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Volta do frango à UE é "formalidade", diz ministro; Emirados abrem mercado ao pescado brasileiro

Comitê europeu analisa a auditoria em 20 e 21/10, sem votação prevista. Até agosto, MS vendeu US$ 25,3 milhões em carne de aves ao bloco, 10% do que exportou do produto.

Por Redação Campo em Pauta ·

Pintinhos brancos de frango de corte sobre cama de maravalha, entre comedouros vermelhos, em um galpão longo de criação
Pintinhos de frango de corte em galpão de criação no Texas, nos Estados Unidos, em 2009. Foto: USDA NRCS Texas (Domínio público)

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (13) que a volta do Brasil à lista de países autorizados a vender carne de aves e mel à União Europeia deve ser só uma "formalidade". No mesmo evento, em Brasília, ele anunciou que os Emirados Árabes Unidos passaram a aceitar pescado brasileiro, tanto de pesca quanto de cultivo. Segundo a Globo Rural, foi essa abertura que levou o governo à marca de 700 mercados abertos ao agro desde 2023.

O otimismo do ministro se apoia no relatório final da auditoria europeia, feita no país de 24 de agosto a 4 de setembro. "Na realidade, eu imagino até que é uma formalidade que vai ser cumprida, porque o relatório que foi apresentado pela auditoria [...] ele não coloca nenhum reparo, ele não traz nenhuma sugestão", disse André de Paula, segundo a CNN Brasil. Publicado em 28 de setembro, o documento da DG Santé, a autoridade sanitária do bloco, concluiu que os controles oficiais brasileiros dão as garantias exigidas pela legislação europeia, de acordo com o Mapa.

O próximo passo é a reunião do comitê técnico da Comissão Europeia que trata de plantas, animais, alimentos e rações, o SCoPAFF, nos dias 20 e 21 de outubro, em Bruxelas. Segundo a CNN Brasil, porém, não há votação prevista no encontro para decidir a reinclusão do Brasil. Uma fonte da indústria disse à Globo Rural que a expectativa é retomar os embarques de frango em novembro. O país está fora da lista desde 3 de setembro.

O que o bloqueio interrompeu

A suspensão veio num ano de vendas em alta. Pelos dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, o Brasil exportou US$ 349,7 milhões em carne de aves fresca, refrigerada ou congelada para a União Europeia de janeiro a agosto de 2026, ou 132,7 mil toneladas. Em oito meses, o valor já superava os US$ 302 milhões de todo o ano de 2025. No mel, as vendas ao bloco somaram US$ 12,3 milhões até agosto, o dobro dos US$ 6,1 milhões de 2025 inteiro.

No Centro-Oeste, quem mais depende do mercado europeu é Mato Grosso do Sul. O estado foi o 4º maior exportador de carne de aves para o bloco até agosto, com US$ 25,3 milhões, atrás de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O valor já passava dos US$ 20,7 milhões de todo o ano passado e equivale a cerca de 10% de tudo o que Mato Grosso do Sul vendeu de carne de aves ao exterior no período. Goiás exportou US$ 13,3 milhões aos europeus, cerca de 3% de suas vendas externas do produto. Mato Grosso e o Distrito Federal não registraram embarques de carne de aves para a União Europeia em 2026, e nenhum estado da região aparece entre os exportadores de mel ao bloco.

Pescado nos Emirados, mas UE segue fechada

A abertura dos Emirados Árabes Unidos vale para o pescado extrativo e para o de cultivo, como a tilápia. Cada abertura é uma autorização sanitária do país comprador; para virar venda, ainda é preciso habilitar empresas e fechar negócios. "Estamos celebrando 700 mercados abertos contra 241 abertos no governo anterior", disse o ministro, segundo a Globo Rural.

O novo destino chega num momento difícil para a tilápia. De janeiro a setembro, o Brasil exportou US$ 32,2 milhões em tilápia inteira e em filés, 27,8% menos que no mesmo período de 2025, segundo o Comex Stat. Os Estados Unidos ficaram com 89,6% do total. Mato Grosso do Sul respondeu por US$ 7,2 milhões, ou 22,4%, e foi o 3º maior exportador, atrás de Paraná e São Paulo. A queda no estado foi de 2,9%, bem menor que a do Paraná (31,3%) e a de São Paulo (35,2%). Goiás vendeu US$ 129 mil, e Mato Grosso não registrou exportações da espécie.

Na União Europeia, o pescado brasileiro continua sem data para voltar. O mercado está fechado desde 2018, e o tema não está na pauta da reunião de 20 e 21 de outubro. O ministro disse que a pasta segue "permanentemente vigilante" em relação aos produtos ainda barrados pelo bloco, como a carne bovina.

Com informações de Globo Rural, CNN Brasil, Mapa, Rádio Gov (EBC) e Comex Stat (MDIC).

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