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Pecuária

EUA liberam US$ 1,8 bi e mais pasto para refazer rebanho; Centro-Oeste lidera venda de carne aos americanos

Com 86,2 milhões de cabeças, os EUA devem importar 17,8% mais carne bovina em 2026, prevê o USDA. GO, MT e MS embarcaram 182 mil toneladas aos americanos até setembro.

Por Redação Campo em Pauta ·

Vaca avermelhada com brinco amarelo na orelha em primeiro plano e outros bovinos ao fundo, em pastagem seca de arbustos
Gado em área de pastejo em terras públicas a leste de Steens Mountain, no Oregon (EUA), em 2022. Foto: Greg Shine/BLM Oregon & Washington (Domínio público)

O governo dos Estados Unidos anunciou novas medidas para tentar reconstruir o rebanho bovino do país. Em 8 de outubro, o Departamento de Agricultura (USDA) informou que vai pagar cerca de US$ 1,8 bilhão a produtores e donos de terra pelo Programa de Reserva de Conservação (CRP). No mesmo dia, a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, enviou uma carta aos pecuaristas que usam pastagens em florestas federais para que ponham em prática uma diretriz que amplia o pastejo nessas áreas.

Os pagamentos do CRP são anuais e vão para quem mantém áreas com cobertura vegetal de conservação. Parte deles é do Grassland CRP, modalidade que protege pastagens e permite continuar o pastejo e a produção de feno. Neste ano, a Agência de Serviços Agrícolas (FSA) aceitou propostas para quase 1 milhão de acres novos, cerca de 405 mil hectares, nessa modalidade, que deve passar a responder por mais de 40% da área do programa. O dinheiro não vai só para a pecuária: os estados que mais recebem são Iowa, Illinois, Minnesota, Dakota do Sul e Missouri.

“Enquanto continuamos trabalhando para reconstruir o rebanho americano, o anúncio de hoje ajudará nesse esforço ao proteger quase 1 milhão de acres de pastagens para os nossos pecuaristas”, afirmou Rollins, em comunicado do USDA.

Mais gado em terras federais

A carta vale para quem tem autorização de pastejo em áreas do Serviço Florestal. Segundo o USDA, o Serviço Florestal e o Bureau of Land Management (BLM), do Departamento do Interior, administram cerca de 240 milhões de acres de pastagens, perto de 97 milhões de hectares, em 28 estados, com mais de 23 mil pecuaristas autorizados. A diretriz de junho determina que o Serviço Florestal:

  • recupere pelo menos 500 mil cabeças-mês (um animal pastando durante um mês) em florestas nacionais em até dois anos;
  • não reduza as unidades animal-mês nas áreas de pastejo já em uso;
  • reabra ao gado áreas desocupadas ou fechadas;
  • melhore o planejamento contra incêndios, inclusive com o uso de cercas virtuais.

As medidas fazem parte do Ranchers First, pacote do governo Trump para a pecuária, e se somam ao plano para fortalecer a indústria americana de carne bovina, lançado em 20 de outubro de 2025.

A recuperação ainda é lenta. Segundo o Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas (NASS), os EUA tinham 86,2 milhões de bovinos em 1º de janeiro de 2026, pouco abaixo dos 86,5 milhões de um ano antes, e as vacas de corte caíram 1%, para 27,6 milhões. Em 1º de julho, o órgão contou 94,2 milhões de cabeças, praticamente o mesmo de 2025, e 3,8 milhões de novilhas de corte separadas para reposição, 3% a mais. A safra de bezerros de 2026, porém, deve ser de 32,5 milhões de cabeças, 2% menor.

Mais espaço para a carne brasileira

Com menos animais, a produção cai e a importação sobe. Na estimativa de outubro, o USDA projeta que os EUA produzam 24,87 bilhões de libras-peso de carne bovina em 2026, cerca de 11,3 milhões de toneladas em equivalente carcaça, 4,6% a menos que em 2025. As importações devem chegar a 6,35 bilhões de libras, cerca de 2,9 milhões de toneladas, 17,8% acima do ano passado. Para 2027, o órgão prevê produção e importação um pouco menores que em 2026.

O Brasil tem ocupado esse espaço. De janeiro a setembro, o país exportou 285,4 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada aos EUA, com receita de US$ 1,72 bilhão, segundo o Comexstat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O volume é 56% maior que no mesmo período de 2025, e a receita, 83% maior. Os americanos são o segundo destino da carne bovina brasileira, com 13,5% do volume, atrás da China, com 41,8%.

O Centro-Oeste responde pela maior parte. Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul embarcaram juntos 182 mil toneladas aos EUA até setembro, 63,8% do total, com receita de US$ 1,09 bilhão:

  • Goiás: 75,2 mil toneladas e US$ 458,4 milhões, 44% a mais em volume que em 2025;
  • Mato Grosso: 54,2 mil toneladas e US$ 319,5 milhões, mais que o dobro das 23 mil toneladas de 2025;
  • Mato Grosso do Sul: 52,6 mil toneladas e US$ 309,3 milhões, alta de 48% em volume.

Só em setembro, o Brasil embarcou 44,4 mil toneladas de carne bovina aos EUA, o maior volume mensal do ano.

Com informações de USDA/Farm Service Agency (pagamentos do CRP), USDA/Farm Service Agency (diretriz de pastejo), USDA/NASS (Cattle, janeiro de 2026), USDA/NASS (Cattle, julho de 2026), USDA (WASDE, outubro de 2026), Comexstat/MDIC e BeefPoint.

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