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Carne: Rabobank vê Brasil tomando espaço da Austrália; MT, GO e MS fazem 52% das exportações em 2026

Banco diz que exportação paga R$ 37 mil por tonelada, ante R$ 30 mil no mercado interno; país abriu 38 mercados à carne desde 2023, e arroba sobe 3,76% em outubro.

Por Redação Campo em Pauta ·

Rebanho de bois e vacas Nelore brancos, lado a lado em uma pastagem com árvores ao fundo, sob a luz do fim da tarde
Rebanho Nelore em pastagem de Araguainha (MT), em 2012. Foto: Geraldo C F Valadare…/Panoramio (CC BY 3.0)

O Brasil, maior produtor e exportador de carne bovina do mundo, deve continuar dando prioridade ao mercado externo e vai disputar com a Austrália compradores que hoje abastecem os australianos. A avaliação é do banco Rabobank, em análise divulgada pelo portal australiano Beef Central. Para o pecuarista do Centro-Oeste, o movimento tem peso direto: Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul responderam por 52% da carne bovina in natura exportada pelo país de janeiro a setembro de 2026, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Segundo o analista sênior de proteínas animais do Rabobank, Angus Gidley-Baird, o Brasil passou os Estados Unidos e produz 11,7 milhões de toneladas de carne bovina por ano, das quais cerca de 3,5 milhões vão para fora. O analista de proteína animal do banco no Brasil, Wagner Yanaguizawa, atribui o avanço a três fatores: rebanho grande, ganho de produtividade e foco em exportação. O rebanho bateu o recorde de 196 milhões de cabeças em 2023 e segue perto desse nível, com carcaças mais pesadas, melhor conversão alimentar e mais confinamento.

Historicamente, cerca de 70% da carne produzida no Brasil ficava no mercado interno. Em 2025, essa fatia caiu para 61%, com exportações em nível recorde. A Austrália, para comparação, vende ao exterior de 65% a 70% do que produz.

Exportação paga mais

A diferença de preço explica a tendência. Segundo Yanaguizawa, a carcaça bovina valeu em média cerca de R$ 30 mil por tonelada no mercado interno em 2025, ante R$ 37 mil na exportação. “As margens de exportação são maiores que as do mercado interno. Do ponto de vista estratégico, os frigoríficos devem continuar aumentando a oferta para fora, mesmo que à custa do consumo doméstico”, afirmou, segundo o Beef Central.

A China segue como principal destino, mas as cotas impostas por Pequim devem reduzir as compras. O Rabobank estima que o Brasil vendeu 1,65 milhão de toneladas aos chineses em 2025 e que o volume cairá para algo entre 1,2 milhão e 1,25 milhão de toneladas em 2026. Estados Unidos, com a cota temporária sem tarifa, Oriente Médio, Indonésia, Vietnã, Chile e Reino Unido podem absorver parte da diferença, mas não toda, segundo o banco.

O banco também acompanha a abertura de Japão e Coreia do Sul, dois mercados caros aos australianos. As inspeções de frigoríficos brasileiros pelos dois países já foram concluídas, e faltam os relatórios finais. “A expectativa do setor é que o acesso seja concedido ainda este ano. Esses dois mercados são muito importantes para a Austrália, e em breve ela pode ter um novo concorrente”, disse Yanaguizawa.

Centro-Oeste lidera os embarques

Pelos dados do Comexstat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil exportou 2,11 milhões de toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada de janeiro a setembro, 1,5% a menos que no mesmo período de 2025. A receita, porém, subiu 14,1%, para US$ 12,97 bilhões, porque o preço médio passou de US$ 5.297 para US$ 6.137 por tonelada. Por estado de origem, o resultado foi:

  • Mato Grosso: 566,5 mil toneladas, alta de 13,9%, e US$ 3,5 bilhões, alta de 30,5%. É o maior exportador do país, com 26,8% do volume.
  • Goiás: 272,7 mil toneladas, estável (-0,6%), e US$ 1,7 bilhão, alta de 15,9%.
  • Mato Grosso do Sul: 260,5 mil toneladas, alta de 8,3%, e US$ 1,64 bilhão, alta de 26,3%.

No período, a China levou 41,8% do volume, e os Estados Unidos, 13,5%. A carne in natura brasileira teve 142 destinos. Segundo levantamento com dados do Ministério da Agricultura publicado pelo BeefPoint, o país abriu 38 novos mercados para carne bovina e derivados de 2023 a outubro de 2026: 7 em 2023, 3 em 2024, 19 em 2025 e 9 neste ano. A Ásia concentrou 16 aberturas, e as Américas, 11. A diversificação ganhou urgência depois que a China passou a cobrar tarifa total de 67% com o fim da cota anual, em 1º de outubro, e que a União Europeia suspendeu a carne brasileira, em 3 de setembro, informou o portal.

No mercado interno, a oferta curta de boi pronto sustenta a arroba. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, referência em São Paulo, fechou a R$ 378 na terça-feira (13), com alta de 3,76% em outubro. Segundo o Cepea, citado pelo Canal Rural, houve reajustes em praças como Sorriso (MT) e Rio Verde (GO). “Esse ambiente mantém os frigoríficos ativos na compra de boiadas e preserva o viés de alta para a arroba no curto prazo”, disse à Globo Rural o analista Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado.

O Rabobank prevê queda da produção brasileira de carne no segundo semestre de 2026, o que limita a oferta para exportação no curto prazo. Para Yanaguizawa, isso não muda a trajetória de longo prazo, de crescimento das vendas externas, apoiada na escala, na produtividade e na abertura de mercados.

Com informações de Beef Central (análise do Rabobank), BeefPoint, Comexstat (MDIC/Secex), Cepea/Esalq-USP, Canal Rural e Globo Rural.

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