Boi magro custa só 2,3% mais que o gordo, ante 12,6% há um ano; bezerro de MS bate recorde de R$ 3.507
Mesmo no recorde, o bezerro sul-mato-grossense vale 9,22 arrobas de boi gordo, ante 10,44 em julho. Em Mato Grosso, o magro ainda sai 21,8% acima do boi pronto, pelos dados do Imea.

A diferença de preço entre o boi magro, comprado para engorda, e o boi gordo, pronto para o abate, encolheu em outubro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Na parcial do mês até terça-feira (20), o ágio do magro sobre o gordo ficou em 2,3%, ante 12,6% em outubro de 2025, pelos cálculos do centro de pesquisas. Em janeiro, a diferença era de 10%; em abril, havia recuado a 3%.
O movimento vem da alta mais forte do animal terminado. O boi magro negociado na região de Presidente Prudente (SP) teve média de R$ 4.618,55 por cabeça na parcial de outubro, 3,2% acima de setembro e 9,2% acima de janeiro em termos reais, corrigidos pelo IGP-DI. Já o Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq teve média de R$ 376,33 por arroba, alta real de 6,56% sobre setembro e de 17,4% sobre janeiro. Segundo o Cepea, o magro sobe pela falta de animais para reposição, e o gordo, pela oferta restrita de bois prontos.
Para o centro de pesquisas, a aproximação pode tornar a engorda no cocho mais atrativa, "embora a viabilidade do confinamento também dependa dos demais custos envolvidos na produção". Na quarta-feira (21), o Giro do Boi mostrou machos confinados por 120 dias em Pederneiras (SP) com 23 arrobas de carcaça e uma boiada jovem de 180 cabeças terminada em 110 dias em Campos Lindos (TO) com 20 arrobas. Pelas contas do Campo em Pauta, um boi de 23 arrobas vale R$ 8.749,20 pelo indicador de quarta-feira, 1,89 vez o preço médio do magro em Presidente Prudente.
Na quarta, o indicador do boi fechou em R$ 380,40 à vista, queda de 0,01%, a segunda leve baixa seguida, e acumulava alta de 4,42% no mês. Os indicadores do Cepea de quinta-feira (22) não estavam disponíveis até o fechamento desta edição. O bezerro foi na direção contrária na quarta: o Indicador do Bezerro Cepea/Esalq, de Mato Grosso do Sul, subiu 0,17%, para R$ 3.507,45 por cabeça, o maior valor nominal da série, iniciada em 2000. Na véspera, o indicador havia passado pela primeira vez dos R$ 3.500. Em outubro, a alta é de 1,78%.
Em MS, bezerro fica mais barato em arrobas
O recorde em reais esconde uma relação de troca melhor para quem compra. Pelas contas do Campo em Pauta com os dois indicadores do Cepea, o bezerro sul-mato-grossense valia 9,22 arrobas de boi gordo na quarta-feira, ante 10,44 arrobas em 13 de julho, o momento mais caro do ano. Na média de outubro, a relação é de 9,24 arrobas, a menor desde fevereiro. Na prática, quem vendia um boi de 20 arrobas pelo indicador paulista na quarta comprava 2,17 bezerros, 13% mais que em meados de julho, quando comprava 1,92.
Com o boi do próprio estado, a conta muda pouco. O Indicador do Boi Datagro de Mato Grosso do Sul fechou a quarta-feira em R$ 376,12 por arroba. Nesse preço, um boi de 20 arrobas valia R$ 7.522,40 e pagava 2,14 bezerros do indicador do Cepea, que teve peso médio de 197,5 quilos nos negócios do dia. Na quinta-feira, a arroba sul-mato-grossense subiu 0,18%, para R$ 376,79, pela Datagro.
Em MT, magro sai 21,8% acima do boi pronto
Em Mato Grosso, dono do maior rebanho do país, a distância entre a reposição e o boi terminado é bem maior, e a reposição voltou a subir. No levantamento semanal divulgado na quinta-feira pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à Federação da Agricultura e Pecuária do estado (Famato), o boi magro nelore de 12 arrobas subiu 1,62%, para R$ 5.113,04 por cabeça. Pelas contas do Campo em Pauta, são R$ 426,09 por arroba, 21,8% acima do boi gordo à vista no estado no mesmo dia, de R$ 349,74. Em São Paulo, pela conta do Cepea, a diferença é de 2,3%.
O bezerro nelore de 210 quilos subiu 1,74% na semana, para R$ 3.587,32, e o garrote, 2,46%, para R$ 4.418,08, segundo o Imea. Pela relação de troca do instituto, um boi de 21 arrobas comprava 2,09 bezerros na semana de 12 a 16 de outubro, ante 2,04 na de 21 a 25 de setembro, quando o bezerro mato-grossense saltou 7,7% em sete dias. Pelas contas do Campo em Pauta, com os preços de quinta-feira e o boi a prazo de R$ 354,74, a relação recua para 2,08. A escala média dos frigoríficos encurtou 5,45%, para 8,33 dias, e, pela Datagro, a arroba mato-grossense subiu 0,91%, para R$ 362,02.
Para o criador, a margem recuou no trimestre, mas segue acima da de 2025. Pelo projeto de custo de produção do Senar-MT e do Imea, o custo operacional efetivo da cria chegou a R$ 6,87 por quilo no terceiro trimestre, alta de 1,11%, puxada pelo manejo sanitário e reprodutivo (16,80%) e pela compra de animais (5,31%). Como o bezerro de ano caiu 2,12% no período, a margem encolheu 4,55%, para R$ 8,60 por quilo. Na comparação com 2025, porém, o bezerro subiu 16,82%, quase o dobro do custo (8,53%).
Em Goiás, o boi caiu 0,17% na quinta-feira, para R$ 365,46 por arroba pela Datagro, depois de subir 0,12% na quarta, quando a Scot Consultoria registrou altas no sul goiano, segundo a Globo Rural.
Suíno perde espaço no atacado
No atacado, a carne suína é a que mais sobe. A carcaça especial suína chegou a R$ 10,38 o quilo na Grande São Paulo na quarta-feira, alta de 22,12% em outubro, enquanto o frango resfriado subiu 2,29%, para R$ 8,50, segundo o Cepea. Pelas contas do Campo em Pauta, o quilo do suíno custa agora 22,1% mais que o do frango. O Cepea atribui a alta ao maior controle dos produtores sobre a oferta de animais em peso de abate e à demanda firme; a carcaça casada bovina caminha para a terceira alta mensal seguida.
No varejo, a comparação com a Argentina é mista. Levantamento do economista argentino Juan Manuel Garzón, do Ieral, ligado à Fundación Mediterránea, publicado pelo BeefPoint, mostra que o filé-mignon custa 38% mais no Brasil que no país vizinho, e a carne moída comum, 73% mais. Numa cesta de cortes equivalentes, porém, a carne bovina brasileira sai cerca de 10% mais barata que a argentina.
Para o Imea, a pressão de custos no trimestre não muda o quadro do ano para quem cria. Com a valorização do bezerro em meio à menor oferta de animais para reposição, o instituto vê "o cenário anual mais favorável ao produtor". Pelo boletim de segunda-feira (19), a margem do criador mato-grossense está 24,39% acima da de 2025, quando foi de R$ 6,92 por quilo.
Com informações de Cepea (Boi: maior valorização do boi gordo reduz diferencial frente ao magro), Globo Rural (números do Cepea e da Scot), BeefPoint (Cepea), Cepea (indicador do boi gordo), Cepea (série histórica do boi gordo), Cepea (indicador do bezerro MS), Cepea (série histórica do bezerro MS), Indicador do Boi Datagro (BeefPoint, boletim de 21/10/2026), Indicador do Boi Datagro (Notícias Agrícolas, 22/10/2026), Imea (Boletim Semanal da Bovinocultura de Corte nº 919, 19/10/2026), Imea (indicadores do boi), Giro do Boi, Cepea (Suínos: alta da carcaça reduz competitividade), Cepea (indicador do suíno), Cepea (indicador do frango), Globo Rural e BeefPoint (Ieral).



