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Abate de novilhas supera o de vacas pela 1ª vez em MT, e retenção de matrizes empurra bezerro e arroba

Abate de vacas cai 17,6% até setembro; com menos fêmeas indo ao frigorífico, bezerro sobe 27% em um ano e boi gordo, 16,5% em Mato Grosso, segundo o Imea.

Por Redação Campo em Pauta ·

Vaca Nelore branca de cabresto ao lado de um bezerro também branco, em gramado com árvores ao fundo
Vaca Nelore com bezerro de dois meses, em 2002. Foto: Eduardo Ferraz Pacheco de Castro e Sebastião de Oliveira (CC0)

Mato Grosso abateu mais novilhas do que vacas de janeiro a setembro de 2026, algo inédito desde o início da série histórica, em 2003. Foram 1,01 milhão de novilhas de 12 a 24 meses, alta de 10,16% sobre o mesmo período de 2025, contra 986,79 mil vacas com mais de 36 meses, queda de 17,56%. O levantamento é da consultoria Agrifatto, com base nos registros do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), e foi divulgado pelo Giro do Boi.

A virada mostra que o pecuarista mato-grossense está segurando as vacas na fazenda. Em setembro, foram abatidas 86,24 mil vacas no estado, 23,98% menos que um ano antes e o menor volume mensal desde dezembro de 2022. Segundo a Agrifatto, as vacas, que eram 51,33% das fêmeas abatidas em 2023, passaram a 38,32% em 2026.

Os números do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), também calculados com dados do Indea, apontam na mesma direção. Em setembro, Mato Grosso abateu 606,33 mil bovinos, 7,61% menos que em setembro de 2025. Entre os machos, a queda foi de 1,67%. Entre as fêmeas, de 15,17%, e na categoria de fêmeas com mais de 24 meses, que reúne a maior parte das matrizes, a retração chegou a 21,51%.

Com isso, as fêmeas responderam por 40,43% dos abates de setembro, ante 44,03% no mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, o estado abateu 5,48 milhões de cabeças, praticamente o mesmo volume de 2025 (-0,38%). Pelos dados compilados pela Agrifatto, os machos somaram 2,90 milhões, recorde para o período, e as fêmeas, 2,58 milhões, queda de 9,18%.

O avanço das novilhas acompanha a troca de perfil do gado que vai ao frigorífico. Animais com até 24 meses foram 47,64% dos abates de janeiro a setembro, contra 40,06% um ano antes, e chegaram a 55,53% só em setembro, a maior fatia mensal da série, segundo a Agrifatto. Em 2003, eram 1,40%.

O que isso diz sobre o ciclo do boi

A pecuária de corte alterna fases de descarte e de retenção de fêmeas. Quando o bezerro está barato, o criador vende vacas para abate, o que aumenta a oferta de carne no curto prazo e reduz a produção de bezerros nos anos seguintes. Quando a reposição encarece, ele faz o contrário: guarda as matrizes para produzir mais bezerros, e a oferta de animais para o frigorífico encolhe.

Para o Imea, os dados de setembro reforçam esse movimento de retenção. O instituto avalia que a volta das chuvas e o início da estação de monta devem estimular a permanência das matrizes nas fazendas nos próximos meses, deixando a oferta de fêmeas para abate mais restrita. A Agrifatto vê espaço para nova redução: a participação das fêmeas em setembro ainda ficou acima da média de 34,94% registrada para o mês entre 2015 e 2026.

Bezerro e arroba mais caros

O reflexo aparece nos preços. Na semana de 5 a 9 de outubro, o bezerro de 7 arrobas foi cotado em média a R$ 16,56 o quilo em Mato Grosso, segundo o Imea, 27,4% acima dos R$ 13,00 da mesma semana de 2025. O bezerro de 210 quilos valia R$ 3.476,84 por cabeça.

O boi gordo a prazo fechou a semana com média de R$ 341,34 por arroba no estado, alta de 2,19% em sete dias e de 16,5% em relação aos R$ 292,92 de um ano antes. A escala de abate dos frigoríficos caiu para 8,64 dias. Mesmo assim, a arroba mato-grossense segue 11,71% abaixo da paulista, pelo diferencial de base calculado pelo instituto.

Com o bezerro subindo mais rápido que o boi, a reposição pesa mais no bolso de quem recria e engorda. Pelos cálculos do Imea, um boi de 21 arrobas compra hoje 2,06 bezerros de 210 quilos em Mato Grosso.

Com informações de Giro do Boi/Canal Rural, Imea (Boletim Semanal da Bovinocultura de Corte nº 918, 12/10/2026) e Imea (Relatório de Abates, setembro de 2026, com dados do Indea-MT).

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