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Boi sobe mais que a carne no atacado, e diferença cai a R$ 3,55 por arroba, a menor desde 2023

Arroba acumula alta de 4,1% em outubro em SP e sobe em Goiânia, Dourados e no sudeste de MT; na B3, novembro já vale R$ 394.

Por Redação Campo em Pauta ·

Homem de jaleco branco e capacete azul mede uma meia-carcaça bovina pendurada em câmara fria, entre outras carcaças
Classificador do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) avalia carcaças bovinas em câmara fria de um frigorífico na Virgínia Ocidental, em 2023. Foto: USDA (Domínio público)

A arroba do boi gordo tem subido mais rápido que a carne bovina no atacado, e a diferença entre os dois preços encolheu. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a carcaça casada vendida no atacado da Grande São Paulo vale, na média de outubro até o dia 13, apenas R$ 3,55 por arroba a mais que o boi gordo paulista. É o menor diferencial em valores corrigidos pela inflação (IGP-DI) desde abril de 2023, quando ficou em R$ 1,10, segundo dado do Cepea publicado pela Globo Rural.

Na prática, o frigorífico paga mais caro pelo animal e não consegue repassar a alta na mesma proporção para a carne, o que aperta a margem da indústria. O Cepea pondera que a conta completa depende também do rendimento de carcaça, dos custos operacionais e da receita com os demais produtos do abate.

A explicação está na oferta. Segundo o Cepea, há poucos animais prontos para abate, e os frigoríficos têm dificuldade para completar as escalas. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, referência para São Paulo, fechou a quarta-feira (14) em R$ 379,40 por arroba, à vista, com alta acumulada de 4,14% em outubro.

No atacado, a carne ficou estável na quarta-feira, segundo a consultoria Safras & Mercado, que vê potencial limitado de alta por causa da concorrência do frango e da carne suína. Pela conta da consultoria, o equivalente físico, que converte em arroba o valor da carne vendida no atacado, ficou em R$ 380,85; somando couro e sebo, chegou a R$ 398,25.

Quanto vale a arroba no Centro-Oeste

No Centro-Oeste, o preço também sobe, mas segue abaixo do paulista. Na quarta-feira, a Scot Consultoria registrou alta em Goiânia, em Dourados (MS) e no sudeste de Mato Grosso. Os valores à vista, sem desconto de impostos, ficaram assim:

  • Mato Grosso do Sul: R$ 366 em Dourados, R$ 363 em Campo Grande e R$ 360 em Três Lagoas, segundo a Scot.
  • Goiás: R$ 356 em Goiânia, R$ 5 a mais que na véspera, e R$ 349 no sul do estado, segundo a Scot.
  • Mato Grosso: média estadual de R$ 344,46, alta de 0,43% no dia, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea); a Scot aponta de R$ 344 a R$ 346 nas regiões do estado.
  • São Paulo (referência): R$ 379,40 pelo indicador do Cepea; R$ 376 em Araçatuba e Barretos, pela Scot.

A distância para São Paulo é maior em Mato Grosso: quase R$ 35 por arroba entre a média do Imea e o indicador do Cepea. No estado, a escala de abate dos frigoríficos estava em 8,87 dias, segundo o Imea. A Safras & Mercado relata escalas de cinco a seis dias úteis na maior parte das regiões que acompanha.

O que esperar até o fim do ano

O mercado futuro aposta em arroba mais cara. Na B3, o contrato de novembro fechou a quarta-feira a R$ 394,30, cerca de R$ 15 acima do indicador à vista do Cepea, e o de dezembro, a R$ 393,15. O vencimento de outubro recuou 0,94% no dia, para R$ 385,25.

“O mercado continua carregando expectativas favoráveis para o último trimestre, período que tradicionalmente concentra o auge do consumo doméstico de carne bovina”, disse ao Canal Rural o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado. Ele também cita a retomada de embarques maiores para a China como fator de sustentação.

O efeito chinês, porém, deve ser gradual. Desde 1º de outubro, a carne brasileira que chega à China paga sobretaxa de 55%, porque o país esgotou a cota anual. Segundo Iglesias, a estratégia mais provável dos exportadores é produzir em outubro e embarcar em novembro e dezembro, para que a carga chegue em janeiro e entre na cota de 2027.

O Cepea é mais cauteloso: a demanda típica do fim do ano pode sustentar os preços, mas a continuidade das altas depende sobretudo da oferta de animais e da capacidade do atacado de absorver a carne. Do lado do pecuarista, a Scot relata vendedores retendo boiada à espera de preços melhores, enquanto a indústria compra só o necessário para montar as escalas.

Com informações de Cepea, Cepea (Indicador do Boi Gordo), Globo Rural, Canal Rural, BeefPoint, Scot Consultoria, Imea e B3 (via Notícias Agrícolas).

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