Cota extra dos EUA para carne enche só 37% no 1º mês; Brasil embarca 44 mil toneladas em setembro
Até 28 de setembro, entraram 37,5 mil das 100 mil toneladas liberadas; com preço da carne moída quase parado, decreto de Trump prevê encerrar a cota se o desconto não chegar ao consumidor.

A cota extra de importação de carne bovina aberta pelos Estados Unidos em 1º de setembro trouxe bem menos carne do que o permitido no primeiro mês. Até 28 de setembro, entraram 37.486 toneladas na primeira parcela, de 100 mil toneladas, e sobraram 62.514 toneladas, segundo levantamento do economista James Mitchell, da Universidade do Arkansas, com dados da alfândega americana, divulgado pela RFD-TV.
A medida, criada por proclamação do presidente Donald Trump em 26 de agosto, libera 300 mil toneladas de carne magra para moer (as chamadas aparas, ou trimmings) com tarifa reduzida, em três parcelas mensais de 100 mil toneladas. A primeira valeu de 1º a 30 de setembro. A segunda abriu em 1º de outubro e vai até o dia 30, e a terceira, de 31 de outubro a 30 de novembro, segundo a alfândega (CBP). Todo o volume foi destinado ao grupo de "outros países", em que Brasil e Paraguai são os únicos grandes fornecedores, segundo o site americano Meatingplace.
Pelas contas de Mitchell, só de 8.054 a 21.936 toneladas seriam carne que não teria entrado nos EUA sem a cota. O intervalo varia conforme a comparação com as projeções do Departamento de Agricultura (USDA) e com as importações históricas dos países beneficiados. Para o economista, as 100 mil toneladas adicionais de setembro não se materializaram, e o preço da carne no varejo não mudou de forma perceptível.
Carne moída quase no mesmo preço
A Federação Americana de Agricultores (AFBF) acompanhou diariamente o preço da carne moída com 80% de carne magra em 41 supermercados de 22 estados. A média passou de US$ 7,29 a libra (cerca de 454 gramas) em 2 de setembro para US$ 7,13 em 23 de setembro, queda de 2%. Em 30 lojas, o preço ficou igual ao do início do mês, e só três chegaram ao desconto de 25% sugerido pela Casa Branca.
Esse é o ponto de atenção para o Brasil. A proclamação manda o USDA e o Representante Comercial dos EUA verificarem se a carne que entra pela cota está sendo vendida 25% abaixo do preço de mercado. Se não estiver, o presidente pode eliminar o volume que ainda resta. No texto, Trump diz que pode encerrar a medida para, entre outros motivos, evitar um ganho extraordinário para produtores estrangeiros. Fora da cota, a carne paga tarifa de 26,4%.
Embarques brasileiros em alta
Do lado brasileiro, os embarques cresceram. Pelos dados do Comexstat, o Brasil exportou 44,4 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada e congelada aos Estados Unidos em setembro, por US$ 263,5 milhões. Em agosto, foram 31,3 mil toneladas, e em setembro de 2025, 7,9 mil toneladas. Os números não são diretamente comparáveis aos da alfândega americana: o Comexstat registra a data do embarque no Brasil, e a CBP, a entrada da carga nos EUA.
O Centro-Oeste respondeu por 64,8% do volume de setembro. Goiás embarcou 11,1 mil toneladas aos americanos, Mato Grosso, 9,1 mil, e Mato Grosso do Sul, 8,7 mil. Segundo o Imea, os EUA passaram a ser o principal destino da carne de Mato Grosso em setembro, com as compras chinesas 92% menores que um ano antes por causa do esgotamento da cota de Pequim.
Com informações de Farm Policy News (Universidade de Illinois), RFD-TV, Casa Branca (proclamação de 26/8/2026), CBP (Quota Bulletin 26-231), American Farm Bureau Federation, Comexstat/MDIC e Imea (Boletim Semanal da Bovinocultura de Corte nº 918).



