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MFG, do grupo MBRF, quer abater 306 mil bois confinados em 2027, com 4 de 6 unidades no Centro-Oeste

Empresa deixou duas unidades arrendadas e vai ampliar Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis (MT); em MT, 80% do gado confinado deve ir ao abate no 2º semestre.

Por Redação Campo em Pauta ·

Boi Nelore numerado come em cocho de concreto dentro de curral cercado por mourões de madeira, com outro animal atrás
Bois Nelore se alimentam no cocho em curral do Centro de Bovinos de Corte do Instituto de Zootecnia, em Sertãozinho (SP), em 2025. Foto: Gilberto Marques/Secretaria de Agricultura de SP (CC BY 2.0)

A MFG Agropecuária, empresa de confinamento do grupo MBRF, resultado da fusão entre Marfrig e BRF, planeja abater cerca de 306 mil bovinos em 2027, perto do seu recorde, mesmo depois de encolher a estrutura. A conta é de três giros de 102 mil animais por ano, a capacidade estática atual das seis unidades da empresa, segundo o gerente executivo de Confinamento, Wagner Lopes, em entrevista ao Broadcast Agro reproduzida pelo BeefPoint.

No fim de 2025, a MFG deixou os confinamentos arrendados de Pereira Barreto (SP) e Campo Verde (MT), por não chegar a acordo para renovar os contratos. Com oito unidades, a empresa abateu 328 mil cabeças em 2024, seu pico, e 322.980 em 2025. Para 2026, a estimativa é de 255 mil a 265 mil animais, com a operação girando 2,5 vezes por ano.

Onde ficam os confinamentos

Quatro das seis unidades estão no Centro-Oeste:

  • Mato Grosso: Tangará da Serra, que deve passar de 21 mil para 30 mil cabeças de capacidade estática em dois anos, e Campo Novo do Parecis, de 26 mil para 30 mil.
  • Mato Grosso do Sul: Coxim.
  • Goiás: Mineiros.
  • Fora da região: Cotegipe (BA) e Sabino (SP), única unidade arrendada, da família Bertin, que subiu de 18 mil para 21 mil cabeças neste ano.

Segundo o AgFeed, os confinamentos ficam sempre perto de frigoríficos da MBRF, que é a única cliente da MFG. A empresa trabalha com gado próprio e de parceiros, no sistema de boitel, em que o pecuarista paga pela engorda dos seus animais na estrutura da confinadora.

O plano é girar mais vezes a mesma estrutura para diluir o custo fixo por cabeça. A MFG investe em automação do trato, identificação eletrônica e câmeras que estimam o peso, para tirar o animal do cocho assim que o ganho deixa de pagar a diária. A compra do boi magro representa de 70% a 80% do custo do confinamento, segundo Lopes, e a meta é que um animal que sairia com 20 arrobas chegue a 21.

A procura pelo serviço segue alta, mesmo com a China comprando menos carne brasileira no segundo semestre. Segundo o executivo, já havia fila em maio para entregar animais em setembro, e em outubro as estruturas estavam totalmente ocupadas. Lopes disse que o mercado futuro já oferece perto de R$ 400 por arroba para janeiro, nível usado pela empresa como referência para travar preços.

Peso do confinamento na oferta do 2º semestre

Em Mato Grosso, a fatia do gado confinado na oferta de fim de ano é grande. O levantamento de julho do Imea estima 1,33 milhão de cabeças confinadas no estado em 2026, 43,41% acima do consolidado de 2025. O próprio instituto pondera que parte do aumento vem do maior número de participantes da pesquisa. Pelas respostas, 80,74% desses animais devem ir ao abate no segundo semestre, e 48,31% só entre setembro e novembro.

Para o Imea, essa concentração coincide com o fim da cota chinesa de 2026, o que amplia o peso do mercado interno e de outros compradores, mas o quadro tende a mudar no fim de outubro, quando os frigoríficos podem antecipar compras para embarcar em novembro. Em todo o país, a prévia do Censo de Confinamento da dsm-firmenich projeta 9,78 milhões de cabeças confinadas em 2026, alta de 5,7%. Mato Grosso lidera, com 2,4 milhões; Goiás deve ter cerca de 1,4 milhão, e Mato Grosso do Sul, 900 mil.

Com informações de BeefPoint (entrevista ao Broadcast Agro), AgFeed, MFG Agropecuária, Imea (2º Levantamento das Intenções de Confinamento 2026) e CNN Brasil (prévia do Censo de Confinamento dsm-firmenich).

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