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Israel paga 36% mais pela carne de MT, que vira a maior fornecedora; compra de adubo israelense sobe 31%

Tonelada vendida aos israelenses sai a US$ 8.401, ante média de US$ 6.177 nas exportações do estado, e Mato Grosso passa o Pará, com US$ 67,5 milhões até setembro. Na volta, o Brasil já gastou US$ 490,2 milhões em adubo de Israel, quase o total de 2025, e um terço do volume foi para MT.

Por Redação Campo em Pauta ·

Peças de língua bovina congelada embaladas em plástico, com rótulos da marca Friboi, selo do SIF do Ministério da Agricultura e etiquetas em hebraico com a palavra Kosher.
Línguas bovinas congeladas exportadas pelo Brasil, com selo do SIF e rótulo em hebraico de importador israelense, em 2020. Foto: Vcohen (CC BY-SA 4.0)

Israel, que foi às urnas na terça-feira (27), comprou US$ 202,1 milhões em carne bovina in natura do Brasil de janeiro a setembro de 2026, 8,1% mais que no mesmo período do ano passado, pelas contas do Campo em Pauta com dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O volume caiu 11,8%, para 25,9 mil toneladas, mas o preço subiu: a tonelada saiu em média a US$ 7.788, alta de 22,5% em um ano e 26,9% acima do preço médio que o Brasil recebeu de todos os compradores, de US$ 6.137.

Mato Grosso virou o maior fornecedor dos israelenses em valor. O estado embarcou 8,04 mil toneladas, 10,6% mais, e faturou US$ 67,51 milhões, alta de 28,3%, à frente do Pará, que somou US$ 63,22 milhões, apesar de ter vendido mais em volume, 8,95 mil toneladas. Em 2025, de janeiro a setembro, os paraenses lideravam com US$ 72,01 milhões, ante US$ 52,61 milhões de Mato Grosso.

A carne mato-grossense vendida a Israel saiu a US$ 8.401 por tonelada, 36% acima da média de US$ 6.177 que o estado recebeu em todas as suas exportações de carne bovina in natura no período. O mercado israelense respondeu por 1,9% da receita de Mato Grosso com a carne, que somou US$ 3,5 bilhões até setembro.

Mato Grosso do Sul foi na direção contrária: as vendas a Israel caíram 28,9% em volume, para 4,09 mil toneladas, e 15,8% em valor, para US$ 30,88 milhões. Goiás praticamente não vende ao país. Somados, os três estados do Centro-Oeste faturaram US$ 98,94 milhões, 49% de toda a carne bovina brasileira embarcada para os israelenses. No ranking de 2026, Israel é o 11º maior comprador da carne bovina in natura do Brasil em valor.

Pelos dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura, citados pela CNN Brasil, as carnes renderam US$ 238,82 milhões em vendas a Israel em 2025, 49,7% de tudo o que o agro brasileiro exportou ao país, e as exportações do agronegócio aos israelenses somaram US$ 486,27 milhões de janeiro a setembro de 2026, mais que em todo o ano anterior.

Adubo na mão contrária

Na direção oposta, Israel é fornecedor de fertilizantes. De janeiro a setembro, o Brasil importou 1,40 milhão de toneladas de adubos israelenses, por US$ 490,2 milhões, alta de 12,8% no volume e de 31,3% no valor sobre o mesmo período de 2025, pelas contas do Campo em Pauta. Em nove meses, o gasto já equivale a 98,2% do total de 2025, de US$ 499 milhões.

O cloreto de potássio responde pela maior parte: 875,2 mil toneladas, por US$ 304,8 milhões. O preço médio da tonelada importada subiu de US$ 290,60 para US$ 348,30, alta de 19,8% em um ano, e esse valor em dólar passou a pesar mais no bolso do produtor com a disparada da moeda americana depois da reeleição de Lula, na segunda-feira (26).

Mato Grosso aparece no Comex Stat como destino de 454,7 mil toneladas dos fertilizantes israelenses, 32,5% do volume, por US$ 139,7 milhões, alta de 29,7%. Pelas contas do Campo em Pauta, o estado gastou com adubo de Israel 2,07 vezes o que faturou vendendo carne bovina aos israelenses. As compras de defensivos agrícolas de Israel, que somaram US$ 101,8 milhões em 2025, caíram 38,4% até setembro, para US$ 45,5 milhões.

No saldo geral, o Brasil exportou US$ 545,6 milhões em todos os produtos para Israel de janeiro a setembro e importou US$ 1,09 bilhão, déficit de US$ 547 milhões. A eleição israelense de terça foi a primeira desde os ataques do Hamas, em outubro de 2023, e o início da guerra no Oriente Médio, segundo a CNN Brasil.

Para o pecuarista de Mato Grosso, o mercado israelense paga acima da média, mas tem peso pequeno na receita do estado: a China e os Estados Unidos concentram a maior parte das vendas de carne bovina do Centro-Oeste. No país, a conta do adubo israelense cresceu 31,3% em nove meses, quase quatro vezes a alta de 8,1% da receita com a carne vendida para lá.

Com informações de CNN Brasil, Comex Stat (MDIC) - exportações 2026, Comex Stat (MDIC) - exportações 2025, Comex Stat (MDIC) - importações 2026 e Comex Stat (MDIC) - importações 2025.

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