Boi sobe 7% em outubro e B3 paga R$ 406; Datagro vê R$ 400 como teto do mercado interno e teme ajuste de 2027
Em Goiás, a arroba avança 7,3% no mês, mais que em São Paulo, e em Mato Grosso do Sul a alta de 5,5% some quando convertida em dólar. Feira em Xangai, a partir de quinta-feira (5), mede o apetite da China pela cota de 2027.

O boi gordo terminou outubro com alta de 7,03% no Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq e chega a novembro a R$ 10,10 dos R$ 400 por arroba. Na sexta-feira (30), último pregão antes do feriado de Finados, o indicador paulista à vista fechou a R$ 389,90, o quarto recorde nominal seguido da série, R$ 25,60 acima do fim de setembro. Na B3, o contrato de novembro subiu 0,41%, para R$ 406,65, e todos os vencimentos até março de 2027 fecharam acima de R$ 400.
Pelas contas do Campo em Pauta com a série diária do Cepea, a alta de outubro só perde, em 2026, para a de fevereiro, de 8,03%. Desde o último dia útil de 2025, quando a arroba valia R$ 319,20, o boi paulista acumula valorização de 22,15%.
A Datagro, cujo indicador é usado na liquidação dos contratos da B3, já registra negócios a R$ 400 por arroba com frigoríficos exportadores e até com empresas voltadas ao mercado interno, segundo o líder de pecuária da consultoria, João Figueiredo, em reportagem reproduzida nesta terça-feira (3) pelo portal BeefPoint. Para ele, porém, esse valor funciona como teto para o boi destinado à carne vendida no país, porque passa a comprometer o consumo. “Neste fim de ano pode sustentar um pouco ainda, mas já está flertando com as máximas”, disse. Figueiredo também apontou preocupação com a demanda doméstica em 2027, diante das medidas que o governo venha a tomar num eventual ajuste fiscal.
O câmbio explica boa parte do movimento. “O principal motivo (da alta da arroba) é a valorização do câmbio, que aumenta a competitividade brasileira no mercado internacional e aumenta também o interesse da indústria em exportar para faturar em dólares”, afirmou na mesma reportagem a presidente-executiva da Agrifatto, Lygia Pimentel. Segundo o texto, o dólar subiu 9,15% na semana seguinte ao segundo turno, que reelegeu Lula.
Em dólar, ganho some em MS
No Indicador do Boi Datagro, que pondera negócios à vista de até três dias úteis, Goiás teve a maior alta do Centro-Oeste em outubro. Pelas contas do Campo em Pauta com os boletins de 30 de setembro e de 30 de outubro, a arroba goiana subiu 7,34%, de R$ 348,16 para R$ 373,72, mais que a paulista, que avançou 6,59%, para R$ 389,47. Em Mato Grosso, a alta foi de 6,34%, para R$ 365,29, e em Mato Grosso do Sul, de 5,49%, para R$ 380,13.
Convertida em moeda americana, a valorização praticamente desaparece. A arroba sul-mato-grossense passou de US$ 69,75 para US$ 69,79 no mês, alta de 0,06%. A de Mato Grosso subiu 0,86%, para US$ 67,06, e a de Goiás, 1,81%, para US$ 68,61. Ou seja, a maior parte do ganho em reais do pecuarista da região veio da desvalorização do real, a mesma que encarece os insumos importados, como adubo e defensivo.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) fechou a sexta com média estadual de R$ 356,39 por arroba à vista para o boi comum, sem prêmio China, alta de 0,39% no dia, e escala de abate de 7,32 dias, 9,47% mais curta que na véspera. Pelas contas do Campo em Pauta, o contrato de novembro da B3 paga R$ 50,26 a mais que essa referência. Segundo o Cepea, citado pelo Canal Rural, Cáceres, Sorriso e Barra do Garças tiveram altas acima de 8% no mês.
Na reposição, a alta foi menor. O Indicador do Bezerro Cepea/Esalq de Mato Grosso do Sul subiu 3,68% em outubro, para R$ 3.572,96 por cabeça, cerca de metade da valorização do boi. Pelas contas do Campo em Pauta, um bezerro sul-mato-grossense vale hoje 9,16 arrobas do boi paulista. Para o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea, ouvido na mesma reportagem, não há muito espaço para a arroba recuar até a virada do ano, mas a margem da cadeia vai ficar apertada em 2027, e o terminador já compra bezerro e boi magro a preços elevados. Segundo ele, a diferença entre o preço do boi e o da carne está entre as menores desde 2023.
China testa a cota de 2027
A partir de quinta-feira (5), pelo menos 20 empresas brasileiras de carne bovina participam da China International Import Expo (CIIE), em Xangai, no espaço da marca Brazilian Beef, mantido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e pela ApexBrasil. Na edição de 2025, as empresas fecharam US$ 48,26 milhões em negócios durante o evento e projetaram US$ 1,15 bilhão para os 12 meses seguintes. “Será um termômetro importante para avaliar o ritmo dos negócios, a demanda dos importadores e as perspectivas para os próximos meses”, disse o presidente da Abiec, Roberto Perosa, segundo a Globo Rural.
A cota de 1,1 milhão de toneladas que a China abriu ao Brasil em 2026 já foi preenchida, e o volume acima dela paga tarifa de 55%, o que, para a indústria, inviabiliza os embarques. A Abiec avalia que a cota de 2027 deve se esgotar mais cedo, porque as empresas já voltaram a produzir para o mercado chinês com carne que chega lá em janeiro. Para a Scot Consultoria, a corrida dos exportadores se soma a uma oferta curta: o gado que entrou nos confinamentos entre julho e agosto, e sai agora, está quase 15% abaixo do volume do ano passado, segundo o coordenador de inteligência de mercado da consultoria, Felipe Fabbri, ao Canal Rural.
Em Campo Grande, onde a Expogenética MS foi aberta no sábado (31) e tem julgamentos do Ranking Nacional da Raça Nelore previstos de terça (3) a sexta-feira (6), as entidades do setor pedem cautela. O superintendente do Senar-MS, Lucas Galvan, disse que o momento de arroba alta exige gestão de custos para atravessar uma eventual virada do ciclo pecuário. O presidente da Nelore-MS, Paulo Matos, cobrou atenção do poder público ao comércio exterior. “Precisamos falar com os nossos parlamentares, com os nossos governantes, com os órgãos institucionais que cuidam dessas relações diplomáticas e comerciais para que a gente não perca o que nós conquistamos até agora”, afirmou, segundo o Campo Grande News.
Com informações de Cepea, Datagro/BeefPoint, Notícias Agrícolas (B3), Imea, BeefPoint (Forbes), BeefPoint (Globo Rural), Canal Rural e Campo Grande News.





