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Centro-Oeste já faz 52% da carne bovina exportada; EUA passam a China em Goiás, e MT fatura 30,5% mais

Pelas contas do Campo em Pauta com o Comex Stat, MT, MS e GO embarcaram 1,10 milhão de toneladas até setembro, 8,6% mais, por US$ 6,85 bilhões. A China caiu de 46,2% para 37,5% do volume da região, e os EUA subiram de 9,9% para 16,5%; o recorde no Canadá passa longe dos três estados.

Por Redação Campo em Pauta ·

Boiada de gado branco conduzida por vaqueiros a cavalo em estrada de terra ladeada por árvores
Boiada tocada na rodovia Transpantaneira, em Poconé (MT), em 2016. Foto: Bernard Dupont (CC BY-SA 2.0)

Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás embarcaram 1,10 milhão de toneladas de carne bovina fresca e congelada de janeiro a setembro, 8,6% mais que no mesmo período de 2025, por US$ 6,85 bilhões, alta de 25,6%. Os três estados já respondem por 52,0% do volume e 52,8% da receita da carne bovina exportada pelo Brasil, ante 47,2% e 47,9% um ano antes, pelas contas do Campo em Pauta com os dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O país inteiro vendeu 2,11 milhões de toneladas, 1,5% menos, por US$ 12,97 bilhões, 14,1% mais.

Mato Grosso puxa a conta. O estado exportou 566,5 mil toneladas, alta de 13,9%, e faturou US$ 3,50 bilhões, 30,5% mais, vendendo para 95 países. Sozinho, ficou com 26,8% da carne bovina embarcada pelo Brasil, ante 23,2% em 2025. A tonelada mato-grossense saiu, em média, a US$ 6.177, 14,6% acima do ano passado. As mesmas 566,5 mil toneladas aparecem no balanço divulgado na quinta-feira (22) pelo Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), que comparou o resultado com o de 2001, ano em que a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) certificou o estado como livre de febre aftosa com vacinação. Naquele ano, Mato Grosso exportou 24,1 mil toneladas, por US$ 47,5 milhões, para 29 países, e o Egito levava 40,7% do volume, com 9,7 mil toneladas. Em 25 anos, pela conta do instituto, o volume cresceu 2.242%.

“O trabalho de controle sanitário foi fundamental para garantir a segurança da produção e permitir que o estado conquistasse espaço no mercado internacional”, disse o diretor de projetos do Imac, Bruno de Jesus Oliveira. O último foco de aftosa em Mato Grosso foi em 1996. A vacina foi suspensa em 2023, o Ministério da Agricultura reconheceu o estado como livre sem vacinação em 2024, e a OMSA fez o mesmo em 29 de maio de 2025, segundo o Sistema Famato. “Manter vigilância permanente é essencial para protegermos nossos animais e preservarmos a força e a competitividade da pecuária de Mato Grosso”, afirmou o presidente da federação, Vilmondes Tomain, em nota divulgada pela CNA.

Goiás: EUA passam a China

Em Goiás, a troca de freguês é a mais nítida. O estado exportou 272,7 mil toneladas, 0,6% menos que em 2025, mas a receita subiu 15,9%, para US$ 1,70 bilhão. As vendas à China caíram 30,9% em volume, para 66,3 mil toneladas, e 16,1% em valor, para US$ 420,7 milhões. Já os embarques aos Estados Unidos cresceram 43,6%, para 75,2 mil toneladas, e 67,2% em receita, para US$ 458,4 milhões. Com isso, os americanos passaram a comprar 27,6% da carne bovina goiana, ante 19,1% um ano antes, e os chineses recuaram de 35,0% para 24,3%.

A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa) divulgou na quinta-feira (22), com base no mesmo Comex Stat, que as carnes de todos os tipos renderam ao estado US$ 2,27 bilhões até setembro, 16,9% mais, e chegaram a 131 países, cinco a mais que em 2025. A fatia das carnes nas exportações do agro goiano subiu de 21,8% para 26%. O México, terceiro mercado, comprou US$ 173,3 milhões, 92,8% em carne bovina. “Os números mostram que temos condições de ampliar cada vez mais nossa presença nos mercados”, disse o secretário Ademar Leal.

Mato Grosso do Sul exportou 260,5 mil toneladas, alta de 8,3%, por US$ 1,64 bilhão, 26,3% mais. A China ainda é a maior compradora, com 94,2 mil toneladas, 2,8% menos, mas sua fatia caiu de 40,3% para 36,2%. Os Estados Unidos levaram 52,6 mil toneladas, 47,9% mais, por US$ 309,3 milhões, alta de 76,9%, e passaram de 14,8% para 20,2% do volume sul-mato-grossense. O preço médio da tonelada do estado, de US$ 6.306, foi o maior dos três, 16,6% acima de 2025.

Somados, os três estados reduziram a dependência da China de 46,2% para 37,5% do volume, enquanto os Estados Unidos subiram de 9,9% para 16,5%. Depois dos dois, os maiores clientes da região são o Chile, com 84,1 mil toneladas, a Rússia, com 55,0 mil, e o México, com 49,5 mil. Em Mato Grosso, as vendas a destinos fora da China e dos Estados Unidos cresceram 27,2% em volume, para 260,0 mil toneladas, e 44,5% em receita, para US$ 1,62 bilhão.

O freio do terceiro trimestre

O ano, porém, tem duas metades. No primeiro semestre, os três estados embarcaram 28,1% mais que em 2025, com receita 51,7% maior. De julho a setembro, depois que a cota chinesa se esgotou, o volume caiu 18,9% e a receita, 8,3%. As vendas da região à China no trimestre despencaram 72,1%, de 215,9 mil para 60,3 mil toneladas, e as aos Estados Unidos mais que triplicaram, de 20,4 mil para 63,6 mil toneladas. Em setembro, o volume caiu 29,6% em Mato Grosso, 25,0% em Mato Grosso do Sul e 27,8% em Goiás, menos que a queda de 38,0% do Brasil.

Canadá: recorde que passa longe da região

O recorde das exportações brasileiras ao Canadá, divulgado pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá e noticiado pelo Canal Rural, também está no Comex Stat: a carne bovina desossada congelada rendeu US$ 76,5 milhões de janeiro a setembro, 828% mais que em 2025, dentro de uma exportação total de US$ 5,7 bilhões, puxada pelo ouro (US$ 3,06 bilhões). Contando toda a carne bovina fresca e congelada, foram 13,1 mil toneladas e US$ 77,0 milhões, ante 1,6 mil toneladas e US$ 8,2 milhões um ano antes. Pelas contas do Campo em Pauta, porém, 71,7% desse volume saiu de Rondônia (9,4 mil toneladas, US$ 54,4 milhões), seguida do Paraná (1,9 mil toneladas). Mato Grosso vendeu 973 toneladas aos canadenses, por US$ 5,8 milhões, e Mato Grosso do Sul e Goiás não embarcaram nada.

O comércio entre os dois países somou US$ 10,4 bilhões em 2025, alta de 10%, e governo e setor privado tentam concluir o acordo Mercosul-Canadá, segundo o Canal Rural. O relatório de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) cita o Canadá entre os mercados que podem aumentar “modestamente” a compra de aparas brasileiras em 2027, quando o Brasil terá de realocar a carne que deixou de ir à China e à União Europeia.

Para o produtor do Centro-Oeste, o saldo de nove meses é de preço melhor e cliente mais variado, com um segundo semestre mais fraco. Na leitura do Imac, o espaço no mercado externo foi conquistado dentro da porteira. “A pecuária de Mato Grosso passou por uma transformação nesses 25 anos. O produtor investiu em genética, tecnologia e manejo e conseguiu aumentar a produtividade”, disse Oliveira.

Com informações de Comex Stat (MDIC), Imac, Seapa-GO, CNA / Sistema Famato, BeefPoint, Canal Rural e USDA FAS.

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