Criadores de MT e MS lançam a Unapec contra a CBS e o prazo do brinco; estados perderam 2 milhões de cabeças
Presidida por Guilherme Bumlai, da Acrissul, a entidade diz reunir 65% do rebanho e quer diferir a CBS que, segundo ele, chega em 1º de janeiro a quem fatura mais de R$ 3,6 milhões. Pelo IBGE, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul fizeram metade da queda do rebanho nacional em 2025.

Associações de pecuaristas lideradas por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul lançaram oficialmente na quarta-feira (4), em São Paulo, a União Nacional da Pecuária (Unapec), que pretende falar pelo criador nas discussões nacionais do setor. O presidente é Guilherme Bumlai, que também comanda a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul). As duas primeiras pautas são a cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), criada pela reforma tributária, e o cronograma da rastreabilidade individual obrigatória dos bovinos.
Segundo o AgFeed, aderiram à entidade a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a Acrissul, a Associação dos Criadores do Pará (Acripará), a Associação dos Pecuaristas de Rondônia, a Acrioeste, da Bahia, a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e a Associação Grupo Pecuária Brasil (GPB). A Sociedade Rural do Paraná está em conversas para entrar. Bumlai afirma que as entidades de oito estados respondem por cerca de 65% do rebanho e mais de 83% da carne bovina exportada pelo país.
“A nossa ideia é unir forças, ter conversas frequentes sobre temas relevantes e, através dessa união de força, ter uma voz uníssona para realmente representar a pecuária brasileira”, disse Bumlai, segundo a Globo Rural.
Os dois estados que puxaram a criação somam um quinto do rebanho e concentraram a perda de animais no ano passado. Pela Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, Mato Grosso, dono do maior rebanho do país, terminou 2025 com 31,6 milhões de bovinos, 3,7% menos que um ano antes, a maior perda absoluta entre os estados, e Mato Grosso do Sul, com 17,9 milhões, queda de 4,3%. O rebanho nacional caiu 1,7%, para 234,3 milhões de cabeças. Pelas contas do Campo em Pauta, os dois estados, que têm 21,2% do gado do país, perderam juntos 2 milhões de cabeças, 50,6% de toda a redução nacional, de 3,96 milhões.
CBS para quem fatura mais de R$ 3,6 milhões
Na tributação, a preocupação da Unapec é com o produtor que hoje não recolhe tributos sobre o faturamento e passará a pagar a CBS. “Muitos produtores não sabem que aqueles que têm faturamento acima de R$ 3,6 milhões no ano, a partir de 1º de janeiro, terão que pagar o CBS, que deve estar algo em torno de 4,53%. Isso não foi debatido”, afirmou Bumlai. Segundo ele, muitos pecuaristas sequer sabem da mudança.
A entidade estuda propor o diferimento da contribuição ao longo da cadeia, o que adiaria o recolhimento para uma etapa posterior da venda, em vez de concentrá-lo no criador. “Estamos nos movimentando para ver se teremos essa alíquota e buscar que o peso da carga não caia para o produtor rural”, disse ao AgFeed. A discussão ocorre enquanto o Ministério da Fazenda quer rever exceções para baixar a alíquota de referência da CBS, de 11,3%, e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) promete barrar qualquer perda do corte de 60% concedido ao agro, como mostrou o Campo em Pauta.
Brinco obrigatório em 2032
A segunda frente é a rastreabilidade. Pelo plano federal de identificação individual de bovinos e búfalos, os órgãos estaduais de defesa agropecuária têm até 31 de dezembro para integrar seus sistemas à base nacional. A adesão do produtor é voluntária entre 2027 e 2029, a identificação se estende a todo o rebanho entre 2030 e 2032, e a partir de 2033 fica proibido movimentar animal sem número individual. Bumlai quer discutir prazos e custos com o setor. “Temos dúvidas se teremos, em 2032, essa obrigatoriedade. É algo que a gente gostaria de pôr em pauta”, afirmou ao AgFeed.
Para o dirigente, o peso do Brasil no comércio de carne aumenta a exposição do produtor a exigências de fora. “Somos o maior exportador de carne do mundo, mas isso gera consequências também. Barreiras comerciais travestidas de questões sanitárias e ambientais, e nós precisamos estar preparados para enfrentar ações de outros países”, disse.
A ideia da entidade surgiu de conversas entre a Acrimat e a Acrissul. A fundação foi em 1º de julho de 2025, e o lançamento simbólico, dias depois, durante a Acricorte, em Cuiabá, segundo a Acrissul. Bumlai foi aclamado presidente transitório, com a tarefa de montar a diretoria e cuidar do registro jurídico.
O tarifaço americano sobre a carne brasileira mostrou, segundo ele, a falta de uma voz do produtor. Bumlai disse que, no debate sobre as sobretaxas, só a indústria frigorífica falou, e que a arroba caiu de R$ 25 a R$ 30 no dia do anúncio. “Frigoríficos que sequer são exportadores se aproveitaram do momento”, afirmou. As entidades, disse, já avaliavam que a queda seria passageira. “Precisamos de uma voz uníssona”, concluiu.
Com informações de Globo Rural, CNN Brasil, AgFeed, Acrissul, Acrissul (AgFeed) e IBGE/SIDRA (Pesquisa da Pecuária Municipal).





