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Boi bate recorde de R$ 381,40 e sobe 22,5% em 12 meses; MT tem alta de 2,3% na semana e escala de 7,9 dias

Na B3, o contrato de novembro paga R$ 392,45, R$ 11,05 acima do boi à vista. Nos EUA, a entrada de gado nos confinamentos cai 12% e vai ao menor nível para setembro desde 1996.

Por Redação Campo em Pauta ·

Touro zebuíno branco e cinza, com cupim escuro, atrás de uma cerca de arame e mourões de madeira, ao lado de um cocho de cimento, em piquete de terra vermelha.
Touro em piquete do Centro de Bovinos de Corte do Instituto de Zootecnia, em Sertãozinho (SP), em 2025. Foto: Gilberto Marques/Secretaria de Agricultura de SP (CC BY 2.0)

O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, referência para São Paulo, fechou a sexta-feira (23) em R$ 381,40 por arroba à vista, alta de 0,22% no dia e novo recorde nominal da série, acima dos R$ 380,70 de 16 de outubro. Em dólar, a arroba valeu US$ 76,40, também o maior valor da série histórica do centro de estudos da Esalq/USP. Pelas contas do Campo em Pauta, o boi paulista está 22,5% mais caro que um ano antes, quando valia R$ 311,40, e acumula alta de 20% sobre a mínima de 2026, de R$ 317,85, registrada em 15 de janeiro.

Em São Paulo, a semana terminou com ganho de só 0,18% sobre a sexta-feira anterior, e o mês acumula 4,69%. Nas outras praças, a alta foi mais forte. Pelas médias a prazo da Safras & Mercado, a arroba subiu 2,3% em Cuiabá, para R$ 360,81, e 2,1% em Dourados (MS), para R$ 380,45, enquanto Goiânia avançou 0,7%, para R$ 371,25, e a capital paulista, 0,6%, para R$ 386,25, segundo o Canal Rural. Para o analista Fernando Iglesias, da consultoria, as escalas de abate seguem entre cinco e seis dias úteis na maior parte do país. “A dificuldade para alongar as programações indica que o mercado continua vulnerável a novos episódios de alta, inclusive em São Paulo”, afirmou.

Escala encurta em Mato Grosso

Em Mato Grosso, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à Federação da Agricultura e Pecuária do estado (Famato), fechou a sexta com média estadual de R$ 350,12 por arroba à vista, alta de 0,11% no dia, e R$ 355,12 a prazo, ante R$ 353,11 a prazo uma semana antes. Na indústria, a escala média dos frigoríficos mato-grossenses caiu de 9,98 dias em 16 de outubro para 7,91 dias em 23 de outubro, recuo de dois dias de abate programado em uma semana. A vaca gorda ficou em R$ 324,33 à vista.

O Indicador do Boi Datagro, que pondera negócios à vista de até três dias úteis, registrou na sexta R$ 382,42 em São Paulo, alta de 0,36%. Entre os estados do Centro-Oeste, a maior alta do dia foi em Mato Grosso, de 0,73%, para R$ 364,66. Mato Grosso do Sul ficou em R$ 377,44 (mais 0,17%) e Goiás, em R$ 365,90 (mais 0,12%). Pelas contas do Campo em Pauta com os números da Datagro, o boi sul-mato-grossense vale R$ 4,98 menos que o paulista; o goiano, R$ 16,52 menos; e o mato-grossense, R$ 17,76 menos. Em dólar, a arroba de São Paulo saiu a US$ 76,62, e a de Mato Grosso do Sul, a US$ 75,62.

A sexta-feira terminou com poucos negócios, segundo a Scot Consultoria, citada pela Globo Rural. Das 33 praças acompanhadas pela consultoria, 28 não mudaram de preço, e em Araçatuba e Barretos (SP) o boi seguiu a R$ 380 por arroba a prazo. A oferta de boiadas estava enxuta, e os pecuaristas seguravam os lotes à espera de preço melhor, o que sustentou as cotações mesmo com o consumo mais fraco do fim do mês. Em São Paulo, as escalas atendiam, em média, sete dias; alguns frigoríficos com programação mais longa ofertavam abaixo da referência.

B3 aposta em R$ 392

O mercado futuro indica novas altas. Na B3, o contrato de outubro fechou a sexta a R$ 384,55, alta de 0,40%, e o de novembro, a R$ 392,45. Dezembro foi negociado a R$ 392,95, e março de 2027, a R$ 394,40. Pelas contas do Campo em Pauta, o contrato de novembro paga R$ 11,05 por arroba, ou 2,9%, acima do indicador à vista do Cepea.

No atacado, a margem para repassar ficou menor. Segundo Iglesias, só os cortes do dianteiro subiram na semana: o quarto dianteiro foi a R$ 22,30 por quilo, alta de 1,36%, enquanto o traseiro ficou parado em R$ 29,50. “A carne bovina continua enfrentando forte concorrência das proteínas substitutas, especialmente da carne de frango, que apresenta ampla vantagem de preço”, afirmou. Na exportação, o Brasil embarcou 107,8 mil toneladas de carne bovina in natura nos 11 primeiros dias úteis de outubro, média de 9,8 mil toneladas por dia, 32,7% abaixo de outubro de 2025 e 5,5% acima de setembro, pelos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A tonelada saiu, em média, a US$ 6.226,70, alta de 12,4% em um ano.

Menos boi no cocho americano

Do lado dos Estados Unidos, a oferta segue curta. O relatório Cattle on Feed, divulgado na sexta-feira (23) pelo Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas (NASS) do Departamento de Agricultura (USDA), mostra que os confinamentos com capacidade para mais de mil cabeças receberam 1,78 milhão de animais em setembro, 12% menos que um ano antes e o menor volume para o mês desde o início da série, em 1996. A saída de gado terminado para abate caiu 7%, para 1,52 milhão de cabeças, também a menor para setembro na série. Em 1º de outubro, havia 11,37 milhões de bovinos nos cochos, 0,4% abaixo de 2025.

Foi o terceiro mês seguido de entrada no menor nível histórico, segundo Patrick Linnell, diretor de pesquisa de mercado da consultoria CattleFax, em entrevista citada pela Drovers e pelo BeefPoint. Para ele, a sequência vai reduzir a disponibilidade de bois prontos no primeiro trimestre de 2027, com efeito que pode chegar ao segundo. Linnell atribui a queda à produção de bezerros, que o USDA estima cerca de 500 mil cabeças menor em 2026, à seca, à retenção de novilhas e ao fluxo ainda limitado de gado do México. A redução da capacidade de abate dos frigoríficos americanos, ressalvou, pode impedir novos recordes de preço por lá.

Como mostrou o Campo em Pauta, o USDA já prevê queda na produção de carne bovina do Brasil, dos EUA e da Austrália em 2027. No Brasil, o que sustenta a arroba agora, segundo a Scot, é a oferta enxuta e a postura de quem vende: os pecuaristas seguram os lotes em busca de preço melhor, e a B3 já negocia novembro acima do físico.

Com informações de Cepea/Esalq, Cepea/Esalq (série histórica), Imea, Imea (boletim semanal nº 919), BeefPoint / Datagro, Canal Rural / Safras & Mercado, Globo Rural, Notícias Agrícolas (B3), USDA NASS (Cattle on Feed) e BeefPoint.

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