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USDA prevê 1,6% menos carne bovina no Brasil em 2027 e queda nos EUA e na Austrália; boi para em R$ 380

Relatório de outubro vê o rebanho brasileiro 8,1% menor em dois anos, exportação mundial em queda de 0,6% e China comprando 1,4% mais. Nos EUA, a mosca-da-bicheira chega à fauna silvestre e a terceira porteira ao gado mexicano reabre na segunda-feira (26); a arroba do Centro-Oeste vale até US$ 74,76.

Por Redação Campo em Pauta ·

Quatro bovinos nelore brancos pastando em campo de capim baixo, com mata ao fundo e céu nublado
Gado nelore em pastagem da fazenda do Instituto de Zootecnia em Colina (SP), em dezembro de 2019. Foto: Daniel Guimarães/AgriculturaSP (CC BY 2.0)

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê que o Brasil produza 11,95 milhões de toneladas de carne bovina em 2027, 1,6% menos que os 12,15 milhões estimados para 2026, por causa da retenção de fêmeas pelos pecuaristas. A projeção está no relatório Livestock and Poultry: World Markets and Trade, publicado em 9 de outubro pelo serviço agrícola externo do órgão (FAS), que também espera queda na produção dos Estados Unidos (0,5%) e da Austrália (2,2%), os dois maiores concorrentes do Brasil. A produção mundial ficaria parada em 60,03 milhões de toneladas, 0,3% abaixo de 2026, depois de cair 3,4% neste ano.

O comércio mundial também encolhe: as exportações globais devem cair 0,6%, para 13,89 milhões de toneladas, porque as quedas de Austrália (3,4%, para 2,24 milhões), Brasil (1,2%, para 4,10 milhões) e Estados Unidos superam o avanço de Índia, México e Uruguai. Mesmo em queda, o Brasil ficaria com 29,5% de tudo o que o mundo exporta, pelas contas do Campo em Pauta. Do lado de quem compra, as importações da China sobem 1,4%, para 3,65 milhões de toneladas, e as dos Estados Unidos caem 2,7%, para 2,80 milhões, porque as cotas ampliadas sem tarifa concedidas em 2026 à Argentina e a “outros países”, sobretudo Brasil e Paraguai, não devem valer em 2027.

A conta do rebanho explica a queda. Pela tabela do USDA, o estoque bovino do Brasil começou 2025 com 186,9 milhões de cabeças, cai a 177,4 milhões no início de 2026 e a 171,8 milhões em 1º de janeiro de 2027, 8,1% menos em dois anos. A safra de bezerros, porém, cresce 3,6%, para 50 milhões, sinal de que as vacas retidas estão parindo. Nos Estados Unidos, a produção de 2027, de 11,24 milhões de toneladas, fica 12,8% abaixo da de 2022, e os americanos seguirão importando acima da média histórica, segundo o relatório.

O que o USDA diz do Brasil

Para o Brasil, o USDA fala em “ventos contrários significativos” em 2027, com mais de 60% dos mercados tradicionais afetados por política comercial ou demanda fraca. A cota chinesa de 1,128 milhão de toneladas fica bem abaixo da média de 1,667 milhão exportada à China entre 2021 e 2025; até setembro, as vendas aos chineses caíram 22%. A União Europeia, fechada desde 3 de setembro, comprava só 3,5% do volume, mas pagava US$ 6.124 por tonelada em 2025, e o México, com cota e tarifa extra de 25%, comprou 15% menos. O órgão vê saída nos vizinhos sul-americanos, no Oriente Médio e no Sul da Ásia, mas a preços menores. Depois do recorde de 4,4 milhões de toneladas em 2025, a exportação brasileira cairia a 4,2 milhões neste ano e a 4,1 milhões em 2027.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) diverge: prevê produção 0,8% menor em 2026 e 3,6% menor em 2027, com exportações em alta de 4,5% e 2,2%, segundo o Giro do Boi. Os abates sob inspeção federal caíram 7,6% de janeiro a setembro, com recuo de 2,5% nos machos e de 14,6% nas fêmeas.

Mosca-da-bicheira chega à fauna dos EUA; fronteira reabre na segunda

O fator que mais pesa na oferta americana continua sendo a mosca-da-bicheira do Novo Mundo. Na quarta-feira (21), o Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS) do USDA confirmou a primeira detecção da praga em animal silvestre no país: um alce de uma fazenda de caça do condado de Pecos, no Texas, notificado depois de abatido por um caçador. A Comissão de Saúde Animal do Texas vai redesenhar a zona infestada, e a vigilância sobre a fauna foi ampliada. O primeiro caso em animal doméstico nos EUA foi confirmado em junho, em um bezerro de três semanas no Texas, segundo a CBS News.

Mesmo assim, a reabertura gradual da fronteira com o México, fechada ao gado em pé desde maio de 2025, segue. Na terça-feira (20), a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, anunciou que o posto de Columbus, no Novo México, volta a receber bovinos mexicanos na segunda-feira (26), e Nogales, no Arizona, deve ser o próximo, em 30 de novembro, se as condições permitirem, segundo o APHIS. Até 16 de outubro, 39,6 mil cabeças haviam cruzado desde a reabertura de Douglas, no Arizona, em 24 de agosto, e de Santa Teresa, no Novo México, em 24 de setembro, segundo a Drovers, citada pelo Farm Policy News. Em setembro, entraram 2.557 bovinos mexicanos, 97% menos que no mesmo mês de 2024; entre 2020 e 2024, os EUA importavam 1,2 milhão de cabeças do México por ano, segundo o USDA.

Para 2027, o USDA projeta 1,215 milhão de bovinos importados pelos EUA, ante 770 mil neste ano, mas a produção americana ainda cai, porque os confinamentos recebem menos animais e há “sinais iniciais de retenção de novilhas”. Enquanto isso, o Brasil vendeu aos americanos 285,4 mil toneladas de carne bovina de janeiro a setembro, 55,6% mais que em 2025, por US$ 1,72 bilhão, alta de 82,9%, pelas contas do Campo em Pauta com o Comex Stat.

Boi parado em R$ 380 e escala de 8 dias

No mercado físico, a quinta-feira (22) foi de estabilidade. Nenhuma das 33 praças acompanhadas pela Scot Consultoria mudou de preço, e em Araçatuba e Barretos (SP) o boi seguiu a R$ 380 por arroba a prazo, segundo a Globo Rural. O Cepea registra escalas de abate de 5 a 11 dias em outubro, com média nacional de 8 dias, ante 6 a 15 dias e média de 10 em outubro de 2025, e atribui a sustentação dos preços à “postura mais firme dos pecuaristas nas negociações”. O site do Cepea estava fora do ar na manhã desta sexta-feira (23), e o indicador de quinta não pôde ser conferido.

Nas médias da Safras & Mercado, a arroba a prazo ficou em R$ 384,47 em São Paulo, R$ 379,77 em Mato Grosso do Sul, R$ 370,32 em Goiás e R$ 359,26 em Mato Grosso; pelas contas do Campo em Pauta, o boi mato-grossense vale R$ 25,21 menos que o paulista; o goiano, R$ 14,15 menos; e o sul-mato-grossense, R$ 4,70 menos. Para o analista Fernando Henrique Iglesias, da consultoria, “o menor apelo ao consumo na segunda quinzena reduz a disposição dos frigoríficos para promover novos reajustes generalizados”, disse ao Canal Rural. Pelo Indicador do Boi Datagro, a arroba paulista fechou a quinta a R$ 381,06, queda de 0,18%, o equivalente a US$ 75,61; em dólar, a arroba vale US$ 74,76 em Mato Grosso do Sul, US$ 72,51 em Goiás e US$ 71,83 em Mato Grosso, com o dólar a R$ 5,0385.

A Scot vê nos dados preliminares da balança comercial uma aceleração dos embarques de carne bovina na segunda semana de outubro, ainda sem saber quanto vai à China. O preço de exportação ajuda a explicar a firmeza: pelas contas do Campo em Pauta com o Comex Stat, a tonelada embarcada por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás saiu a US$ 6.437 em setembro, 13,7% acima de janeiro (US$ 5.662) e 13,4% acima de setembro de 2025 (US$ 5.678).

Para o pecuarista do Centro-Oeste, o relatório americano confirma a aposta de quem está segurando vaca e novilha: menos boi no Brasil, nos EUA e na Austrália em 2027, com a China comprando um pouco mais. A Scot lembra que outubro é, historicamente, o mês de menor participação de fêmeas no abate, pela estação de monta, e que neste ano a atratividade da cria reforçou a retenção. O risco está na demanda: o USDA avisa que o Brasil precisará ganhar mercado onde a importação não cresce, e a preços abaixo dos chineses. Como mostrou o Campo em Pauta, o boi magro custa só 2,3% mais que o gordo e o bezerro de Mato Grosso do Sul bateu recorde de R$ 3.507, o que estreita a margem de quem compra para engordar.

Com informações de USDA FAS, USDA APHIS, Farm Policy News, CBS News, Globo Rural, Canal Rural, Giro do Boi, BeefPoint / Datagro, BeefPoint e Comex Stat (MDIC).

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