Boi recua a R$ 380,45 em SP e sobe até R$ 7 em MS; Argentina cresce nos EUA, onde Centro-Oeste vende 64% mais
Em Mato Grosso, a arroba à vista vai a R$ 349,17 e segue R$ 20,38 abaixo do custo. Em julho, a carne argentina entrou nos EUA a US$ 8.181 por tonelada, 33% acima do preço médio da brasileira.

O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, referência para São Paulo, fechou esta terça-feira (20) em R$ 380,45 por arroba à vista, queda de 0,07% sobre a segunda-feira (19). Foi o primeiro recuo de outubro: o indicador havia subido em 14 pregões seguidos até a sexta-feira (16) e ficado parado em R$ 380,70 na segunda. No mês, a alta acumulada é de 4,43%.
A pausa em São Paulo não se repetiu no resto do país. Das 33 praças acompanhadas pela Scot Consultoria, 24 subiram na terça, com destaque para Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, segundo a Globo Rural. Em Araçatuba e Barretos (SP), o boi seguiu a R$ 376 à vista e a R$ 380 a prazo; os frigoríficos paulistas, segundo a Scot, compravam apenas o necessário para manter as escalas. Para Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a oferta restrita mantém a indústria ativa, com escalas de cinco a seis dias úteis na maioria das praças, segundo o Canal Rural.
Na B3, o mercado futuro também cedeu. O contrato de outubro fechou a terça a R$ 385,00, queda de 0,72%, e o de novembro, a R$ 394,50, recuo de 0,50%.
Centro-Oeste encurta a distância
Nas praças da Scot, a maior alta da região foi em Três Lagoas (MS), onde o boi à vista subiu R$ 7, para R$ 370. Campo Grande ganhou R$ 5, para R$ 371, e Dourados ficou em R$ 373, depois de subir R$ 3 na segunda. Em Goiânia, a arroba avançou R$ 2, para R$ 363, e na região de Cuiabá, R$ 5, para R$ 356. O "boi China", de até 30 meses, subiu R$ 4 em Mato Grosso, para R$ 362 a prazo, e R$ 2 em Goiás, para R$ 367, e ficou em R$ 378 em Mato Grosso do Sul. Pelas contas do Campo em Pauta, o boi à vista de Campo Grande fechou R$ 5 abaixo do paulista; o de Goiânia, R$ 13; e o de Cuiabá, R$ 20.
Nas médias da Safras & Mercado, a arroba a prazo ficou em R$ 372,95 em Mato Grosso do Sul, R$ 369,46 em Goiás e R$ 357,09 em Mato Grosso, ante R$ 384,13 em São Paulo.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à Federação da Agricultura e Pecuária do estado (Famato), fechou a terça com média estadual de R$ 349,17 à vista, alta de 0,12%, e R$ 354,17 a prazo. A escala média dos frigoríficos caiu de 9,80 para 9,38 dias, sinal de oferta curta. Mesmo assim, pelas contas do Campo em Pauta, o preço à vista segue R$ 20,38 abaixo do custo operacional total da recria e engorda no estado, de R$ 369,55 por arroba no segundo trimestre, segundo o Imea.
No ano, o boi é o produto da pecuária que mais subiu. Segundo o Cepea, até 19 de outubro a arroba acumulava alta de 17,27% em 2026, à frente do bezerro (12,93%) e da carcaça casada (10,88%). Em outubro, o boi gordo subiu 4,50% e o bezerro, 1,53%, o que melhora a relação de troca para quem termina o gado.
Argentina troca a China pelos EUA e por Israel
Enquanto o Brasil espera a cota chinesa de 2027, a Argentina, concorrente direta na exportação de carne bovina, reduz a dependência da China. Segundo levantamento da Associação de Produtores Exportadores Argentinos (APEA) publicado pelo BeefPoint, a fatia chinesa no valor exportado pelos argentinos caiu de 49,7% em julho de 2025 para 35,3% em julho de 2026. No mesmo período, os Estados Unidos passaram de 6,9% para 20,8%, e Israel, de 13,6% para 20,1%.
Um dos motores da mudança foi o acordo comercial que elevou de 20 mil para 100 mil toneladas a cota de carne argentina com tarifa preferencial nos EUA, segundo a APEA. Pelos dados da Câmara da Indústria e Comércio de Carnes da Argentina (CICCRA), os americanos compraram 54,15 mil toneladas no primeiro semestre, quase o triplo de um ano antes, por cerca de US$ 448 milhões. Israel levou 27,92 mil toneladas, alta de 24,9%, a US$ 10.859 por tonelada, sobretudo dianteiro kosher. O país vizinho exportou 280,1 mil toneladas no semestre, 11,1% mais, com receita recorde de US$ 2,17 bilhões, embora a produção tenha caído 6,8% de janeiro a julho, para 1,69 milhão de toneladas em equivalente carcaça.
O que isso significa para o boi do Centro-Oeste
Os Estados Unidos já são a principal válvula do Centro-Oeste depois que a cota chinesa se esgotou, em setembro. Pelas contas do Campo em Pauta com dados do Comex Stat, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás embarcaram 181,98 mil toneladas de carne bovina fresca e congelada aos americanos de janeiro a setembro, 64% mais que em 2025, com receita de US$ 1,09 bilhão, alta de 91,8%. Os três estados respondem por 63,8% da carne bovina brasileira vendida aos EUA. Mato Grosso mais que dobrou as vendas, para 54,19 mil toneladas, alta de 135,1%. Só em setembro, a região mandou 28,81 mil toneladas aos americanos, quatro vezes o volume de setembro de 2025, e os EUA ficaram com 26,2% de toda a carne bovina exportada pelos três estados no mês.
A concorrência argentina aparece no preço e em Israel. Em julho, a tonelada da carne brasileira vendida aos EUA saiu, em média, a US$ 6.141, ante US$ 8.181 da argentina, diferença de 33%, que reflete também o tipo de corte embarcado. Em Israel, o Brasil perde espaço: vendeu 25,95 mil toneladas de janeiro a setembro, 11,8% menos que em 2025 e menos do que a Argentina embarcou só no primeiro semestre. Do Centro-Oeste, saíram 12,17 mil toneladas para os israelenses, queda de 8,5%, a maior parte de Mato Grosso (8,04 mil toneladas).
Para o pecuarista da região, a diversificação ajuda a sustentar a arroba enquanto a China não volta a comprar, mas a disputa por cota nos EUA e por cortes de maior valor em Israel ficou mais dura. Em Mato Grosso, onde a escala dos frigoríficos encurtou nesta semana, a conta do Imea mostra que o preço ainda não cobre o custo de quem compra o bezerro e engorda o boi.
Com informações de Cepea, Scot Consultoria, Globo Rural, Canal Rural, Notícias Agrícolas (fechamento B3), Imea (indicadores do boi), Imea (Boletim Semanal da Bovinocultura de Corte nº 918), BeefPoint (APEA e CICCRA) e Comex Stat (MDIC).



