Suíno sobe 19,9% em outubro em SP e carne perde competitividade; em MT, a arroba já compra 2 sacas de milho
Carcaça especial subiu 17,3% na Grande São Paulo até o dia 14, contra 2,3% do frango, diz o Cepea. Em Mato Grosso, o quilo vivo foi de R$ 5,01 para R$ 6,11 em quatro semanas, e o estado exportou 19,5% mais carne suína em 2026.

A carne suína subiu tanto em outubro que ficou menos competitiva diante da carne bovina e do frango no atacado da Grande São Paulo, informou na quinta-feira (22) o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. As três proteínas estão em alta no mês, mas o avanço da carcaça especial suína é mais intenso. Pelos pesquisadores, a valorização vem do maior controle, pelos produtores, da oferta de animais em peso ideal de abate e da demanda mais firme na ponta final. Para o produtor, que amargou oito meses de preço abaixo do custo, a virada chega junto com o milho mais barato e, em Mato Grosso, com a melhor relação de troca do ano.
A carcaça especial suína foi cotada a R$ 9,97 o quilo no atacado paulista em 14 de outubro, alta de 17,29% no mês, segundo o indicador reproduzido pela Feed&Food, cerca de R$ 1,47 acima do fim de setembro. O suíno vivo posto em São Paulo estava em R$ 6,63 no dia 14, alta de 14,71% em outubro, e chegou a R$ 6,93 na quarta-feira (21), segundo o indicador Cepea/Esalq: pelas contas do Campo em Pauta, são 19,9% a mais que no fim de setembro. Em Minas Gerais, o quilo vale R$ 6,96 (alta de 13,4%); em Santa Catarina, R$ 5,95 (13,3%); no Paraná, R$ 6,01; e no Rio Grande do Sul, R$ 5,92.
As concorrentes subiram bem menos. O frango resfriado valia R$ 8,50 o quilo no atacado paulista na quarta-feira, e o congelado, R$ 8,49, com alta de 2,3% em outubro. O boi gordo fechou a R$ 380,40 a arroba no indicador Cepea/B3, e a carcaça casada bovina caminha para a terceira alta mensal seguida. A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) descreve o movimento como a saída do "fundo do poço" de agosto: em boletim divulgado pelo Agrimídia, diz que dados preliminares do Serviço de Inspeção Federal mostram abate desacelerando e carcaças mais leves, e que a relação de troca com a ração voltou a subir depois de quase um ano de piora. "Desde setembro a chave do mercado virou. O preço pago ao produtor pegou tração e não dá sinais de recuo no curto prazo", disse o presidente da ABCS, Marcelo Lopes.
Mato Grosso sai de oito meses no vermelho
Em Mato Grosso, a recuperação foi mais rápida. Pelos dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgados pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), o quilo do suíno vivo passou de R$ 5,01, em 23 de setembro, para R$ 5,81 em 14 de outubro, alta de 16%; no início de setembro, era negociado a R$ 4,97. A cotação do Imea para 20 de outubro, publicada no site da Acrismat, chegou a R$ 6,11, 22% em quatro semanas, e a associação já usa R$ 6,20 como referência para a semana de 26 de outubro a 1º de novembro.
"Esse ano 2026 tem sido um ano bem complicado, bem complexo. Nós fomos surpreendidos aí no começo do ano já com uma queda no preço do suíno", disse o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, ao Canal Rural Mato Grosso, em entrevista reproduzida pela entidade. Segundo ele, a queda começou em fevereiro, com excesso de animais depois de dois anos e meio de preços bons, que levaram os criadores a recompor plantéis e a produzir mais carne por matriz. "Isso tudo veio trazendo um cenário de superoferta de carne que explodiu agora em 2026. Por isso que nós amargamos aí, vamos dizer assim, oito meses de preços negativos", afirmou. A Acrismat espera demanda mais forte até parte de dezembro, com os frigoríficos formando estoque antes das férias coletivas.
O milho barato do estado faz diferença. Na quinta-feira (22), a saca de 60 quilos do milho disponível valia em média R$ 46,19 nas sete praças acompanhadas pelo Imea, de R$ 42,90 em Tangará da Serra a R$ 48,50 em Rondonópolis, com R$ 44,20 em Lucas do Rio Verde. Pelas contas do Campo em Pauta, a arroba de suíno vivo a R$ 6,11 o quilo (R$ 91,65) compra 1,98 saca de milho na média do estado e 2,07 sacas em Lucas do Rio Verde; no dia 14, com o animal a R$ 5,81, comprava 1,89 saca. Em São Paulo, com o milho a R$ 64,30 no indicador Cepea de Campinas, a arroba de R$ 6,93 o quilo compra 1,62 saca: mesmo com o animal R$ 0,82 mais barato por quilo, o suinocultor mato-grossense compra mais milho por arroba que o paulista. O custo que ainda pesa, segundo Tannure, é o farelo de soja.
A exportação ajuda a escoar a oferta. Pelos dados do Comexstat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Mato Grosso embarcou 28,2 mil toneladas de carne suína (posição 0203 da NCM) de janeiro a setembro, 19,5% mais que em 2025, com receita de US$ 64,6 milhões, alta de 13%; o preço médio caiu 5,4%, para US$ 2.291 por tonelada. As Filipinas levaram 30% do volume (8,5 mil toneladas), seguidas de Peru (13,1%), Hong Kong (11%) e Vietnã (8,1%). Mato Grosso do Sul vendeu 15,8 mil toneladas, 4,4% menos, e Goiás, 10,8 mil toneladas, queda de 4,3%. O país exportou 1,03 milhão de toneladas, 4,8% mais, por US$ 2,53 bilhões, quase o mesmo valor de 2025; a ABCS alerta que os embarques às Filipinas, maior cliente, caem desde junho na comparação anual.
Tilápia: Copacol quer 300 mil peixes por dia
Na piscicultura, a maior processadora de tilápia do país quer crescer em 2027. A Copacol, cooperativa de Cafelândia (PR), tem potencial para abater 300 mil tilápias por dia, 42,9% mais que a capacidade atual de 210 mil, disse o gerente de marketing Alexandre Lachi à CNN Brasil nesta sexta-feira (23). A unidade de Toledo, no oeste paranaense, opera com um turno e pode dobrar o processamento. A cooperativa diz ter cerca de 33% do varejo nacional de tilápia. "É preciso ajustar a oferta à demanda para preservar os preços e o valor da categoria", afirmou Lachi. O Paraná é o maior produtor do país, com 273,1 mil toneladas, segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).
O freio vem de fora. Segundo a Peixe BR, as importações de tilápia do Vietnã chegaram a cerca de 1.324 toneladas em setembro, 11% mais que em agosto, a US$ 4,35 por quilo. No mesmo mês, o Brasil exportou 852 toneladas, 32% mais que em agosto, por US$ 3,68 milhões, e o poder de compra do produtor em relação à ração caiu pelo terceiro mês seguido, segundo o Cepea citado pela entidade. Em setembro, cinco entidades de produtores, entre elas a Aquamat, de Mato Grosso, a Peixe SP e a Abipesca, pediram ao Ministério da Pesca e Aquicultura uma cota de importação de 5% do consumo nacional de filé, ou uma salvaguarda pelas regras da Organização Mundial do Comércio, segundo o AgFeed. A Peixe BR defende avaliação de risco sanitário por causa do vírus TiLV, presente no Vietnã e não no Brasil, enquanto entidades da indústria e do comércio de pescado ouvidas pelo Canal Rural são contra restrições, porque o consumo de peixe no país é baixo. Mato Grosso do Sul, terceiro exportador de tilápia do país, vendeu US$ 7,2 milhões do peixe ao exterior de janeiro a setembro, como mostrou o Campo em Pauta.
Com informações de Canal Rural, Cepea via Folha Agrícola (nota de 22/10/2026), Feed&Food (Cepea/Esalq e APCS), Cepea via Notícias Agrícolas (suínos), Cepea via Notícias Agrícolas (frango), Cepea e Imea via Notícias Agrícolas (milho), Cepea via Notícias Agrícolas (boi), Acrismat (dados do Imea), Acrismat (cotação Imea de 20/10 e referência semanal), Imea (indicadores diários), ABCS via Agrimídia, Comexstat / MDIC (base EXP_2026, NCM 0203), Comexstat / MDIC (base EXP_2025), CNN Brasil, Peixe BR e AgFeed.



