Arroba tem negócios pontuais a R$ 395 com oferta curta; carnes sobem em outubro e frango ganha competitividade
Indicador do Cepea chega a R$ 380,20, maior valor nominal da série iniciada em 1994. No atacado, carcaça suína sobe 17% no mês, e o frango, 2,4%.

O boi gordo teve negócios pontuais a R$ 395 por arroba em São Paulo na quinta-feira (15), uma nova máxima, segundo a consultoria Safras & Mercado. No mesmo dia, o Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, referência para o estado, fechou em R$ 380,20 à vista, o maior valor nominal da série do Cepea, que começa em 1994.
A arroba paulista acumula alta de 4,36% em outubro e de 10,4% desde o início de setembro. Corrigido pela inflação (IGP-DI), o valor atual se aproxima do pico de 11 de novembro de 2020, equivalente hoje a R$ 385, segundo o Cepea. O centro de pesquisas atribui a alta à oferta de animais prontos para abate abaixo da demanda e ao consumo doméstico mais forte, com a proximidade das festas de fim de ano.
As escalas de abate estão entre cinco e seis dias úteis na maior parte das regiões acompanhadas pela Safras. “A urgência para recompor as programações continua mais evidente entre os frigoríficos de pequeno e médio porte, que encontram maior dificuldade para adquirir boiadas”, disse ao Canal Rural o analista Fernando Henrique Iglesias, da consultoria.
O mercado futuro acompanha. Na B3, o contrato de outubro fechou a quinta-feira a R$ 388,85, alta de 0,93% no dia. Novembro terminou a R$ 396,00 e dezembro, a R$ 394,85, ambos com alta de 0,43%. Nesta sexta-feira (16), por volta das 14h50, outubro era negociado a R$ 389.
Quanto vale a arroba no Centro-Oeste
No Centro-Oeste, a quinta-feira teve alta em Goiás, em Mato Grosso do Sul e no sudeste de Mato Grosso. Entre as 33 regiões acompanhadas pela Scot Consultoria, 23 ficaram estáveis, entre elas Araçatuba e Barretos (SP), onde o boi seguiu a R$ 376 à vista. Os valores da quinta-feira:
- Mato Grosso do Sul: R$ 374,57 pelo indicador da Datagro, alta de 0,16%; pela Scot, R$ 368 em Dourados, R$ 366 em Campo Grande e R$ 363 em Três Lagoas, de R$ 2 a R$ 3 acima da véspera.
- Goiás: R$ 361,56 pela Datagro; pela Scot, R$ 361 em Goiânia, R$ 5 a mais que na quarta-feira, e R$ 351 no sul do estado.
- Mato Grosso: média estadual de R$ 345,94, alta de 0,43%, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea); R$ 355,47 pela Datagro; pela Scot, R$ 348 no sudeste do estado e R$ 346 em Cuiabá e no norte.
- São Paulo (referência): R$ 380,20 pelo Cepea e R$ 380,00 pela Datagro.
Mato Grosso segue com a maior distância para São Paulo: R$ 34,26 por arroba entre a média do Imea e o indicador do Cepea. A escala média dos frigoríficos do estado subiu de 8,87 para 9,52 dias, segundo o Imea. Nesta sexta-feira, o instituto registrou nova alta nas oito praças que acompanha, de 0,14% a 0,45%, com Cuiabá a R$ 347,55.
Frango fica mais barato que as concorrentes
A alta não se restringe ao boi. Segundo o Cepea, as três carnes subiram no atacado na primeira quinzena de outubro, com o salário no início do mês aquecendo a procura das famílias. Como o frango subiu menos, ficou mais competitivo. O frango resfriado valia R$ 8,51 o quilo no atacado paulista na quinta-feira, alta de 2,41% no mês. A carcaça especial suína, na Grande São Paulo, foi a R$ 9,97, avanço de 17,29%. A carcaça casada bovina também subiu, informou o Cepea.
Pelas contas do Campo em Pauta com base nos números do Cepea, o quilo da carcaça suína custava cerca de 2% mais que o do frango resfriado no fim de setembro. Agora, custa 17% mais. Na carne bovina, a distância é maior: o boi casado inteiro estava a R$ 24,55 o quilo no atacado de São Paulo nesta sexta-feira, segundo a Scot, quase 2,9 vezes o preço do frango.
Para o suinocultor, a virada melhorou a relação de troca. O suíno vivo vale R$ 6,63 o quilo em São Paulo, alta de 14,71% em outubro, enquanto o milho caiu 5,62% no mês, para R$ 64,81 a saca no indicador Esalq/B3. Com 1 quilo de suíno, o produtor paulista compra hoje cerca de 6,1 quilos de milho, ante 5,1 quilos no fim de setembro, pelo cálculo do Campo em Pauta. O Cepea relata recuperação do poder de compra após três meses seguidos de queda e diz que, diante da sobreoferta, os produtores vêm reduzindo o peso dos animais para produzir menos carne por cabeça.
No atacado da carne bovina, os preços ficaram acomodados na quinta-feira, com o traseiro a R$ 29,50 o quilo e o dianteiro a R$ 22,00, segundo a Safras. Para Iglesias, a concorrência do frango e da carne suína limita novos reajustes. “Para a segunda quinzena, entretanto, a expectativa é de esfriamento da demanda, em um período tradicionalmente marcado por menor apelo ao consumo”, afirmou ao Canal Rural. Do lado do pecuarista, a oferta curta de boiadas segue sustentando a arroba.
Com informações de Canal Rural, Safras & Mercado, Cepea (Indicador do boi gordo atinge R$ 380/@), Cepea (Indicador do boi gordo), Cepea (frango), Cepea (suínos), Datagro, via BeefPoint, Scot Consultoria, Imea, B3, via Notícias Agrícolas e Globo Rural.



