Rússia leva 38% mais carne do Brasil, maior volume desde 2017, e paga 15% abaixo da média; MS triplica vendas
Pelas contas do Campo em Pauta com o Comex Stat, MT, MS e GO venderam 55 mil t aos russos até setembro, 22,7% mais, mas a fatia da região cai de 65,2% para 58%. Mato Grosso, maior fornecedor, cresce só 6,4%.

O Brasil embarcou 94,8 mil toneladas de carne bovina in natura para a Rússia entre janeiro e setembro de 2026, o maior volume para o período desde 2017, segundo os dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O levantamento foi feito pela Farmnews e publicado pelo BeefPoint nesta sexta-feira (30). Pelas contas do Campo em Pauta com a mesma base, o volume é 38,1% maior que as 68,7 mil toneladas de igual período de 2025, e a receita subiu 52,5%, de US$ 323,9 milhões para US$ 493,9 milhões.
É o quinto ano seguido de alta. Nos nove primeiros meses de 2017, os russos compraram 107,6 mil toneladas. Em 2018, as vendas praticamente pararam, com 120 toneladas no acumulado até setembro. Depois oscilaram entre 49,5 mil toneladas em 2019, 41,8 mil em 2020 e só 13,6 mil em 2021, ponto de partida da sequência de altas que levou ao número deste ano. Só em setembro, foram 11,5 mil toneladas, o segundo maior volume para o mês desde 2015, atrás apenas das 11,8 mil toneladas de setembro de 2017.
O comprador que volta paga menos. Pelas contas do Campo em Pauta, a tonelada vendida à Rússia saiu em média a US$ 5.207 até setembro, 15,2% abaixo da média de todas as vendas de carne bovina in natura do país, de US$ 6.137. A China pagou US$ 6.233 por tonelada, e os Estados Unidos, US$ 6.032. O preço russo, porém, subiu 10,4% em um ano, de US$ 4.716 em 2025.
Centro-Oeste perde espaço
Mato Grosso segue como o maior fornecedor dos russos, com 33,9 mil toneladas até setembro, 35,8% do total do país, mas cresceu só 6,4% sobre 2025. Goiás embarcou 14,8 mil toneladas, alta de 33,1%. Mato Grosso do Sul foi de 1,8 mil para 6,3 mil toneladas, 3,4 vezes o volume do ano passado. Fora da região, São Paulo saltou de 4,5 mil para 14 mil toneladas, e o Rio Grande do Sul, de 1,4 mil para 4,8 mil toneladas.
Somados, os três estados do Centro-Oeste venderam 55 mil toneladas aos russos, 22,7% mais que em 2025. Como o resto do país cresceu mais rápido, a fatia da região no total caiu de 65,2% para 58%. Em setembro, a diferença ficou mais clara: o Brasil vendeu 32,4% mais à Rússia que um ano antes, enquanto Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás embarcaram 4,97 mil toneladas, 27,3% menos que as 6,84 mil de setembro de 2025.
Para os frigoríficos da região, a Rússia é um destino de peso médio. Em Mato Grosso, é o quarto maior comprador de carne bovina in natura em 2026, com 6% das 566,5 mil toneladas embarcadas pelo estado, atrás de China, Estados Unidos e Chile. Em Goiás, é o quinto, com 5,4%, depois de Estados Unidos, China, México e Chile. Em Mato Grosso do Sul, aparece em nono, com 2,4%.
A diferença de preço também aparece nos estados. A tonelada mato-grossense vendida aos russos saiu a US$ 5.279, US$ 896 abaixo da enviada à China, de US$ 6.175. Em Goiás, o preço russo foi de US$ 4.990, ante média estadual de US$ 6.244; em Mato Grosso do Sul, de US$ 4.978, ante US$ 6.306.
Sem a China, outros destinos crescem
A volta dos russos acontece enquanto a China compra menos. Em setembro, o Brasil exportou 195,2 mil toneladas de carne bovina in natura, 38% menos que as 314,6 mil toneladas de setembro de 2025. As vendas à China caíram 94,2%, de 187,2 mil para 10,9 mil toneladas, efeito da cota de importação do país asiático, segundo a Farmnews. A cota chinesa de 2026 já foi preenchida, como mostrou o Campo em Pauta.
Os Estados Unidos ocuparam parte do espaço e compraram 44,4 mil toneladas em setembro, ante 7,9 mil um ano antes. Pelo levantamento da Farmnews, foi o maior volume mensal da série, acima das 44,1 mil toneladas de abril de 2025. Até setembro, o Centro-Oeste embarcou 1,1 milhão de toneladas de carne bovina in natura, e a Rússia respondeu por 5% desse total.
Com informações de BeefPoint e Comex Stat (MDIC).





