Campo em Pauta
Campo em Pauta

Notícias do agronegócio

Pecuária

Boi vai a R$ 390,85 e tem negócio a R$ 400, mas alta perde fôlego; Rabobank vê consumo de 31,4 kg por pessoa em 2027

Em quatro pregões, o indicador do Cepea subiu R$ 1,80, ante R$ 7,65 nos três anteriores, e a escala de abate em Mato Grosso se alongou para 7,43 dias. A B3 recuou em todos os vencimentos na quarta-feira (4), mas ainda paga mais de R$ 400 até maio.

Por Redação Campo em Pauta ·

Rebanho numeroso de gado branco em pasto verde e plano, sob céu nublado, com um morro isolado ao fundo no horizonte
Gado em pasto com o Morro do Diabo ao fundo, em Teodoro Sampaio (SP), em 2012. Foto: Miguelrangeljr (domínio público)

O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq fechou a quarta-feira (4) em R$ 390,85 por arroba, alta de 0,22% no dia e novo recorde nominal da série. Em São Paulo, o centro de estudos da Esalq/USP já registra negócios pontuais a R$ 400, mas o ritmo da valorização diminuiu depois do salto do fim de outubro. No mesmo dia, o banco holandês Rabobank afirmou que o consumidor brasileiro deve impedir que a arroba se firme acima desse patamar em 2027.

Pelas contas do Campo em Pauta com a série diária do Cepea, o indicador paulista subiu R$ 1,80, ou 0,46%, nos quatro pregões desde 28 de outubro. Nos três pregões anteriores, entre os dias 23 e 28, havia avançado R$ 7,65, ou 2,01%. Em novembro, a alta acumulada é de 0,24%. Desde o último dia útil de 2025, quando valia R$ 319,20, a arroba acumula valorização de 22,4%.

Na terça-feira (3), primeiro dia de negócios depois do feriado de Finados, a liquidez ficou reduzida no mercado paulista, segundo o Cepea, citado pelo Canal Rural. Houve negócios a R$ 400, mas a maior parte saiu entre R$ 385 e R$ 395, e os pecuaristas resistiram a vender por menos. No Centro-Oeste, a arroba subiu R$ 5 em Goiânia, com negócios entre R$ 360 e R$ 370 e escalas de dois a seis dias, e outros R$ 5 em Rondonópolis (MT), onde o boi foi negociado em média a R$ 360.

A Safras & Mercado vê o mesmo movimento. “O mercado físico do boi gordo permanece com preços firmes”, mas a alta “perdeu parte da intensidade”, com melhora no volume de negócios, disse na quarta o analista Fernando Henrique Iglesias, ao Canal Rural. “As escalas de abate permanecem, em geral, entre cinco e seis dias úteis, preservando o potencial para novos reajustes no curto prazo, embora com menor urgência nas compras.” Pelos preços médios da consultoria, a arroba foi a R$ 392,78 em São Paulo, R$ 382,84 em Mato Grosso do Sul, R$ 377,14 em Goiás e R$ 368,18 em Mato Grosso, R$ 24,60 abaixo da paulista.

Em Mato Grosso, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) fechou a quarta com média estadual de R$ 359,41 por arroba à vista, alta de 0,53%. A escala de abate dos frigoríficos do estado subiu para 7,43 dias, 8,88% mais longa que na véspera, sinal de menos pressa da indústria nas compras.

Na B3, todos os contratos fecharam em queda na quarta. O vencimento de novembro recuou 0,55%, para R$ 407,25, e o de dezembro, 0,02%, para R$ 407,90. Pelas contas do Campo em Pauta, o contrato de novembro ainda paga R$ 16,40 a mais que o indicador à vista, prêmio de 4,2%, e os vencimentos até maio de 2027 fecharam entre R$ 402 e R$ 408,20.

Consumo é o freio

Para o Rabobank, o mercado futuro está alto demais para a média do ano que vem. “O mercado futuro indica uma arroba acima dos R$ 400, o que é plausível. Deve ter picos de preço, mas, na média do ano, deve ficar abaixo disso, por causa do consumo local”, disse o analista de proteínas animais do banco, Wagner Yanaguizawa, na apresentação das projeções da instituição para o agronegócio, segundo a Globo Rural. O banco prevê que o consumo de carne bovina caia de 33,4 para 31,4 quilos por habitante em 2027, queda que calcula em 6,2%. O mercado interno absorve cerca de 61% da carne produzida no país.

A razão é a distância para as carnes concorrentes. Entre janeiro de 2024 e julho de 2026, a competitividade do frango em relação à carne bovina aumentou cerca de 49%, e a da carne suína, 20%, pelos dados apresentados pelo analista. “Não estamos falando de uma diferença pequena. Estamos realmente vendo uma migração de parte da população para as proteínas mais baratas”, afirmou Yanaguizawa, segundo a CNN Brasil. Ele vê o primeiro trimestre, de menor consumo, como o período mais arriscado, justamente quando a B3 paga mais de R$ 400.

A oferta continua a favor do pecuarista. O Rabobank projeta queda de 3% na produção de carne bovina em 2027, de 11,3 milhões para 11 milhões de toneladas equivalente carcaça, por causa da retenção de fêmeas, e espera que continuem faltando bezerros e bois magros para reposição. O El Niño é outro ponto de atenção: um veranico no fim do ano pode atrapalhar a engorda a pasto e limitar o boi pronto no primeiro trimestre. Na China, o banco aposta num aumento da cota destinada ao Brasil, o que daria 33 mil toneladas a mais.

Varejo já sente

O repasse ao consumidor já começou. O acém vendido no varejo paulista ficou, em outubro, 20,7% mais caro que um ano antes, enquanto o preço da picanha caiu até 7,9%, segundo levantamento da Scot Consultoria citado pela Globo Rural. Pelo boletim da Agrifatto, os abates em frigoríficos com inspeção federal somaram 21 milhões de cabeças de janeiro a setembro, 7,5% menos que no mesmo período de 2025. “O consumidor já não tem tantas condições para absorver novos reajustes, os preços estão proibitivos”, disse Iglesias à revista.

Para quem vende o boi, a leitura é de preço firme. O fundador da Scot, Alcides Torres, disse não ter observado retração do consumo no varejo. Ele prevê uma acomodação no começo do ano, por causa das férias, e retomada depois. “Vai dar uma barrigada em janeiro, como sempre acontece, mas depois volta a subir de novo”, afirmou. “A expectativa do mercado é de cotação da arroba firme ao longo do ano que vem.”

Com informações de Cepea, Imea, Notícias Agrícolas (B3), Canal Rural, Globo Rural, CNN Brasil e Rabobank.

PublicidadeAnúncio: Summit Paraguay–Brasil, do LIDE, em 13 de novembro em AssunçãoAnúncio: Summit Paraguay–Brasil, do LIDE, em 13 de novembro em Assunção

Mais em Pecuária