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Abate de fêmeas cai 15% em MT e o de vacas, 19,5% em MS; bezerro de MS sobe 61% em dois anos

Retenção de matrizes encurta a oferta de boi e valoriza a cria: o bezerro de MS custa hoje 9,2 arrobas de boi gordo, ante 7,2 em 2024. Goiás vai na contramão e abate mais vacas.

Por Redação Campo em Pauta ·

Rebanho de vacas e novilhas brancas da raça Nelore, com um bezerro entre elas, em pasto verde cercado por arame, com árvores e céu azul com nuvens ao fundo.
Gado Nelore em pasto de Campos Belos (GO), em 2014. Foto: Carlos Ebert (CC BY 2.0)

Os pecuaristas de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul estão mandando menos vacas para o abate, sinal de que a pecuária entrou na fase de retenção de matrizes. Em setembro, Mato Grosso abateu 245,12 mil fêmeas, 15,17% a menos que um ano antes, segundo dados do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) no boletim semanal de segunda-feira (12). Entre as fêmeas com mais de 24 meses, categoria que reúne a maior parte das matrizes, a queda foi de 21,51%.

O abate total do estado somou 606,33 mil cabeças no mês, 7,61% abaixo de setembro de 2025. Os machos ficaram praticamente estáveis na comparação anual (-1,67%) e subiram 1,37% sobre agosto, com mais animais jovens enviados aos frigoríficos. Pelas contas do Campo em Pauta, as fêmeas foram 40,4% do abate mato-grossense em setembro, ante 49,7% em maio. Em setembro do ano passado, a fatia era de 44,0%, segundo o Imea.

O movimento pesa no mercado nacional porque Mato Grosso é o maior exportador de carne bovina do país, com 26,8% do volume embarcado de janeiro a setembro, segundo o Comex Stat.

Mato Grosso do Sul lidera o freio nas vacas

A Pesquisa Trimestral do Abate, do IBGE, mostra o mesmo movimento no segundo trimestre, o dado mais recente. Mato Grosso do Sul abateu 198,3 mil vacas de abril a junho, 19,5% a menos que no mesmo período de 2025. Em Mato Grosso, foram 421,2 mil, queda de 9,4%. Somando vacas e novilhas, as fêmeas caíram de 50,6% para 47,1% do abate sul-mato-grossense e de 54,6% para 49,8% do mato-grossense, pelos cálculos do Campo em Pauta com os dados do IBGE. No Brasil, o abate de vacas recuou 5,0% no trimestre, para 3,42 milhões de cabeças.

Goiás vai na direção contrária. O estado abateu 375,4 mil vacas no segundo trimestre, 4,7% a mais que um ano antes, e as fêmeas subiram de 51,0% para 51,9% do total abatido.

A virada vem depois de um período de descarte forte. Em 2025, o país abateu 20,1 milhões de fêmeas, 46,9% de todos os bovinos abatidos, ante 42,9% em 2024, segundo o IBGE. Abater matriz põe carne no mercado na hora, mas tira da fazenda os bezerros dos anos seguintes. Segundo o Cepea, o custo mais alto da reposição, que comprime a margem de quem termina o boi, está entre as razões da oferta curta que levou a arroba ao recorde de R$ 380,70 em São Paulo na sexta-feira (16).

A cria volta a ganhar

Para quem produz bezerro, a conta melhorou. O Indicador do Bezerro Cepea/Esalq, de Mato Grosso do Sul, fechou a sexta-feira em R$ 3.489,71 por cabeça, 19,1% acima dos R$ 2.930,81 de um ano antes e 61,6% acima dos R$ 2.158,92 de outubro de 2024. No mesmo período de dois anos, o boi gordo paulista subiu 26,8%. Em arrobas, o bezerro sul-mato-grossense valia 7,2 arrobas de boi gordo em outubro de 2024, 9,5 arrobas em outubro de 2025 e vale 9,2 arrobas agora, pelos cálculos do Campo em Pauta com os indicadores do Cepea.

Em Mato Grosso, o bezerro nelore de 12 meses e 210 quilos chegou a R$ 3.525,86 no levantamento do Imea com data de quinta-feira (15), alta de 1,41% em uma semana. As fêmeas de reposição subiram um pouco mais: a novilha nelore de 18 meses avançou 2,69%, para R$ 3.212,57, e a bezerra de 12 meses, 1,47%, para R$ 2.531,65. O boi magro de 12 arrobas foi a R$ 5.031,63, alta de 0,50%.

Os custos também sobem, mas em ritmo menor na cria. O custo operacional total da cria em Mato Grosso foi de R$ 295,79 por arroba no segundo trimestre de 2026, 5,0% acima de um ano antes, segundo o Imea. Na recria e engorda, que depende da compra do bezerro e do boi magro, a alta foi de 13,7%, para R$ 369,55 por arroba, acima do boi gordo à vista de sexta-feira no estado, de R$ 348,11. A relação de troca do instituto, que mede quantos bezerros de 210 quilos um boi de 21 arrobas compra, passou de 1,95 na semana de 7 a 11 de setembro para 2,06 na de 5 a 9 de outubro, porque a arroba subiu e o bezerro ficou praticamente estável no período.

O que esperar

A retenção reduz o abate agora e só devolve animais ao mercado anos depois, quando os bezerros nascidos das matrizes guardadas chegarem ao ponto de abate. O mercado futuro já trabalha com arroba firme em 2027: na B3, os contratos de janeiro a março do ano que vem fecharam a sexta-feira entre R$ 395,00 e R$ 396,10, acima do indicador à vista do Cepea.

Em Mato Grosso, a vaca gorda valia R$ 322,69 à vista na sexta-feira, R$ 25,42 abaixo do boi, segundo o Imea. Para o instituto, a oferta de fêmeas deve ficar ainda mais curta: “Para os próximos meses, a chegada do período chuvoso e o início da estação de monta tendem a favorecer a manutenção das matrizes nas propriedades, contribuindo para uma oferta mais restrita de fêmeas para abate”, afirma o boletim.

Com informações de Imea (Boletim Semanal da Bovinocultura de Corte nº 918, 12/10/2026), Imea (Boletim Semanal da Bovinocultura de Corte nº 869, 13/10/2025), Imea (indicadores do boi), IBGE (Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, tabela 1092), Cepea (indicador do bezerro), Cepea (série histórica do bezerro MS), Cepea (série histórica do boi gordo), Notícias Agrícolas (fechamento B3) e Globo Rural.

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