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China passa o Japão e vira 1º destino do frango de MT, MS e GO, pagando 48% acima da média; SC tem 4º foco

Asa e pé, cortes de que os chineses ainda dependem de fora, somam 92% das 55,1 mil t que a região vendeu à China até setembro. Rabobank prevê recorde de 5,75 milhões de t no país mesmo com a Newcastle, e o Mapa investiga três novas suspeitas no Sul e no Sudeste.

Por Redação Campo em Pauta ·

Trabalhadores com toucas, protetores auriculares e luvas descarregam caixas de frango congelado de uma esteira em câmara fria, com empilhadeira ao fundo
Funcionários movimentam caixas de frango congelado destinadas à China em frigorífico de Boituva (SP), em 2020. Foto: Secretaria de Agricultura e Abastecimento de SP (CC BY 2.0)

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou na terça-feira (3) o quarto foco da doença de Newcastle em Santa Catarina, numa granja comercial de perus em Nova Erechim, no oeste do estado. A investigação começou no sábado (31), e a propriedade fica dentro da área de emergência zoossanitária já delimitada, segundo o Estadão. Na quarta-feira (4), o painel de síndromes respiratórias e nervosas das aves do ministério mostrava outras três suspeitas em apuração: um peru e uma galinha de criação doméstica em Chapecó (SC), a 45 quilômetros do novo foco, e um pato-do-mato em Guarujá (SP), ainda sem resultado de laboratório, informou a Globo Rural.

O novo caso adia o relógio da retomada. "Durante a vigilância, só podemos cravar o dia zero após a obtenção de todos os resultados laboratoriais das amostras sendo negativos", disse o secretário-adjunto de Defesa Agropecuária, Allan Alvarenga. O dia zero marca o início do vazio sanitário exigido para o Brasil pedir de volta à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o status de livre da doença. A presidente da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Celles Regina de Matos, disse à CNN Brasil que o protocolo prevê pelo menos 60 dias de restrições.

Para o Rabobank, o efeito sobre as vendas externas será limitado. O analista de proteínas Wagner Yanaguizawa afirmou em entrevista coletiva que os principais compradores aceitam a regionalização, restringindo só o estado ou os municípios afetados, e que o Brasil deve fechar 2026 com recorde de 5,75 milhões de toneladas de frango exportadas e chegar a 5,95 milhões em 2027. "Os embarques continuam de certa forma positivos, mesmo com essas limitações", disse. O banco vê pressão temporária sobre o preço em Santa Catarina, onde cerca de 63% da produção vai para fora, e lembra que a gripe aviária de 2025 fechou mercados por quatro meses e derrubou os embarques em 17%.

China quer asa e pé

A China é a peça central da conta. Segundo o Rabobank, a produção chinesa de frango deve crescer 7,5% em 2026 e 5% em 2027, mas o país continua deficitário nos cortes ricos em colágeno. "Os chineses gostam dos cortes ricos em colágeno. Então, nesse segmento, eles ainda são deficitários, por isso estão aumentando ainda bastante a busca no mercado externo, e o Brasil tem sido o principal player que tem oferecido essa oferta para a China", disse Yanaguizawa.

No Centro-Oeste, a demanda já mudou o mapa. Pelas contas do Campo em Pauta com dados do Comexstat, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás venderam 55,1 mil toneladas de carne de aves à China de janeiro a setembro, por US$ 168,5 milhões. Com isso, os chineses passaram o Japão, que levou 53,3 mil toneladas, e viraram o principal destino do frango da região, com 12,2% do volume exportado. Asas (30,4 mil toneladas) e pés (20,4 mil toneladas) somam 92,1% do que foi para lá.

É também o comprador que paga melhor. A tonelada vendida à China saiu em média por US$ 3.057, 48% acima dos US$ 2.065 que os três estados receberam, em média, por toda a carne de aves exportada no período. Na asa, o preço chegou a US$ 3.219 por tonelada. Goiás lidera as vendas aos chineses, com 24,2 mil toneladas, seguido por Mato Grosso do Sul, com 20,5 mil, e Mato Grosso, com 10,4 mil.

A comparação com 2025 exige cuidado, porque a China fechou o mercado ao Brasil inteiro depois do caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul, em maio daquele ano, e a região quase não embarcou para lá de junho a setembro. Na média mensal, a venda de 2026, de 6,1 mil toneladas, fica 10,2% acima dos cerca de 5,6 mil por mês de janeiro a maio de 2025.

A vaga de Santa Catarina

Santa Catarina está fora da China desde o primeiro foco, em outubro. O estado vendeu 92,5 mil toneladas de carne de aves aos chineses de janeiro a setembro, por US$ 220,6 milhões, 22% de tudo o que o Brasil mandou para lá, e teve em agosto o maior mês do ano, com 12,5 mil toneladas. O volume catarinense equivale a 1,7 vez o que Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás embarcaram à China no período; a região respondeu por 13,1% das vendas brasileiras ao país.

No país, a carne de aves exportada soma 4,09 milhões de toneladas até setembro, 13,2% mais que em igual período de 2025, e US$ 7,83 bilhões, alta de 20,7%, pelo Comexstat. Os números consideram a posição 0207 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que reúne carnes e miúdos de frango, peru e outras aves. A China levou 420,5 mil toneladas, 10,3% do total.

O Rabobank alerta que o avanço chinês tem dois lados. "Não no curto prazo, mas no médio e longo prazo a gente vai começar a ver um gigante começando a aumentar a competitividade do Brasil no mercado externo", disse Yanaguizawa, para quem a China deve passar a vender outros cortes além do peito. Para o produtor integrado, a conta de 2027 depende também da ração: o banco espera custo um pouco acima da média deste ano, mas vê margens melhores com a alta das exportações e do consumo interno, previsto em 51,5 quilos por habitante.

Com informações de Estadão, Globo Rural, CNN Brasil e Comex Stat (MDIC).

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