Açúcar em NY vai ao maior valor desde dez/2024; OIA corta produção do Centro-Sul, e MS faz 30% menos açúcar
Contrato de março fecha a 21,11 centavos de dólar por libra-peso. Chuva trava a moagem, e usinas de MS e GO desviam mais cana para o etanol; em MT, o combustível vem sobretudo do milho.

O açúcar bruto fechou a terça-feira (13) em alta na bolsa de Nova York (ICE). O contrato para março de 2027, o mais negociado, subiu 26 pontos, ou 1,25%, e terminou a 21,11 centavos de dólar por libra-peso, o maior valor desde dezembro de 2024, segundo o Valor Data, citado pela Globo Rural. O vencimento de maio fechou a 20,23 centavos.
A alta acompanha a revisão para baixo da produção do Centro-Sul do Brasil. No relatório de mercado de setembro, divulgado em 7 de outubro, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) passou a ver dificuldade para a região chegar a 38 milhões de toneladas de açúcar na safra 2026/27, abaixo dos 39 milhões que projetava antes, segundo o Canal Rural. O volume pode ficar bem abaixo disso se as chuvas previstas se confirmarem, diz a entidade. Na safra 2025/26, o Centro-Sul fabricou 40,43 milhões de toneladas, segundo a Unica.
A chuva associada ao El Niño atrapalha a colheita e a moagem. Até 15 de setembro, as usinas do Centro-Sul processaram 443,7 milhões de toneladas de cana, 1,5% menos que um ano antes, segundo os dados que as empresas informam ao Ministério da Agricultura. Foi a primeira vez na safra que a moagem acumulada ficou abaixo da anterior. A produção de açúcar caiu 14,4%, para 26,07 milhões de toneladas, enquanto a de etanol, somando cana e milho, subiu 8,7%, para 22,94 bilhões de litros.
Parte da queda vem da escolha das usinas. Segundo a OIA, 53,8% do açúcar total recuperável (ATR) da cana foi destinado ao etanol até agora, contra 47,7% no mesmo ponto da safra passada.
MS tem a maior queda do Centro-Sul
Mato Grosso do Sul registra o maior recuo na fabricação de açúcar entre os estados do Centro-Sul. Até 15 de setembro, as usinas sul-mato-grossenses produziram 1,11 milhão de toneladas, 30% menos que no mesmo período de 2025, mesmo com a moagem praticamente estável, em 35 milhões de toneladas (+0,3%). A produção de etanol no estado cresceu 11,9%, para 3,07 bilhões de litros.
Em Goiás, a moagem subiu 3,4%, para 61 milhões de toneladas, mas o açúcar recuou 9,8%, para 2,09 milhões de toneladas. O etanol goiano avançou 16,3%, para 4,15 bilhões de litros. Em Mato Grosso, as usinas fabricaram 432 mil toneladas de açúcar (+4,2%) e 3,72 bilhões de litros de etanol (+5,9%). No estado, o combustível vem sobretudo do milho: a Conab projeta 7,2 bilhões de litros de etanol de milho em MT nesta safra, contra 1,2 bilhão de litros feitos de cana.
Na estimativa de agosto, a Conab já previa 1,82 milhão de toneladas de açúcar em MS na safra 2026/27, queda de 14,3%, e 3,54 bilhões de litros de etanol de cana, alta de 26,6%. Para todo o Centro-Sul, a companhia estimava 39,5 milhões de toneladas de açúcar, número acima do que a OIA considera agora alcançável.
Mercado interno sobe menos
No mercado paulista, o indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal branco fechou a terça-feira a R$ 123,78 a saca de 50 quilos, alta de 0,50% no dia e de 2,20% em outubro. Segundo o Cepea, a queda do dólar comprimiu a receita em reais do exportador, e a alta em Nova York não se traduziu em ganho equivalente no mercado doméstico. O etanol hidratado subiu 2,87% na semana de 5 a 9 de outubro, para R$ 2,6374 o litro, com distribuidoras repondo estoques antes do feriado de 12 de outubro.
Para o curto prazo, a previsão é de mais chuva. “Estão previstas chuvas entre 50 milímetros e 80 milímetros no acumulado da semana no Centro-Sul. Para a semana que vem, as chuvas devem superar 120 milímetros. Na semana posterior, seguirá com volumes na faixa de 80 milímetros. Essas proporções paralisam a atividade de colheita”, afirmou o analista Maurício Murici, da Safras & Mercado, em declaração publicada pela Globo Rural.
Nem todos veem espaço para a alta continuar. A StoneX considera os preços atuais exagerados e espera um mercado mais baixista no segundo semestre de 2027, quando deve entrar mais açúcar brasileiro. As usinas, por ora, aproveitam o momento. Segundo a consultoria, o custo de produção do Centro-Sul fica entre R$ 1.900 e R$ 2.000 por tonelada, abaixo dos cerca de R$ 2.400 que o contrato de março chegou a pagar, o que estimula a venda antecipada da safra 2027/28. A OIA também relata que usinas brasileiras estariam fazendo operações expressivas de proteção de preço (hedge) para 2027.
Com informações de Canal Rural, Organização Internacional do Açúcar (Market Report, setembro de 2026), Globo Rural, Notícias Agrícolas (cotações ICE/NY), Notícias Agrícolas, Ministério da Agricultura (Sapcana, safra 2026/27 até 15/9), Ministério da Agricultura (Sapcana, safra 2025/26 até 15/9), Conab (2º levantamento da safra de cana 2026/27), Unica e Cepea.



