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Comissão Europeia propõe reabrir ao frango e ao mel do Brasil; MS e GO deixam de embarcar 1,9 mil t por mês

Mapa espera a decisão dos 27 países em novembro e a retomada em dezembro. Argentina limita o veto por Newcastle à zona do foco em SC, e o Itaú BBA vê pressão no preço do frango no início de 2027.

Por Redação Campo em Pauta ·

Caminhão branco com contêiner refrigerado encostado nas docas de um armazém frigorífico branco e azul, sob céu nublado
Contêiner de frango in natura é carregado em armazém frigorífico de Boituva (SP), em janeiro de 2020. Foto: Daniel Guimarães/AgriculturaSP (CC BY 2.0)

A Comissão Europeia informou na quarta-feira (21), em comunicado citado pela agência Reuters, que vai propor aos Estados-membros a reinclusão do Brasil na lista de países autorizados a exportar carne de aves e mel ao bloco. Ao Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (SCoPAFF), reunido em Bruxelas na terça (20) e na quarta-feira, a Comissão apresentou as conclusões da auditoria feita no Brasil e as descreveu como "positivas", segundo a Globo Rural. Os 27 países devem votar a medida na próxima reunião. A carne bovina fica de fora: pelo comunicado, o Brasil ainda não consegue certificar de forma confiável o cumprimento das regras sobre antimicrobianos ao longo da vida do animal, e a Comissão não pretende propor a relistagem do produto por ora.

Depois de reuniões em Bruxelas, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Augusto Billi, disse ao Canal Rural na quinta-feira (22) que a volta, antes esperada para novembro, ficou para dezembro porque, depois do voto, a decisão ainda precisa ser traduzida e publicada. "O relatório da auditoria da União Europeia que houve no Brasil foi extremamente favorável. Não há objeção. A gente cumpre totalmente os regulamentos da União Europeia relativos aos antimicrobianos", afirmou. "A gente crê que em novembro a decisão vai ser tomada para que em dezembro a gente seja relistado para carne de aves e para mel."

A agenda oficial da reunião, publicada no site do comitê, confirma que o caso brasileiro entrou como ponto de informação, sem votação: o item A.03 previa a apresentação das conclusões da auditoria feita no Brasil de 24 de agosto a 4 de setembro. A Delegação da União Europeia no Brasil informou ao Valor que os Estados-membros "estiveram de acordo" sobre os controles nas duas cadeias e que a votação deve ocorrer em meados de novembro, com cerca de 20 dias até a entrada em vigor; os próximos encontros do comitê são em 16 e 17 de novembro, segundo a Globo Rural. As vendas estão suspensas desde 3 de setembro.

O que MS e GO deixam de vender

Pelas contas do Campo em Pauta com os dados do Comexstat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Mato Grosso do Sul embarcou 9,7 mil toneladas de carne de aves (posição 0207 da NCM) para a União Europeia de janeiro a agosto de 2026, por US$ 25,3 milhões, uma média de 1,2 mil toneladas e US$ 3,2 milhões por mês, ou 8,3% do volume exportado pelo estado. Goiás vendeu 5,6 mil toneladas, por US$ 13,3 milhões, 694 toneladas por mês e 2,7% de suas vendas externas. Setembro ainda registrou 940 toneladas de Mato Grosso do Sul e 468 toneladas de Goiás, cargas certificadas antes do dia 3. Mato Grosso não vende carne de aves ao bloco, e nenhum dos três estados exporta mel.

Se o fechamento durar de setembro a novembro, como prevê o governo, Mato Grosso do Sul deixa de embarcar cerca de 3,6 mil toneladas, ou US$ 9,5 milhões, e Goiás, 2,1 mil toneladas, ou US$ 5 milhões, no ritmo de janeiro a agosto: juntos, perto de 5,7 mil toneladas e US$ 14,5 milhões. De janeiro a maio de 2025, antes da suspensão provocada pelo caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul mandava 790 toneladas por mês ao bloco e Goiás, 348 toneladas; em 2026, a média subiu 54% no primeiro e dobrou no segundo. O mercado também paga mais: a tonelada vendida por Mato Grosso do Sul aos europeus saiu por US$ 2.601, 23,1% acima da média do estado em todos os destinos; em Goiás, a diferença é de 15,7%.

No país, as vendas de carne de aves à União Europeia somaram 155 mil toneladas e US$ 406,6 milhões de janeiro a setembro, 41% mais toneladas que em todo o ano de 2025 (110 mil toneladas e US$ 302 milhões). No mel, o bloco levou 4 mil toneladas, por US$ 13,9 milhões, mais que o dobro das 1,7 mil toneladas e US$ 6,1 milhões de 2025 inteiro.

Argentina restringe só a zona do foco

No caso da doença de Newcastle, a Argentina seguiu o caminho que o Brasil pede aos importadores. O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) informou em nota na quinta-feira (22) que aplicou a zonificação e suspendeu "unicamente" as importações de mercadorias procedentes da zona de restrição delimitada pelo Mapa em torno da granja de perus de Nova Itaberaba (SC). Os demais produtos avícolas brasileiros seguem entrando, desde que o certificado ateste a origem em zona livre. Segundo o órgão, os dois países mantêm desde 2025 um acordo de reconhecimento mútuo de compartimentação e zonificação para Newcastle e gripe aviária. A Argentina se declara livre da doença desde 1987 e recomendou às granjas reforçar a biosseguridade e vacinar.

A decisão argentina não consta da lista do Mapa, que na última atualização, da tarde de quarta-feira (21), registra dois países fechados a todo o Brasil, Malásia e México, e três restritos a Santa Catarina: Arábia Saudita, China e Chile. Para o Centro-Oeste, o zoneamento não muda a conta. Pelo Comexstat, Mato Grosso do Sul mandou 744 toneladas de carne de aves à Argentina de janeiro a setembro, 0,56% do que exportou, e Mato Grosso e Goiás não venderam ao país. O Brasil embarcou 35,8 mil toneladas aos argentinos, por US$ 68,9 milhões, quase o dobro de todo o ano de 2025, mas só 0,88% do volume exportado; o Paraná responde por 47% dessas vendas, Santa Catarina por 27,9% (10 mil toneladas, ou 1,2% do que o estado exporta) e o Rio Grande do Sul por 19,3%.

Itaú BBA vê pressão no preço em 2027

O risco maior, segundo relatório do Itaú BBA divulgado na quinta-feira e citado pela CNN Brasil e pelo Agrimídia, está no mercado interno no início de 2027. Santa Catarina exporta cerca de 63% do que produz: em 2025, produziu 1,9 milhão de toneladas de carne de frango, 13,4% do total nacional, e exportou 1,2 milhão de toneladas, por US$ 2,45 bilhões, ou 22,5% do volume e 25% da receita do país. Se os embarques não forem retomados rápido, parte da produção catarinense pode ficar no Brasil ou passar mais tempo estocada, num ano em que os abates cresceram 3,7% e a produção de carne, 6,2%, até setembro. No primeiro trimestre, quando a demanda perde força, frigoríficos podem dar descontos para vender estoques. O banco vê efeito agregado limitado, se não houver novos focos, mas alerta que a duração dos embargos pode pesar tanto quanto o controle sanitário.

Por enquanto, o atacado não reagiu: o frango congelado ficou em R$ 8,49 o quilo e o resfriado em R$ 8,50 na Grande São Paulo na quarta-feira (21), segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, os mesmos valores desde o dia 15. Para a carne bovina, o governo segue sem prazo: segundo Billi, o Brasil aguarda a avaliação europeia do protocolo de rastreabilidade dos bovinos, processo que ele classificou como mais complexo que o das aves e do mel.

Com informações de Globo Rural / Reuters, Globo Rural / Valor, Canal Rural, Comissão Europeia (agenda do SCoPAFF, 20 e 21/10/2026), Comissão Europeia (SCoPAFF, Controls and Import Conditions), Devdiscourse / Reuters, Senasa (Argentina), Clarín, Mapa, CNN Brasil, Agrimídia, Comexstat / MDIC (base EXP_2025 e EXP_2026, NCM 0207 e 0409), Comexstat / MDIC (base EXP_2025) e Cepea via Notícias Agrícolas (frango).

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