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Boi vale R$ 33,98 mais que a vaca em SP, maior diferença de outubro desde 2022; arroba chega a R$ 389,05

Em Mato Grosso, a vaca sobe 22,2% em um ano, contra 19,5% do boi, e a distância encolhe para R$ 24,99, pelos dados do Imea. Na B3, o contrato de novembro fecha a R$ 405,60, e a escala mato-grossense cai para 7,17 dias.

Por Redação Campo em Pauta ·

Grupo de bovinos brancos da raça nelore em pé num pasto verde, olhando para a câmera, com mata densa ao fundo
Gado nelore em pasto em Registro (SP), em 2011. Foto: Boris Karpuk (CC BY-SA 3.0)

O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq fechou a quarta-feira (28) em R$ 389,05 por arroba à vista em São Paulo, alta de 0,71% no dia e de 6,79% no acumulado de outubro, novo recorde nominal da série. Na média a prazo, a arroba paulista foi a R$ 393,43. A alta, puxada pelos machos, deixou as fêmeas para trás: segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, na parcial de outubro até a terça-feira (27) o boi valia em média R$ 33,98 por arroba a mais que a vaca no mercado paulista. É a maior diferença para um mês de outubro desde 2022, quando ficou em R$ 27,71.

Pelas contas do Campo em Pauta, o diferencial deste mês é 22,6% maior que o de outubro de 2022 e 2,3 vezes a média da série acompanhada pelo Cepea desde janeiro de 2015, de R$ 14,55 por arroba. Em 2026, a média do ano é de R$ 20,19. Segundo o Cepea, citado pela Globo Rural, a causa é a oferta restrita de machos terminados desde o início do ano, enquanto as fêmeas, com disponibilidade relativa maior, abastecem mais o mercado interno.

Nas praças de Araçatuba e Barretos (SP), a Scot Consultoria registrou na quarta alta de R$ 5 no boi gordo, para R$ 385 por arroba, e no boi China, para R$ 390. A vaca subiu R$ 2, para R$ 357, e a novilha foi a R$ 372. Pelas contas do Campo em Pauta, o boi comum paga R$ 28 a mais que a vaca e R$ 13 a mais que a novilha. Segundo a consultoria, os frigoríficos maiores, com contratos fechados, ainda compravam na referência ou abaixo dela, mas os menores, que dependem do mercado físico, pagaram mais.

As escalas de abate seguem curtas. Na parcial de outubro, a média recuou em relação a setembro em São Paulo, no Paraná, em Mato Grosso e no Pará, segundo o Cepea. Para Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, as programações continuam concentradas entre cinco e seis dias úteis. “Nesse ambiente, os negócios a R$ 400 por arroba tornaram-se mais frequentes em São Paulo, estabelecendo um novo patamar recorde para a arroba, embora esse valor ainda não represente a referência predominante do estado”, disse ao Canal Rural. Para o Cepea, a chuva dificulta o transporte do gado e, com o pasto melhor, o pecuarista segura os animais.

Em Mato Grosso, a vaca encosta no boi

Em Mato Grosso, o movimento é o inverso. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à Famato, fechou a quarta com o boi gordo a R$ 354,00 por arroba à vista, alta de 0,35%, e a vaca gorda a R$ 329,01, alta de 0,58%, uma diferença de R$ 24,99. A prazo, o boi foi a R$ 359,00, só R$ 1,01 abaixo do recorde diário da série do instituto, de R$ 360,01, registrado em 15 de abril. A escala média dos frigoríficos do estado caiu 4,16% no dia, para 7,17 dias.

Pelas contas do Campo em Pauta com a série do Imea, a vaca gorda a prazo subiu 22,2% em um ano, de R$ 273,36 em 28 de outubro de 2025 para R$ 334,01, enquanto o boi avançou 19,5%, de R$ 300,54 para R$ 359,00. Com isso, a diferença entre as duas categorias caiu de R$ 27,18 para R$ 24,99 por arroba. O instituto aponta a retenção de fêmeas como fator de menor oferta para abate.

No Indicador do Boi Datagro de quarta, que tem metodologia própria, a arroba ficou em R$ 379,67 em Mato Grosso do Sul (alta de 0,14%), em R$ 368,83 em Goiás (alta de 0,61%) e em R$ 366,03 em Mato Grosso (queda de 0,29%), ante R$ 388,88 em São Paulo. A vaca valeu R$ 359,06 em Mato Grosso do Sul, R$ 345,90 em Goiás e R$ 336,35 em Mato Grosso. Pelas contas do Campo em Pauta, a distância entre boi e vaca na Datagro é de R$ 29,68 em Mato Grosso, R$ 22,93 em Goiás e R$ 20,61 em Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, a vaca saltou 2,56% na quarta, para R$ 359,58, e a diferença no indicador caiu de R$ 35,51 na terça para R$ 29,30.

No norte de Goiás, o Cepea registrou negócios entre R$ 360 e R$ 365 por arroba, com escalas de seis a oito dias. A Scot contou altas na quarta em Goiânia, no sul de Goiás, em Campo Grande e no sudeste de Mato Grosso.

Margem curta no frigorífico

No atacado, a carne não acompanha o boi. A carcaça casada bovina teve média de R$ 26,15 por quilo na Grande São Paulo, alta de 0,4% na semana, e o equivalente da carcaça ficou em R$ 392,25 por arroba, segundo o Cepea, que vê margens mais apertadas na indústria. Pelas contas do Campo em Pauta, a carne paga só R$ 3,20 por arroba acima do boi à vista. “Caso a oferta fique mais confortável e a exportação não ganhe ritmo, o cenário pode mudar. O câmbio também é um fator a ser monitorado”, afirmou a consultoria à Globo Rural.

A carne suína, que vinha ganhando espaço no preço, deu a primeira trégua. A carcaça especial suína fechou a quarta em R$ 10,23 por quilo na Grande São Paulo, 1,54% abaixo da quinta-feira anterior, a primeira queda semanal desde o início de setembro, embora ainda acumule alta de 20,35% em outubro, segundo o Cepea. Em Mato Grosso, o suíno vivo recuou 0,45% na quarta, para R$ 6,08 por quilo, pelo Imea. Pelas contas do Campo em Pauta, o quilo da carcaça bovina custa 2,56 vezes o da suína no atacado paulista.

O mercado futuro segue acima do físico. Na B3, o contrato de novembro fechou a quarta a R$ 405,60 por arroba, alta de 1,01%, e o de dezembro, a R$ 403,80. Pelas contas do Campo em Pauta, novembro paga R$ 16,55, ou 4,3%, acima do indicador do Cepea.

Na feira Sial, em Paris, as 23 empresas do espaço Brazilian Beef fecharam US$ 530 milhões em negócios e projetam US$ 1,7 bilhão em vendas nos próximos 12 meses, informou na quarta a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A cota chinesa de 2026, de 1,1 milhão de toneladas, já foi preenchida. “Pelo volume de produção, a cota tende a se encerrar mais cedo no ano que vem”, disse o presidente da entidade, Roberto Perosa, à Globo Rural.

Com informações de Cepea/Esalq (indicador do boi gordo), Cepea/Esalq (indicador do suíno), Imea (cotações da bovinocultura), Imea (boletim semanal nº 920), Imea (boletim semanal nº 872), Notícias Agrícolas (Indicador do Boi Datagro), Notícias Agrícolas (Indicador da Vaca Datagro), Notícias Agrícolas (B3), Globo Rural / Scot Consultoria e Cepea, Canal Rural / Cepea, Canal Rural / Safras & Mercado, BeefPoint / Cepea, Globo Rural / Cepea (suínos), Canal Rural / Cepea (suínos) e Globo Rural / Abiec.

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