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Newcastle tem 2º foco em SC e vírus em pombos fora da área; veto do México trava 1,4 mil t/mês do Centro-Oeste

O novo caso fica a 3 km do primeiro, em Coronel Freitas. A Arábia Saudita reduz a restrição a um raio de 10 km, e 96,8% das aves exportadas por MT, MS e GO vão a mercados que seguem abertos à região.

Por Redação Campo em Pauta ·

Centenas de perus brancos de cabeça vermelha aglomerados em um galpão de criação, vistos de perto.
Perus em granja de criação comercial nos Estados Unidos, em imagem do Departamento de Agricultura dos EUA divulgada em 2013. Foto: Scott Bauer/USDA (domínio público)

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou na noite de domingo (25) um novo foco de doença de Newcastle em Santa Catarina, num estabelecimento avícola de Coronel Freitas, no oeste do estado, dentro da área de restrição montada após o primeiro caso, confirmado em 18 de outubro numa granja de perus de corte de Nova Itaberaba. Segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), o novo foco é um núcleo de perus de corte e foi confirmado por sequenciamento genético entre sexta (23) e sábado (24). O local fica a 3 quilômetros do primeiro, segundo a Globo Rural.

A vigilância achou o vírus também fora da área de emergência. O serviço veterinário oficial confirmou a infecção pelo paramixovírus aviário tipo 1 (PPMV-1) em pombos de vida livre em Marema, município fora do perímetro. Para o Mapa, o caso não tem relação epidemiológica com os focos em aves comerciais e, pelas definições da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), “não configura um foco de doença de Newcastle”. A Cidasc informou que os pombos já apresentavam sinais clínicos e que o foco de Coronel Freitas “também foi originado pelo vírus transmitido pelos pombos”.

O despovoamento das aves da nova granja já começou. “Devido à proximidade entre o novo estabelecimento e a propriedade onde foi identificado o primeiro foco, houve apenas um pequeno ajuste na área de restrição, que permanece sob vigilância”, informou o ministério. Segundo a Cidasc, mais de 70% da zona de vigilância do novo foco coincide com a do primeiro, e 15 granjas comerciais da região testaram negativo e foram liberadas para o abate. Até sábado, as equipes haviam concluído a primeira rodada de vigilância em mais de 160 propriedades comerciais, com 78 coletas de amostras e quatro barreiras sanitárias ativas 24 horas por dia. A granja do primeiro foco já está em vazio sanitário.

O que muda nas restrições

Antes do segundo foco, o quadro comercial havia melhorado num ponto. A Arábia Saudita, terceiro maior destino do frango brasileiro, avisou a embaixada do Brasil em Riade que a suspensão da certificação deve ficar limitada à área de 10 quilômetros em torno do foco, e não a todo o estado de Santa Catarina, como em 2024, segundo ofício circular do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) enviado na quinta-feira (22) e obtido pela Globo Rural. Ainda não houve manifestação oficial saudita.

O México foi na direção oposta. Comunicado recebido em Brasília na quinta ratificou que as restrições mexicanas valem para todo o território brasileiro e não definiu datas de corte, segundo o mesmo ofício. A Malásia também barra o Brasil inteiro, com exceção dos estados de Sabah e Sarawak, onde o veto se limita a Santa Catarina. A China aceitará cargas embarcadas até 20 de outubro, data em que suspendeu 14 frigoríficos catarinenses. Para os países que não informaram data, o Mapa orienta os auditores a usar como referência 21 de setembro, dia da coleta das primeiras amostras.

Além da China, vetam todo o estado de Santa Catarina Cazaquistão, Chile, Paraguai, Peru, Tadjiquistão, Turquia, Ucrânia, Uzbequistão e a União Aduaneira Euroasiática, além de Sabah e Sarawak. Na lista do Dipoa, 50 destinos aparecem com restrição aos produtos da área de 10 quilômetros em torno do foco, entre eles Japão, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos e União Europeia.

Centro-Oeste segue aberto em 96,8% das vendas

Para os frigoríficos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, o peso dos vetos nacionais segue limitado. Pelas contas do Campo em Pauta com dados do Comex Stat, os três estados exportaram 452,6 mil toneladas de carnes e miúdos de aves de janeiro a setembro de 2026, 15,2% mais que em igual período de 2025, por US$ 934,7 milhões. México e Malásia, os dois mercados fechados ao país inteiro, levaram 14,4 mil toneladas, ou 3,2% do volume. Os outros 96,8% foram para destinos que continuam comprando da região.

O México é a perda maior. A região vendeu 12,8 mil toneladas aos mexicanos em nove meses, por US$ 28,5 milhões, média de 1,4 mil toneladas por mês; só em setembro, foram 2,0 mil toneladas. Mato Grosso do Sul respondeu por 6,0 mil toneladas, Goiás por 5,3 mil e Mato Grosso por 1,4 mil. Os números consideram a posição 0207 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que inclui frango, peru e miúdos.

Em Mato Grosso do Sul, a Federação da Agricultura e Pecuária (Famasul) ainda não estima o prejuízo. Segundo a consultora técnica Fernanda Lopes, o efeito dependerá de quanto tempo as restrições vão durar e da capacidade de redirecionar as vendas para outros mercados. A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) informou que mantém vigilância ativa e passiva nas granjas do estado.

O segundo foco reforça a recomendação que o setor produtivo vinha fazendo. A Famasul pede controle de acesso de pessoas e veículos, higienização das instalações e, sobretudo, que se evite o contato entre as aves de criação e as aves silvestres, o mesmo ponto destacado pela Cidasc depois da confirmação do vírus em pombos: telas nos aviários, controle de pragas e desinfecção de veículos, equipamentos e calçados.

Com informações de Mapa, Cidasc, Globo Rural, Campo Grande News e Comex Stat (MDIC).

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