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Boi bate recorde de R$ 389,20, mas vale 10% menos que em 2021 pelo IPCA; MT fica R$ 24 abaixo de SP

Pelo IGP-DI, a arroba paulista supera em 1% o pico real de 2020. Em quatro pregões, o boi de São Paulo subiu R$ 6,63 na Datagro e o de Mato Grosso, R$ 0,35, e a escala dos frigoríficos mato-grossenses voltou a 8,09 dias.

Por Redação Campo em Pauta ·

Grupo de bois brancos da raça Nelore pastando em capim verde, com uma árvore grande e céu nublado ao fundo
Gado Nelore na fazenda do Instituto de Zootecnia em Colina (SP), em 2019. Foto: Daniel Guimarães/Agricultura SP (CC BY 2.0)

O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq fechou a quinta-feira (29) em R$ 389,20 por arroba à vista em São Paulo, o terceiro recorde nominal seguido da série, iniciada em julho de 1997. A alta do dia foi de só 0,04%, depois de 1,28% na terça-feira (27) e de 0,71% na quarta-feira (28), e o mês acumula 6,84%. Na média a prazo calculada pelo centro de estudos da Esalq/USP, a arroba paulista foi a R$ 393,59.

Descontada a inflação, o recorde depende do índice usado. Pelas contas do Campo em Pauta com a série diária do Cepea, corrigida pelo IGP-DI, da Fundação Getulio Vargas, até setembro, o maior valor real anterior era o de 11 de novembro de 2020: R$ 292 na época, o equivalente a R$ 385,26 hoje. O boi de quinta fica 1% acima. Pelo IPCA, a inflação oficial medida pelo IBGE, a conta se inverte: os R$ 320 de 14 de abril de 2021 valem R$ 432,63 em reais de setembro de 2026, e a arroba atual ainda está 10% abaixo daquele pico.

Em dólar, a arroba recuou. O próprio indicador do Cepea, que havia marcado US$ 76,40 na sexta-feira (23), o maior da série em moeda americana, terminou a quinta em US$ 72,11, queda de 5,6%. No período, a PTAX do Banco Central subiu 6,7%, de R$ 5,0377 para R$ 5,3744, após a reeleição de Lula no domingo (25).

O mercado futuro parou de subir. Na B3, o contrato de novembro fechou a quinta a R$ 405,00 por arroba, queda de 0,20%, depois de três altas seguidas, e o de dezembro, a R$ 403,00, também com recuo de 0,20%. Pelas contas do Campo em Pauta, novembro paga R$ 15,80, ou 4,1%, acima do indicador à vista do Cepea.

Centro-Oeste fica para trás

Pelo Indicador do Boi Datagro de quinta, que pondera negócios à vista de até três dias úteis, a arroba de São Paulo ficou em R$ 389,05. Mato Grosso do Sul fechou em R$ 380,10, alta de 0,11% no dia; Goiás, em R$ 370,65, alta de 0,49%; e Mato Grosso, em R$ 365,01, queda de 0,28%, a segunda seguida. Pelas contas do Campo em Pauta, o boi sul-mato-grossense vale R$ 8,95 menos que o paulista; o goiano, R$ 18,40 menos; e o mato-grossense, R$ 24,04 menos.

A distância cresceu em uma semana. Entre a sexta-feira (23) e a quinta, a arroba paulista da Datagro subiu R$ 6,63, ou 1,7%. No mesmo intervalo, a goiana avançou R$ 4,75 (1,3%), a sul-mato-grossense, R$ 2,66 (0,7%), e a mato-grossense, R$ 0,35 (0,1%). Com isso, a diferença entre Mato Grosso e São Paulo passou de R$ 17,76 para R$ 24,04 por arroba. Em dólar, o boi de Mato Grosso caiu de US$ 73,06 para US$ 67,72, perda de 7,3%.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à Famato, registrou na quinta média estadual de R$ 355,00 por arroba à vista para o boi comum, sem prêmio China, alta de 0,28%, e de R$ 360,00 a prazo. A vaca gorda foi a R$ 330,73. A escala média dos frigoríficos do estado subiu 12,85% em um dia, para 8,09 dias, e chegou a 10,29 dias no oeste mato-grossense.

Nas praças, houve poucos negócios. Segundo o Cepea, citado pelo Canal Rural, o boi subiu R$ 5 por arroba em Rondonópolis (MT), com escalas de seis a 11 dias. Em Mato Grosso do Sul, os preços ficaram estáveis em Três Lagoas e Campo Grande, com reajuste pontual de R$ 5 em Cassilândia, e os negócios saíram entre R$ 370 e R$ 380. Em Goiás, Goiânia e Rio Verde tiveram menor interesse de compra por causa da dificuldade de escoar a carne, embora alguns negócios tenham saído com R$ 5 a mais. A Scot Consultoria contou altas em Dourados (MS), em Cuiabá e no norte e no sudoeste de Mato Grosso.

A diferença pesa no bolso de quem termina boi pesado em Mato Grosso. Na 27ª etapa do Circuito Nelore de Qualidade, realizada no frigorífico da Friboi em Diamantino (MT), 26 pecuaristas abateram 6.930 animais, 5.170 machos e 1.760 fêmeas, segundo o Giro do Boi. O lote campeão de machos a pasto com suplementação, de 160 bois da Fazenda Juquira, de Barra do Bugres, teve média de 23 arrobas. Pelas contas do Campo em Pauta, só pela diferença entre os indicadores de quinta do Imea e do Cepea, sem prêmios, cada um desses bois renderia R$ 786,60 a mais em São Paulo, ou R$ 125,9 mil no lote.

Carne não acompanha a arroba

Em São Paulo, a Scot manteve o boi em R$ 385 por arroba a prazo em Araçatuba e Barretos, com relatos de negócios a R$ 395 que ainda não viraram referência. Das 33 praças acompanhadas pela consultoria, 25 não mudaram de preço na quinta. Segundo a Scot, citada pela Globo Rural, a indústria relata dificuldade para repassar a alta à carne, que perdeu ritmo de venda no fim do mês. “Com a virada do mês, o repasse pode se concretizar com mais força”, afirmou a consultoria.

A oferta segue curta. A participação de fêmeas no abate sob Serviço de Inspeção Federal caiu para 26,9% em outubro, perto da média de cinco anos para o mês, de 26,6%, pela primeira vez em 2026, segundo a Scot. No atacado da Grande São Paulo, o Cepea calcula que um quilo de carcaça casada bovina comprou 3,24 quilos de frango resfriado na parcial de outubro, ante 2,71 quilos um ano antes. Frente ao suíno, que subiu cerca de 20% no mês, a relação caiu de 3,14 quilos em setembro para 2,63 quilos.

Na reposição, o Indicador do Bezerro Cepea/Esalq de Mato Grosso do Sul recuou 0,09% na quinta, para R$ 3.530,19 por cabeça, e acumula alta de 2,44% em outubro. Para a Scot, o rumo da arroba em novembro depende do consumo e da exportação. “A retomada do consumo doméstico no início de novembro e a intensificação das compras destinadas à China serão importantes para definir os próximos movimentos do mercado”, disse a consultoria.

Com informações de Cepea, IBGE/SIDRA, Banco Central (SGS, IGP-DI), Banco Central (PTAX), Imea, Datagro/BeefPoint, Notícias Agrícolas (B3), Canal Rural, Globo Rural e Giro do Boi.

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