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China barra 14 frigoríficos de SC, que lhe venderam 82,6 mil t de frango em 2026; México suspende todo o Brasil

Foco em granja de perus põe quatro municípios catarinenses em emergência por 60 dias; veto mexicano fecha um mercado que levou 156,8 mil t de frango brasileiro de janeiro a setembro.

Por Redação Campo em Pauta ·

Centenas de perus brancos de pé sobre cama de maravalha dentro de um galpão comprido, com comedouro metálico pendurado no teto e cortinas laterais.
Perus em galpão de criação comercial em Indiana (EUA), em 2020. Foto: Brandon O'Connor/USDA NRCS (domínio público)

A China confirmou que vai suspender apenas as compras de carne de aves de Santa Catarina, e não de todo o Brasil, por causa do foco de doença de Newcastle confirmado em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste catarinense. A informação foi dada nesta terça-feira (20) à CNN Brasil pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Augusto Billi. Segundo ele, o embargo atinge 14 dos 61 estabelecimentos habilitados a exportar para a China, ou 23% das unidades. O México foi na direção oposta: suspendeu, na segunda-feira (19), a importação de produtos avícolas de todo o país.

A indústria tratou o caso desde o início como problema restrito à produção. Em nota conjunta divulgada na segunda, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (Acav) e o Sindicarne-SC afirmaram que "houve a detecção do vírus, mas não da doença nos animais confinados" e que se trata de "uma questão de sanidade animal, restrita ao âmbito da produção, e não de segurança dos alimentos".

Com a China, o roteiro estava escrito no acordo sanitário entre os dois países, que obriga o Brasil a interromper as vendas assim que a doença é detectada. "Alguns países, como a China, se tiver uma dessas doenças (Newcastle ou gripe aviária), o Brasil precisa suspender as exportações, para ela definir como vai ficar a regionalização", disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, à agência Reuters, segundo a CNN Brasil. O Mapa havia pedido a Pequim, por meio da embaixada brasileira, que o veto ficasse restrito aos quatro municípios da área de emergência ou, no máximo, ao estado, e a resposta ficou no limite estadual. Em 2024, lembrou Billi, a China levou 26 dias para trocar o veto nacional por um embargo só ao Rio Grande do Sul. Até o fim da manhã desta terça, a decisão chinesa não constava das notas oficiais do ministério.

O peso do recorte é grande para os catarinenses. Pelas contas do Campo em Pauta com dados do Comexstat, Santa Catarina embarcou 82,6 mil toneladas de carne de frango in natura para a China de janeiro a setembro de 2026, com receita de US$ 196,8 milhões, o equivalente a 22,6% de tudo o que o Brasil vendeu aos chineses no período (365,8 mil toneladas e US$ 1,01 bilhão). O estado é o segundo maior exportador de frango do país, atrás do Paraná, e respondeu por 21,3% do volume embarcado no ano.

México fecha o país inteiro

A suspensão mexicana foi anunciada pelo Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (Senasica), que desativou os requisitos zoossanitários para produtos de origem avícola do Brasil. A medida alcança carne de aves, miúdos e outros despojos, ovos férteis, pintos de até três dias e aves canoras, ornamentais e de rapina destinadas à venda, vale para cargas comerciais e para produtos levados por turistas e, segundo o órgão, fica em vigor enquanto o país aguarda informações sobre o foco. O argumento é proteger a avicultura local, já que o México se declara livre da doença. O comunicado mexicano descreve a granja como de frangos de corte; segundo o Mapa, trata-se de uma criação de perus.

O México levou 156,8 mil toneladas de frango in natura do Brasil de janeiro a setembro, por US$ 344,8 milhões, ou 4,4% do volume exportado, pelos dados do Comexstat. Billi confirmou à CNN Brasil que, nesse caso, a suspensão atinge todo o território nacional.

Para os demais compradores, as regras variam conforme o protocolo assinado com cada país. Segundo fontes do setor ouvidas pela Globo Rural e pelo Estadão, a Arábia Saudita costuma vetar o estado do foco, os Emirados Árabes Unidos e a Argentina restringem um raio de 10 quilômetros e o Japão limita a restrição ao município. Na União Europeia, a regra também é de 10 quilômetros, mas as vendas de carne de aves ao bloco já estão suspensas desde 3 de setembro por exigências sobre o uso de antimicrobianos, tema que o comitê técnico europeu deve analisar nesta semana.

Emergência por 60 dias

A Portaria Mapa nº 962, publicada em edição extra do Diário Oficial da União na segunda-feira (19), declarou estado de emergência zoossanitária por 60 dias em Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Nessa área, cerca de 133 propriedades passarão por visitas, avaliação clínica das aves e coleta de amostras. A granja do foco, com aproximadamente 6 mil perus de corte, foi interditada e terá as aves sacrificadas, seguidas de limpeza e desinfecção. Segundo o ministério, os animais não saíram da propriedade nem foram destinados ao consumo, e não haverá recolhimento de produtos.

O caso surgiu na vigilância ativa. As amostras foram coletadas em 21 de setembro em aves sem sinais clínicos, a triagem apontou a suspeita em 14 de outubro e o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP) confirmou o diagnóstico no domingo (18). Pela nota técnica enviada aos países importadores, obtida pela Globo Rural, o gene analisado tem 97,35% de identidade com o paramixovírus de pombos (PPMV-1), que circula em aves silvestres ou exóticas em Santa Catarina.

Em entrevista coletiva em Brasília, o ministro da Agricultura, André de Paula, insistiu na segurança do alimento. "O consumo dessa carne não traz nenhum risco às pessoas", afirmou. A notificação à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) foi feita na segunda, com atualizações semanais previstas.

O último foco no país havia sido registrado em julho de 2024, em Anta Gorda (RS). Naquela vez, a China parou de comprar de todo o Brasil, retomou as importações em agosto e manteve as plantas gaúchas bloqueadas até janeiro de 2026, segundo a Globo Rural. Na bolsa, as ações da MBRF chegaram a cair mais de 6% na segunda. Segundo fontes ouvidas pela Globo Rural, a granja de Nova Itaberaba é integrada à empresa, que não comentou.

Para a ABPA, a resposta rápida do serviço oficial deve limitar o estrago. "É um caso isolado e nenhum animal saiu do local. Vamos buscar uma resposta o mais rápido possível e proceder para que os países possam fazer esse zoneamento para um raio de dez quilômetros, ou do município, ou do estado", disse Santin na segunda-feira, em Paris, onde participa da feira Sial.

Com informações de Ministério da Agricultura e Pecuária, Diário Oficial da União, ABPA, Senasica (México), Comexstat, CNN Brasil, Globo Rural, Estadão e Canal Rural.

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