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Ração para frango cresce 5,3% no semestre; abate em Goiás sobe 7,5% em peso, e em MS o de porcos, 58,3%

Sindirações vê volume em alta e margem apertada. No Centro-Oeste, a carne de frango abatida soma 1,06 milhão de t no semestre, e o milho exportado pela região cai 18,2% até setembro, com Goiás embarcando 64,9% menos.

Por Redação Campo em Pauta ·

Funcionário de boné verde opera um computador ao lado de um painel de controle com tela que mostra o esquema da fábrica; na bandeja da frente há ração em grânulos
Funcionário opera o painel de controle de uma fábrica de ração no Acre, em 2016. Foto: Angela Peres/Secom Acre (CC BY 2.0)

A indústria brasileira de alimentação animal produziu cerca de 45,2 milhões de toneladas de ração no primeiro semestre de 2026, ante 43,3 milhões em igual período de 2025, alta de 4,2%, segundo o boletim de outubro do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), divulgado na quarta-feira (28). Todos os segmentos cresceram, e a maior contribuição veio da avicultura de corte e da suinocultura.

As rações para frangos de corte somaram 19,9 milhões de toneladas, 5,3% mais que os 18,9 milhões de um ano antes. O acréscimo de cerca de 1 milhão de toneladas foi o maior em volume do setor, e o frango respondeu por cerca de 44% de toda a ração produzida no país no semestre. Na suinocultura, a produção passou de 10,6 milhões para 11,2 milhões de toneladas, alta de 5,4%. A ração de poedeiras avançou 1%, para 3,8 milhões de toneladas; a de gado de corte, 4%, para 2,86 milhões; e a de gado de leite, 1,8%, para 3,8 milhões.

O CEO da entidade, Ariovaldo Zani, diz que o volume não chega ao bolso do criador. “A expansão convive com pressões sobre a remuneração dos produtores, o que mostra que o avanço dos volumes nem sempre se traduz em maior rentabilidade”, afirmou. No quadro do boletim, o Sindirações resume a situação da avicultura de corte como “recorde de exportações; forte pressão sobre a rentabilidade do produtor” e a da suinocultura como “sobreoferta interna; baixo preço ao produtor independente”.

Centro-Oeste abate mais

O avanço da ração acompanha o dos abates na região. Pelas contas do Campo em Pauta com dados da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, do IBGE, os frigoríficos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás abateram 467,9 milhões de frangos no primeiro semestre de 2026, 3,9% mais que um ano antes, e produziram 1,06 milhão de toneladas de carcaças, alta de 5,8%. A região respondeu por 14,2% do peso de frango abatido no país, que cresceu 6,0% no período.

Goiás puxou o crescimento, com alta de 7,5% no peso das carcaças de frango, para 618,7 mil toneladas. Mato Grosso do Sul avançou 4,7%, para 220,9 mil toneladas, e Mato Grosso, 2,4%, para 224,7 mil toneladas. No caso dos suínos, o salto veio de Mato Grosso do Sul: o estado abateu 2,0 milhões de porcos no semestre, ante 1,28 milhão um ano antes (alta de 56,3% no número de cabeças), e o peso das carcaças subiu 58,3%, para 192,8 mil toneladas. Mato Grosso cresceu 3,9% em peso, e Goiás recuou 1,8%. Somados, os três estados produziram 420,6 mil toneladas de carcaças suínas, 21,4% mais que no primeiro semestre de 2025.

A carne de frango da região também sai mais para fora. Os três estados exportaram 452,6 mil toneladas de carnes e miúdos de aves de janeiro a setembro, 15,2% mais que em 2025, segundo o Comex Stat. No país, as exportações de frango superaram 2,9 milhões de toneladas no primeiro semestre, recorde para o período e alta de 12,9%, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), citada pelo Sindirações.

Milho e farelo

O milho da região tomou menos o caminho dos portos neste ano. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás exportaram 13,2 milhões de toneladas do grão de janeiro a setembro, 18,2% menos que os 16,1 milhões de igual período de 2025, pelos dados do Comex Stat. A queda foi maior em Goiás, de 2,8 milhões para 0,98 milhão de toneladas (−64,9%), e em Mato Grosso do Sul, de 1,27 milhão para 0,76 milhão (−40,1%). Mato Grosso, que concentra a maior parte dos embarques, vendeu 11,4 milhões de toneladas, 5,0% menos. Já o farelo de soja seguiu o caminho inverso: os três estados exportaram 10,1 milhões de toneladas, alta de 11,1%, e Goiás ampliou as vendas em 21,0%.

O custo da ração depende sobretudo desses dois ingredientes. No boletim, o Sindirações aponta que os indicadores posteriores ao semestre mostram perda de poder de compra do produtor de ovos diante da alta dos preços do milho e do farelo de soja, e que a desvalorização dos ovos e o encarecimento dos insumos levaram as relações de troca da postura “aos menores níveis reais dos últimos anos”. Em outubro, o milho deu algum alívio: o Indicador Cepea/Esalq, em Campinas (SP), fechou a quarta-feira em R$ 64,73 por saca, queda de 5,74% no mês.

Na pecuária de corte, a entidade vê a virada do ciclo mudar a demanda. Segundo o boletim, a maior retenção de matrizes, reforçada em setembro pela queda de mais de 30% no abate de fêmeas sob inspeção federal, pode sustentar a arroba e apertar a margem dos frigoríficos, e a ocupação maior dos cochos consolidou a recuperação do confinamento a partir de junho. Zani pondera que a mudança de ciclo não derruba na mesma proporção a procura por ração, porque vacas retidas para cria também precisam de suplementação.

Para o restante do ano, o Sindirações recomenda cautela. “Qualquer aumento da produção deve acompanhar sinais reais de consumo e exportação, porque produzir acima da capacidade de absorção do mercado transfere eficiência física para perda econômica”, escreveu Zani no editorial do boletim, em que cita juros reais elevados, endividamento rural, recuperações judiciais e crédito restrito entre os principais obstáculos internos do setor.

Com informações de Sindirações, Safras & Mercado, IBGE/SIDRA (Pesquisa Trimestral do Abate, tabela 1094), IBGE/SIDRA (Pesquisa Trimestral do Abate, tabela 1093), Comex Stat (MDIC) e Cepea/Esalq.

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