inteiro, Malásia e México, e três restritos ao estado catarinense: Arábia Saudita, China e Chile. Até o fim da quinta-feira (22), o ministério não havia divulgado novas restrições.

Para o Centro-Oeste, a conta é pequena. Pelas contas do Campo em Pauta com dados do Comexstat, Mato Grosso e Goiás venderam 45,5 mil toneladas de carne de frango aos sauditas de janeiro a setembro de 2026, com receita de US$ 102 milhões, e seguem liberados. Mato Grosso do Sul não exportou para o país no período. Já a Malásia, agora fechada a todo o Brasil, levou 1,56 mil toneladas de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, por US$ 2,4 milhões, o equivalente a 0,34% do frango exportado pelos três estados. Os números consideram a posição 0207 da NCM, que inclui cortes, frango inteiro e miúdos.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que fala pelos produtores, cobra do governo a negociação da regionalização dos embargos com os principais importadores, como já aceitou a China, e lembra que o foco foi achado em exames de rotina. "O consumo de carne de aves, ovos e demais produtos avícolas inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial continua seguro e sem contraindicações para a população", disse a CNA.

Mato Grosso depende dos sauditas

Entre os estados da região, Mato Grosso é o que mais depende da Arábia Saudita. O país foi o maior comprador do frango mato-grossense de janeiro a setembro, com 27,3 mil toneladas e US$ 68,6 milhões, ou 31,4% do volume exportado pelo estado, bem à frente de Emirados Árabes Unidos e China, com 11,9% cada. As vendas aos sauditas cresceram 22,3% sobre o mesmo período de 2025. Quatro quintos do volume são cortes desossados de peito, coxa e sobrecoxa, que saíram, em média, a US$ 2.510 por tonelada.

Goiás, maior exportador de frango do Centro-Oeste, vendeu 18,2 mil toneladas aos sauditas, por US$ 33,3 milhões, 12,6% menos que um ano antes. A Arábia Saudita é o quarto destino do frango goiano, com 7,8% das vendas, e compra sobretudo frango inteiro congelado: 13,9 mil toneladas, ou 76,6% do total. O Distrito Federal, também liberado, mandou 27,2 mil toneladas ao país, 42,8% do frango que exportou.

Em Santa Catarina, o estrago é maior. O estado vendeu 89,7 mil toneladas de carne de aves aos sauditas de janeiro a setembro, por US$ 193,3 milhões, 27,4% de tudo o que o Brasil embarcou para lá. A Arábia Saudita é o terceiro maior cliente das aves catarinenses, atrás de Japão e China, e ficou com 10,4% das vendas externas do estado no período. Para o país como um todo, foi o terceiro maior comprador de frango em 2025, com 397,2 mil toneladas, ou 7,7% das exportações, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A decisão saudita vai além do que prevê o certificado sanitário negociado com o Brasil. Segundo ofício do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), do Mapa, obtido pela Globo Rural, o protocolo com os sauditas previa restrição apenas à área do foco ou a um raio em torno dele, regra que também valia para o México, que acabou vetando o país inteiro. Só os acordos com a China e a Malásia preveem a suspensão de todo o território nacional. Os chineses aceitaram limitar o embargo a Santa Catarina; os malaios, não.

Malásia mal tinha voltado

A Malásia é um destino pequeno para o frango brasileiro. De janeiro a setembro, comprou 6,6 mil toneladas, por US$ 8,8 milhões, e ficou em 59º lugar entre os 167 destinos, com 0,16% do volume. Mato Grosso respondeu por 1,26 mil toneladas, quase tudo coxa e sobrecoxa com osso, e Mato Grosso do Sul, por 298 toneladas. Goiás não vendeu ao país neste ano.

O mercado mal tinha reaberto. Os malaios suspenderam as compras de frango do Brasil em 16 de maio de 2025, depois do primeiro caso de gripe aviária de alta patogenicidade em granja comercial do país. O governo brasileiro anunciou a retomada em outubro daquele ano, durante a missão presidencial a Kuala Lumpur. Pelos dados do Comexstat, porém, os embarques só voltaram a ganhar volume em junho de 2026: de janeiro a maio, o Brasil mandou menos de 30 toneladas ao país. De junho a setembro, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul embarcaram as 1,56 mil toneladas. Em 2025, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás tinham feito 53,4% das vendas brasileiras de frango aos malaios.

Contenção avança em SC

Em Santa Catarina, o enterro das carcaças das 6.526 aves da granja terminou na quarta-feira, e a propriedade passa por limpeza e desinfecção, segundo o governo catarinense e o Mapa, que informou na quinta-feira (22) ter concluído o despovoamento no dia 20. Em dois dias de vigilância, 15 equipes da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc), cada uma com pelo menos um veterinário, visitaram 46 propriedades com aves de subsistência e coletaram amostras em 36 criações comerciais, entre elas 20 granjas de frango de corte e 4 de perus. Os resultados de laboratório ainda não foram divulgados. O trabalho vai alcançar 1.680 propriedades: 166 num raio de 3 quilômetros do foco e 1.514 até 10 quilômetros.

A doença leva o nome de Newcastle upon Tyne, cidade inglesa onde foi identificada em aves em 1926, segundo a FAO, agência da ONU para alimentação. Na nota de quarta-feira, o Mapa reiterou que o consumo de produtos avícolas com inspeção oficial "permanece seguro".

A indústria aposta na demanda externa para compensar os vetos. Em nota, a ABPA atribuiu o alcance limitado das suspensões à resposta rápida e coordenada do governo e do setor. Na quinta-feira, segundo o Canal Rural, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, disse esperar que a União Europeia, fechada às aves brasileiras desde 3 de setembro, libere os embarques em dezembro. Na feira Sial, em Paris, encerrada na quarta-feira, as 25 empresas e cooperativas levadas pela ABPA e pela ApexBrasil fecharam US$ 452 milhões em negócios e projetam US$ 1,017 bilhão em exportações nos próximos 12 meses. "Mesmo diante de um ambiente global desafiador, compradores de diferentes regiões continuam buscando fornecedores confiáveis, capazes de oferecer qualidade, escala e regularidade", afirmou o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em comunicado divulgado na quinta-feira.

Com informações de Ministério da Agricultura e Pecuária (nova atualização sobre restrições, 21/10/2026), Comex Stat (MDIC), Globo Rural, Globo Rural (CNA), Globo Rural (ofício do Dipoa), Globo Rural (FAO), ABPA (nota setorial, 20/10/2026), ABPA (Sial Paris, 22/10/2026), Canal Rural, Canal Rural/Agência Brasil (Malásia, 2025), Governo de Santa Catarina (vigilância, 22/10/2026), Ministério da Agricultura e Pecuária (ações de resposta, 22/10/2026) e Canal Rural (União Europeia).

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