China volta a comprar soja dos EUA, e Anec eleva para 6,55 milhões de t o embarque brasileiro de outubro
Milho sobe a 6,41 mi t na programação dos portos, mas perde competitividade para o americano e cai 2,6% em um dia em Campinas; em MT, 59% da soja exportada no ano foi à China.

Compradores estatais chineses fecharam nesta semana de 8 a 10 cargas de soja dos Estados Unidos, as primeiras desde a cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em setembro, segundo três operadores ouvidos pela agência Reuters. Cada navio do tipo Panamax leva cerca de 65 mil toneladas, o que soma de 520 mil a 650 mil toneladas, com embarque a partir de dezembro.
A volta da China ao mercado americano coincide com a entressafra brasileira: a soja 2025/26 está quase toda vendida (97,51% em Mato Grosso, segundo o Imea), e a nova safra, em plantio, só começa a ser colhida em janeiro. Em setembro, os chineses importaram 11,88 milhões de toneladas do grão, 7,7% menos que um ano antes e 2,1% abaixo de agosto, segundo a alfândega do país, citada pela Reuters. “Este ano, as vendas de soja do Brasil da safra anterior avançaram rapidamente, com menos remessas disponíveis em setembro”, disse à agência a analista Rosa Wang, da Shanghai JC Intelligence.
Antes dos novos negócios, a China já tinha comprado cerca de 13,7 milhões de toneladas de soja americana, mais da metade da meta de 25 milhões de toneladas para 2026/27 anunciada pela Casa Branca, segundo a Reuters. No último relatório semanal do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), referente à semana encerrada em 1º de outubro, as vendas líquidas aos chineses somaram 382,9 mil toneladas, e os embarques para o país, 827,9 mil toneladas. Segundo a Reuters, porém, as compras chinesas tendem a diminuir nos próximos meses, por causa da demanda fraca por ração e das margens negativas de esmagamento no país.
No Brasil, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou a previsão de embarques de soja em outubro para 6,55 milhões de toneladas, ante 6,18 milhões estimados uma semana antes, segundo o Canal Rural. O volume supera em 2,3% o de outubro de 2025, de 6,40 milhões de toneladas. De janeiro a outubro, considerando a programação de navios, o país deve somar 107,95 milhões de toneladas, alta de 6,4%. A China recebeu 70% da soja brasileira embarcada até setembro.
No milho, a previsão para o mês subiu de 5,34 milhões para 6,41 milhões de toneladas, 12,6% acima de outubro do ano passado. Mesmo assim, o acumulado do ano, de 25,87 milhões de toneladas, segue 12,8% abaixo do de 2025. Para a semana de 11 a 17 de outubro, estão programadas 1,70 milhão de toneladas de soja e 1,80 milhão de toneladas de milho, com Santos (SP) e Barcarena (PA) à frente nos embarques do cereal.
Milho perde competitividade
Na bolsa de Chicago, a soja para novembro fechou a terça-feira (13) em US$ 12,8375 por bushel, queda de 4 centavos de dólar, e o milho para dezembro recuou 0,25 centavo, para US$ 4,8275. A colheita americana chegou a 46% da área de soja e a 33% da de milho, segundo o USDA. Na manhã desta quarta-feira (14), a soja subia 0,35% em Chicago à espera da confirmação das compras chinesas, segundo a Globo Rural.
O milho brasileiro é o que mais sente a concorrência. Com Chicago mais baixo, real valorizado e prêmios mais fracos nos portos, o cereal americano chega a sair mais barato que o brasileiro em alguns destinos, segundo análise da plataforma Grainsights, da Grão Direto, publicada pelo Canal Rural. Com isso, sobra mais produto no mercado interno, e os compradores negociam sem pressa.
O indicador do milho do Cepea, centro de pesquisas da Esalq/USP, caiu 2,61% na terça-feira em Campinas (SP), para R$ 65,59 por saca de 60 kg, e acumula queda de 4,49% em outubro. Na soja, o indicador de Paranaguá (PR) recuou 0,39%, para R$ 154,15, com baixa de 4,59% no mês.
O que muda para o Centro-Oeste
Em Mato Grosso, maior produtor do país, a China comprou 59,13% da soja exportada pelo estado de janeiro a setembro, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à federação dos produtores. O estado embarcou 30,97 milhões de toneladas no período, 6,15% mais que em 2025. O prêmio pago pela soja no porto de Santos, que se soma à cotação de Chicago, ficou em média em 145 centavos de dólar por bushel na semana passada, alta de 1,4%. Já a paridade de exportação da soja para março de 2027, referência para a safra que está sendo plantada, recuou 4,7%, para R$ 118,35 por saca no estado.
Mesmo com a queda sazonal dos embarques no fim do ano, o Imea espera que Mato Grosso encerre 2026 com volume exportado de soja próximo ao do ano passado. O próximo termômetro para o produtor sai na quinta-feira (15), quando a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulga o primeiro levantamento da safra de grãos 2026/27, com as estimativas iniciais para a soja e para o milho da segunda safra.
Com informações de CNN Brasil/Reuters, Canal Rural (Anec), Anec - Exportações acumuladas, semana 39/2026, USDA - Export Sales, semana até 1º/10, Brownfield Ag News - fechamentos de 13/10, Globo Rural, Canal Rural, Cepea/Esalq, Imea - Boletim semanal da soja nº 918 e Conab.



