Newcastle tem 3º foco em SC, e Uruguai veta aves de todo o Brasil; MT, MS e GO venderam só 24 t aos uruguaios
Foco em Nova Erechim tem 9,6 mil aves sem sintomas e amplia em 9,5 km o raio de vigilância. Granja do 2º caso também fornece à MBRF, diz fonte; China suspende frigorífico de bois da empresa em SP, que desvia a produção para Várzea Grande (MT).

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou na terça-feira (27) o terceiro foco da doença de Newcastle em Santa Catarina, em um estabelecimento avícola de Nova Erechim, no oeste do estado. O caso foi encontrado pela vigilância ativa dentro da área de emergência sanitária montada após o primeiro registro. Segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), o foco envolve 9.600 aves, que não apresentavam sintomas, e o raio de vigilância foi ampliado em cerca de 9,5 quilômetros. Nem o ministério nem a Cidasc informaram a espécie das aves nem se a criação é comercial.
Os dois focos anteriores estão em fases diferentes. Em Nova Itaberaba, onde o vírus foi confirmado em 18 de outubro, as medidas sanitárias foram concluídas, a propriedade está em vazio sanitário e o foco foi encerrado, segundo a Cidasc. Em Coronel Freitas, onde o segundo caso foi confirmado no sábado (24), os 36,8 mil perus de corte da granja foram sacrificados e enterrados, e a limpeza e a desinfecção continuam. Entre os dias 20 e 26, a força-tarefa vistoriou 133 propriedades comerciais e 551 de subsistência e mantém quatro barreiras sanitárias. Nova Itaberaba, Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias seguem em emergência sanitária.
A granja de Coronel Freitas também é fornecedora da MBRF, assim como a de Nova Itaberaba, informou a Globo Rural com base em uma fonte que acompanha o caso. Procurada pela revista, a empresa disse que não comentaria.
Uruguai fecha a porta ao país inteiro
O Uruguai entrou no grupo de países que barram as aves de todo o Brasil. A Resolução nº 244/026 da Direção-Geral de Serviços Pecuários do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca uruguaio, datada de 22 de outubro, suspende, em caráter transitório, a entrada e o trânsito pelo país de animais suscetíveis à doença e de seus produtos e subprodutos brasileiros elaborados depois de 6 de setembro. Ficam liberados produtos de aves e ovos submetidos a tratamento térmico que inative o vírus. O Mapa avisou os auditores fiscais da medida em ofício na segunda-feira (26), segundo a Globo Rural e a CNN Brasil. Na nota pública do ministério, atualizada às 11h35 de terça, as suspensões nacionais ainda eram só as de Malásia e México.
Os demais vetos seguem regionalizados. No ofício do Mapa descrito pela Globo Rural, a certificação de aves de todo o estado de Santa Catarina está suspensa para Cazaquistão, Chile, China, Malásia (Sarawak), Paraguai, Peru, Tadjiquistão, Turquia, Ucrânia, União Aduaneira Euroasiática e Uzbequistão. Outros 48 destinos, entre eles Arábia Saudita, Argentina, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Japão, Reino Unido e União Europeia, barram só os produtos da área de 10 quilômetros em torno do foco, em alguns casos apenas para itens específicos. A Argentina confirmou que mantém liberadas as aves de zonas livres, com certificação oficial de origem.
Pelas contas do Campo em Pauta com dados do Comex Stat, o Uruguai comprou 1,21 mil toneladas de carne de aves do Brasil de janeiro a setembro, por US$ 2,64 milhões, e mais 4,98 mil toneladas de preparações de frango, por US$ 13,82 milhões, produto que pode se enquadrar na exceção para itens tratados termicamente, a depender da certificação. Dos três estados do Centro-Oeste, só Mato Grosso do Sul vendeu carne de aves aos uruguaios no período: 24 toneladas, por US$ 64 mil. Mato Grosso e Goiás não embarcaram nada para lá.
Somados, os três mercados fechados ao país inteiro (México, Malásia e Uruguai) levaram 190 mil toneladas de carne de aves do Brasil até setembro, 4,6% do total exportado. Paraná e Santa Catarina responderam por 70,5% desse volume, e Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, por 7,6%. Enquanto isso, as vendas externas de carne de aves dos três estados cresceram 15,2% em volume, para 452,6 mil toneladas, e 22,7% em receita, para US$ 934,7 milhões, na comparação com os nove primeiros meses de 2025.
Paraná reforça a divisa
No maior estado produtor, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) ampliou a fiscalização do trânsito de aves vivas, sobretudo frangos e perus, nos postos fixos das divisas e em operações volantes no interior, com conferência de documentação, origem, destino e desinfecção dos veículos. Segundo a agência, os exames dos programas de monitoramento não detectaram Newcastle nem influenza aviária no estado. “Tendo em vista que o Paraná é o maior produtor e exportador de carne de frango do Brasil, sendo responsável por aproximadamente 35% da produção nacional, faz-se necessária a atuação contínua da Adapar na proteção dos nossos plantéis”, afirmou Rafael Gonçalves Dias, chefe do Departamento de Saúde Animal. Em 2025, o estado exportou 2,05 milhões de toneladas de frango, por US$ 3,53 bilhões.
MBRF perde a China em Promissão
Em outra frente, a Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) suspendeu, a partir da quinta-feira (22), as compras de carne bovina do frigorífico da MBRF em Promissão (SP), registrado no SIF 2543. A medida não tem relação com a Newcastle, e a autoridade chinesa não informou o motivo nem o prazo. Em nota, a MBRF disse que está redirecionando os volumes para o complexo de Várzea Grande (MT), que tem “plena capacidade” para atender a China, e que a unidade paulista mantém as demais habilitações, inclusive para os Estados Unidos. Segundo a Globo Rural, outras cinco plantas brasileiras estão suspensas pelos chineses, três delas em Mato Grosso: Frialto em Matupá, JBS em Pontes e Lacerda e Sulbeef em Várzea Grande. A Abiec não comentou.
O Mapa afirma que o consumo de produtos avícolas com inspeção oficial é seguro e que negocia com os importadores a retomada do comércio. A Adapar orienta produtores, responsáveis técnicos e integradoras a reforçar já a biosseguridade, com aviários sem frestas, telas íntegras, portões fechados e acesso restrito de pessoas e veículos.
Com informações de Mapa, Cidasc, MGAP (Uruguai), Adapar, Globo Rural, Globo Rural / Valor, CNN Brasil, Canal Rural e Comex Stat (MDIC).





