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Aurora Coop compra frigorífico de tilápia da Mar & Terra em MS, estado que já faz 19,2% da exportação do peixe

Negócio em Itaporã inclui fábrica de ração e fazendas de peixe e depende do Cade. Até setembro, MS exportou 1,07 mil t de tilápia, 24,8% menos, mas a receita caiu só 2,9%, com preço médio 29,1% maior.

Por Redação Campo em Pauta ·

Funcionário de touca, máscara e luvas azuis embala pacotes de filé de peixe congelado em uma caixa de papelão, sobre bancada de frigorífico
Embalagem de filés de peixe em frigorífico do complexo Peixes da Amazônia, no Acre, em 2016. Foto: Angela Peres/Secom Acre (CC BY 2.0)

A Cooperativa Central Aurora Alimentos (Aurora Coop), de Chapecó (SC), anunciou na quinta-feira (29) a compra do complexo de produção e industrialização de pescados da Mar & Terra em Itaporã (MS), que pertence à Bello Alimentos. Entram no negócio o frigorífico de peixes, a fábrica de rações e as fazendas de produção própria, segundo comunicado das duas empresas. O valor não foi divulgado.

A operação ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e de outras condições não detalhadas. Até a conclusão, as duas empresas seguem operando de forma independente. “A operação está alinhada à estratégia da Aurora Coop de fortalecimento e expansão de sua atuação no segmento de pescados”, afirmou a cooperativa. As companhias disseram que farão uma transição “respeitando colaboradores, produtores, parceiros e demais públicos envolvidos”.

Fundada em 1969, a Aurora reúne 14 cooperativas singulares do Paraná, de Mato Grosso do Sul e de Santa Catarina, entre elas Castrolanda, Frísia e Capal. Tem oito unidades de suínos, nove de aves, duas de processamento de carne, duas de lácteos, dez de rações e armazenagem e cinco centros de distribuição, segundo a Globo Rural e a CNN Brasil.

A vendedora é sul-mato-grossense. A Bello Alimentos foi fundada em 2006 em Itaquiraí (MS) e tem frigoríficos no município, em Aparecida do Taboado e em Eldorado, além de Balsa Nova (PR), e nove centros de distribuição em Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso e Pará. Produz carne de frango, suína, embutidos, pescados e camarão, entre outros itens. Segundo o governo do estado, a Bello e a Mar & Terra fazem parte do Grupo Pluma.

O que a Aurora leva

As empresas não informaram a produção atual da planta. Em agosto de 2024, a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) de Mato Grosso do Sul informou que o frigorífico tinha capacidade para abater 60 toneladas de peixe por dia e processava 25 toneladas de tilápia. O plano do grupo, segundo a secretaria, era chegar a 40 toneladas diárias até o fim daquele ano e depois usar toda a capacidade.

A estrutura nasceu como integração. Em outubro de 2020, o Grupo Pluma anunciou em Itaporã a primeira integradora de peixes do estado, com ampliação do frigorífico, fábrica de ração e contratos com produtores, e previa investir R$ 100 milhões até 2024 e gerar 200 empregos diretos, de acordo com o governo estadual. Na visita de 2024, o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável na época, Rogério Beretta, disse que o estado ajustaria linhas do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) para levar mais piscicultores ao sistema integrado da Bello. As fazendas visitadas produziam mais de 50 toneladas de tilápia por hectare, segundo ele.

A planta é uma das quatro indústrias credenciadas no subprograma Peixe Vida, que dá incentivo fiscal à cadeia. O alevino tem isenção de ICMS nas vendas dentro do estado e redução de 60% da alíquota nas interestaduais; o peixe recebe incentivo de 50% do ICMS nas operações internas e crédito outorgado de 50% nas interestaduais. Pelos dados citados pela Semadesc, Mato Grosso do Sul produziu 34,9 mil toneladas de peixe em 2023, o oitavo maior volume do país.

Exportação cai, preço sobe

A compra ocorre num ano de queda nas vendas externas de tilápia. Pelas contas do Campo em Pauta com dados do Comex Stat, o Brasil exportou 5,59 mil toneladas do peixe, inteiro ou em filé, fresco ou congelado, de janeiro a setembro, 38,5% menos que as 9,08 mil toneladas de igual período de 2025. A receita caiu 27,8%, de US$ 44,6 milhões para US$ 32,2 milhões.

Mato Grosso do Sul perdeu menos. O estado vendeu 1,07 mil tonelada até setembro, queda de 24,8% no volume, mas a receita recuou só 2,9%, de US$ 7,43 milhões para US$ 7,21 milhões, porque o preço médio subiu 29,1%, de US$ 5.193 para US$ 6.706 por tonelada. Com isso, a fatia sul-mato-grossense na exportação brasileira de tilápia subiu de 15,7% para 19,2%, atrás do Paraná, com 56,8%, e de São Paulo, com 21,5%.

A mudança de pauta explica parte do preço. Os filés passaram de 67,5% para 80,5% do volume exportado pelo estado, e a tilápia inteira congelada, vendida a US$ 2.271 a tonelada em 2025, sumiu da lista. O próprio filé ficou 16,8% mais caro, a US$ 7.624 por tonelada. Os Estados Unidos ficaram com 86,8% do volume, com 723 toneladas de filé, por US$ 5,6 milhões. Mato Grosso do Sul também abriu espaço no México: as 87 toneladas de filé vendidos aos mexicanos em 2026 são toda a tilápia que o Brasil exportou ao país no período. Em 2025, o estado tinha mandado só 100 quilos para lá.

Na nota de 2024, a Semadesc dizia que a piscicultura sul-mato-grossense, a exemplo das demais cadeias de proteína animal do estado, tem espaço para ampliar a produção. O comunicado da Aurora e da Bello não informa se a cooperativa vai manter a integração com os piscicultores da região nem se haverá investimento na planta.

Com informações de Globo Rural, CNN Brasil, Semadesc (governo de MS) e Comex Stat (MDIC).

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