Boi sobe 4,5% em outubro, e Goiás tem a maior alta do país na sexta; bezerro de MT já custa 10 arrobas
Pela Datagro, a arroba de Mato Grosso do Sul fica só R$ 5,23 abaixo da paulista. Em Mato Grosso, o bezerro subiu 27,7% em um ano, mais que o boi, e a escala dos frigoríficos chega a quase 10 dias.

O boi gordo acumula alta de 4,5% em outubro em São Paulo, segundo o balanço semanal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) divulgado nesta segunda-feira (19). O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq fechou a sexta-feira (16) em R$ 380,70 por arroba à vista, recorde nominal, com ganho de 0,8% na semana. No Centro-Oeste, a alta da sexta foi puxada por Goiás, e Mato Grosso do Sul ficou a poucos reais da referência paulista.
O Cepea descreve um mercado de poucos negócios e preços estáveis na maior parte das praças, com compradores e vendedores sem acordo sobre valores. Onde houve reajuste, segundo o centro de pesquisas, foi porque o pecuarista se recusou a vender abaixo do que pedia. No atacado, todos os cortes bovinos acompanhados subiram na semana, e a carcaça casada avançou 1,8%, para R$ 25,91 o quilo.
Goiás e Mato Grosso do Sul encostam em São Paulo
O boletim do Indicador do Boi Datagro de sexta-feira, média ponderada dos negócios à vista, mostra Goiás com a maior alta diária entre os nove estados acompanhados: 1,36%, para R$ 366,47 por arroba, R$ 4,91 acima da véspera. Mato Grosso do Sul subiu 0,17%, para R$ 375,19, e Mato Grosso, 0,37%, para R$ 356,80. Em São Paulo, a Datagro registrou R$ 380,42. Pelas contas do Campo em Pauta, a arroba sul-mato-grossense ficou R$ 5,23 abaixo da paulista; a goiana, R$ 13,95; e a mato-grossense, R$ 23,62. Em dólar, o boi de Mato Grosso do Sul valia US$ 73,96 por arroba, e o de São Paulo, US$ 74,99.
Nas praças acompanhadas pelo Cepea, Rondonópolis (MT) teve alta pontual de R$ 10 por arroba, com negócios entre R$ 350 e R$ 355, mas as escalas seguem longas, e os frigoríficos já compram boi para novembro. Em Sorriso (MT), o boi saiu a R$ 351, e as fêmeas ficaram entre R$ 330 e R$ 340, com escalas de cinco a seis dias. No norte de Goiás, o reajuste foi de R$ 5, para a faixa de R$ 350 a R$ 355, com escalas perto de sete dias. Cuiabá esteve entre as maiores altas semanais do país, com 2,3%, atrás do oeste da Bahia (3,1%) e do Triângulo Mineiro (2,4%).
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) fechou a sexta com média estadual de R$ 348,11 à vista e R$ 353,11 a prazo para o boi, e R$ 322,69 à vista para a vaca. A escala média de abate dos frigoríficos do estado subiu 4,86% no dia, para 9,98 dias, ante 8,70 dias uma semana antes.
A reposição sobe mais que o boi
Quem compra garrote e bezerro para engordar paga mais caro. Em Mato Grosso, o bezerro nelore de 12 meses e 210 quilos chegou a R$ 3.525,86 por cabeça no levantamento do Imea de quinta-feira (15), 27,7% acima dos R$ 2.761,42 da mesma semana de 2025. No mesmo período, o boi a prazo subiu 20,1%. Pelas contas do Campo em Pauta, o bezerro mato-grossense custa hoje o equivalente a 9,98 arrobas de boi gordo a prazo, ante 9,39 arrobas um ano atrás. Pelo índice do próprio Imea, um boi de 21 arrobas comprava 2,19 bezerros na semana de 14 a 18 de setembro e passou a comprar 2,06 na de 5 a 9 de outubro.
A reposição cara é efeito da retenção de matrizes, e, segundo o Imea, a chegada das chuvas e o início da estação de monta tendem a manter as vacas na fazenda nos próximos meses. Em setembro, Mato Grosso abateu 15,17% menos fêmeas que um ano antes, como mostrou o Campo em Pauta. A oferta curta segura a arroba mesmo sem a China, maior compradora da carne do estado até o ano passado. Com a cota chinesa esgotada, as vendas de carne bovina de Mato Grosso ao país asiático caíram 92,34% em setembro na comparação anual, para 4,63 mil toneladas equivalente-carcaça, e a fatia chinesa nas exportações do estado foi de 61,08% para 6,65%, segundo o Imea. Os Estados Unidos assumiram a liderança, com 11,84 mil toneladas.
Zebu já é maioria no rebanho mundial
O aperto não é só brasileiro. Segundo o analista australiano Simon Quilty, citado pelo Giro do Boi, o rebanho mundial de zebuínos (Bos indicus), grupo do nelore, superou há dois anos o de taurinos (Bos taurus), as raças de origem europeia que predominam na Austrália, na Argentina, nos Estados Unidos e na Europa. O avanço veio da expansão dos rebanhos de países como Brasil e Índia. Para Quilty, nove países estão em fase de reconstrução dos plantéis, com retenção de fêmeas até 2028, e o abate mundial de bovinos pode cair 15% nos próximos três anos, com efeito sobre o preço da carne em vários mercados.
No longo prazo, o analista vê o rebanho taurino perdendo espaço para a lavoura e para as cidades, enquanto parte das áreas de criação de zebuínos no Brasil e na Índia tem menos uso alternativo. É a base da pecuária de corte do Centro-Oeste. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul somavam 72,1 milhões de bovinos em 2025, 30,8% do rebanho nacional, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE. Na fase de descarte de matrizes, os três estados perderam 3,7% do rebanho em um ano, mais que o dobro da queda nacional, de 1,7%.
Para quem termina o boi em Mato Grosso, a conta ainda não fecha. O custo operacional total da recria e engorda no estado foi de R$ 369,55 por arroba no segundo trimestre, 13,7% acima de um ano antes, segundo o Imea. Com a arroba à vista a R$ 348,11 e o bezerro em alta, a diferença ainda é de R$ 21,44 por arroba contra o pecuarista, e é ela que explica a resistência em vender abaixo do preço pedido.
Com informações de Canal Rural (levantamento semanal do Cepea), Cepea (indicador do boi gordo), BeefPoint (Indicador do Boi Datagro, boletim de 16/10/2026), Imea (indicadores do boi), Imea (Boletim Semanal da Bovinocultura de Corte nº 918, 12/10/2026), Imea (Boletim Semanal da Bovinocultura de Corte nº 870, 20/10/2025), Giro do Boi/Canal Rural e IBGE (Pesquisa da Pecuária Municipal, tabela 3939).



