Volta do frango à UE é "formalidade", diz ministro; Emirados abrem mercado ao pescado brasileiro
Comitê europeu analisa a auditoria em 20 e 21/10, sem votação prevista. Até agosto, MS vendeu US$ 25,3 milhões em carne de aves ao bloco, 10% do que exportou do produto.

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (13) que a volta do Brasil à lista de países autorizados a vender carne de aves e mel à União Europeia deve ser só uma "formalidade". No mesmo evento, em Brasília, ele anunciou que os Emirados Árabes Unidos passaram a aceitar pescado brasileiro, tanto de pesca quanto de cultivo. Segundo a Globo Rural, foi essa abertura que levou o governo à marca de 700 mercados abertos ao agro desde 2023.
O otimismo do ministro se apoia no relatório final da auditoria europeia, feita no país de 24 de agosto a 4 de setembro. "Na realidade, eu imagino até que é uma formalidade que vai ser cumprida, porque o relatório que foi apresentado pela auditoria [...] ele não coloca nenhum reparo, ele não traz nenhuma sugestão", disse André de Paula, segundo a CNN Brasil. Publicado em 28 de setembro, o documento da DG Santé, a autoridade sanitária do bloco, concluiu que os controles oficiais brasileiros dão as garantias exigidas pela legislação europeia, de acordo com o Mapa.
O próximo passo é a reunião do comitê técnico da Comissão Europeia que trata de plantas, animais, alimentos e rações, o SCoPAFF, nos dias 20 e 21 de outubro, em Bruxelas. Segundo a CNN Brasil, porém, não há votação prevista no encontro para decidir a reinclusão do Brasil. Uma fonte da indústria disse à Globo Rural que a expectativa é retomar os embarques de frango em novembro. O país está fora da lista desde 3 de setembro.
O que o bloqueio interrompeu
A suspensão veio num ano de vendas em alta. Pelos dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, o Brasil exportou US$ 349,7 milhões em carne de aves fresca, refrigerada ou congelada para a União Europeia de janeiro a agosto de 2026, ou 132,7 mil toneladas. Em oito meses, o valor já superava os US$ 302 milhões de todo o ano de 2025. No mel, as vendas ao bloco somaram US$ 12,3 milhões até agosto, o dobro dos US$ 6,1 milhões de 2025 inteiro.
No Centro-Oeste, quem mais depende do mercado europeu é Mato Grosso do Sul. O estado foi o 4º maior exportador de carne de aves para o bloco até agosto, com US$ 25,3 milhões, atrás de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O valor já passava dos US$ 20,7 milhões de todo o ano passado e equivale a cerca de 10% de tudo o que Mato Grosso do Sul vendeu de carne de aves ao exterior no período. Goiás exportou US$ 13,3 milhões aos europeus, cerca de 3% de suas vendas externas do produto. Mato Grosso e o Distrito Federal não registraram embarques de carne de aves para a União Europeia em 2026, e nenhum estado da região aparece entre os exportadores de mel ao bloco.
Pescado nos Emirados, mas UE segue fechada
A abertura dos Emirados Árabes Unidos vale para o pescado extrativo e para o de cultivo, como a tilápia. Cada abertura é uma autorização sanitária do país comprador; para virar venda, ainda é preciso habilitar empresas e fechar negócios. "Estamos celebrando 700 mercados abertos contra 241 abertos no governo anterior", disse o ministro, segundo a Globo Rural.
O novo destino chega num momento difícil para a tilápia. De janeiro a setembro, o Brasil exportou US$ 32,2 milhões em tilápia inteira e em filés, 27,8% menos que no mesmo período de 2025, segundo o Comex Stat. Os Estados Unidos ficaram com 89,6% do total. Mato Grosso do Sul respondeu por US$ 7,2 milhões, ou 22,4%, e foi o 3º maior exportador, atrás de Paraná e São Paulo. A queda no estado foi de 2,9%, bem menor que a do Paraná (31,3%) e a de São Paulo (35,2%). Goiás vendeu US$ 129 mil, e Mato Grosso não registrou exportações da espécie.
Na União Europeia, o pescado brasileiro continua sem data para voltar. O mercado está fechado desde 2018, e o tema não está na pauta da reunião de 20 e 21 de outubro. O ministro disse que a pasta segue "permanentemente vigilante" em relação aos produtos ainda barrados pelo bloco, como a carne bovina.
Com informações de Globo Rural, CNN Brasil, Mapa, Rádio Gov (EBC) e Comex Stat (MDIC).



